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Noroeste demite João Martins e promove Marcelo Santos para ser novo técnico

por Thiago Navarro

30/08/2015 - 18h40

João Rosan
Após 20 jogos no comando, João Martins não é mais o técnico do Noroeste
João Rosan
DUPLA FUNÇÃO -  Marcelo Santos vai ser jogador-treinador na reta final da competição; ele se recupera de uma lesão na coxa esquerda

O presidente do Noroeste, Emílio Brumati, acertou, nesse domingo (30) à tarde, o desligamento do técnico João Martins, que estava no clube desde fevereiro, e confirmou que o meia Marcelo Santos passa a ocupar o cargo a partir desta segunda-feira (31). Ele se recupera de uma lesão muscular na coxa esquerda, e quando retornar, acumulará as duas funções.

O próprio dirigente noroestino afirma que a saída de Martins ocorreu por falta de sintonia entre as partes. “Ele não estava ouvindo a gente, só puxando para o lado dele. Foi uma decisão que tomamos hoje (domingo-30). Um exemplo foi nesta última partida, que era no sábado às 15h e ele (Martins) quis viajar de quinta para sexta-feira à meia-noite, sem necessidade alguma de ser nesse horário”, resumiu Brumati.

O presidente do clube antecipou ao JC que vai promover o experiente meia Marcelo Santos, de 36 anos, para ser o treinador a partir desta segunda-feira. “Conversei com o Marcelo, e amanhã (hoje) temos uma reunião para alinhar alguns detalhes. O fato é que não precisamos testar jogador algum, o Marcelo vai definir o time que entra em campo junto com a diretoria, até porque o time titular todo mundo já sabe, é este que vem atuando”, pontua. “A ideia é que o Marcelo seja o técnico até o final da Série B. No domingo ele já comanda o time em Bebedouro”, completa, referindo-se à próxima partida, diante da Internacional, fora de casa, às 10h no domingo.

Martins

A reportagem procurou o técnico João Martins, que negou desentendimentos com a direção alvirrubra. “O único dirigente com quem eu tinha contato era o Emílio, e da minha parte não tenho problema algum com ele. Hoje (domingo-30) à tarde, ele me ligou dizendo que estava pressionado pela torcida para me demitir. Meu relacionamento com o elenco era bom também, mas a minha saída foi uma decisão do presidente, ele é quem manda no clube e eu respeito isso. Continuarei torcendo pelo acesso do Noroeste, até porque fiz parte do projeto e não é um resultado ruim em um jogo que muda isso”, aponta, em entrevista por telefone.

Em 20 jogos na Série B, o treinador teve 65% de aproveitamento, com 12 vitórias, três empates e cinco derrotas. O Noroeste foi o líder do Grupo 1 na primeira fase, com 38 pontos, e até agora soma apenas um ponto na segunda fase, com uma derrota e um empate.

Martins estava em Araraquara, nesse domingo, quando recebeu a ligação do presidente Emílio Brumati informando sua saída. O treinador nem retorna a Bauru, e a partir desta segunda já se reapresenta à Ferroviária, onde possui vínculo e deve trabalhar tanto com o time principal como com as categorias de base, inclusive na preparação do clube grená para a Copa São Paulo de Futebol Júnior em janeiro de 2016.

Parceria

A parceria entre o Noroeste e a Ferroviária será mantida até o final da Série B, mesmo com a saída de João Martins. “Os jogadores que estão em Bauru ficam no clube até o fim do campeonato, normalmente”, disse o técnico recém-dispensado.

O conselheiro noroestino Toninho Gimenez, que fez a articulação para a viabilidade da parceria, no começo do ano, também afirma isso. “A saída do João Martins não altera o planejamento e o empréstimo dos jogadores da Ferroviária para o Noroeste”, menciona. Já o presidente Emílio Brumati foi enfático. “Nossa parceria é com a Ferroviária, não com o treinador”, dispara.

Novo desafio

Experiente e identificado com o Norusca, o meia Marcelo Santos – que durante boa parte da carreira atuou como lateral-esquerdo – diz que o objetivo é colocar o Alvirrubro na Série A-3. “Conversei rapidamente com o Emílio (Brumati, presidente do clube) à tarde, ele me falou da situação da saída do professor Martins. Amanhã (hoje) vamos ter uma reunião para acertar alguns detalhes, e na terça-feira já começamos o trabalho com o elenco para buscar o acesso”, explica, já fazendo os cálculos.

“Mesmo sendo jogador, eu sempre fiz contas para saber das possibilidades de classificação, e o entendimento é de que precisamos fazer pelo menos 18 pontos para subir, ou seja, seis vitórias. Para este próximo jogo, temos que pontuar em Bebedouro, até para eles não dispararem na liderança, e depois temos três jogos em casa no returno, onde temos que vencer”, comenta, em entrevista ao JC na noite de domingo.

Marcelo Santos revela que já tinha o desejo de ser treinador após encerrar a carreira. “Eu tenho essa vontade, e imaginava que poderia começar nas categorias de base, por exemplo. Essa situação de certa forma vai antecipar um pouco as coisas, será minha primeira experiência como técnico, mas vou levar a bagagem que tenho em campo. Eu já imaginava que esse ano poderia ser o último como atleta, e agora esse desafio será uma transição. O importante é que será em um clube na qual tenho muita identificação, e onde estou envolvido desde o começo em um projeto maior, que é o retorno para a A-3”, avalia.

Sobre o acúmulo de funções, ele entende que não será um problema. “Estou tratando da lesão na coxa, e nesta semana volto a correr. Talvez em 20 dias posso estar liberado para atuar, e não acho que isso vai atrapalhar no papel de técnico”, conclui.