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Esportes

Morre professor 'Paraíba' do Xadrez, vítima de câncer

09/11/2015 - 18h00

Neide Carlos/Arquivo JC
Edvaldo Bezerra Diniz já foi entrevistado da semana no JC

Morreu nesta tarde de segunda-feira (9) o professor de xadrez do Bauru Tênis Clube e da Semel Edvaldo Bezerra Diniz, o Paraíba, aos 55 anos. Ele morreu às 16h, vítima de um repentino câncer no fígado que foi constatado há apenas 4 dias.

O professor lecionava xadrez há exatamente 35 anos no BTC. Paraíba também era professor do esporte de tabuleiro na Semel e organizava o Memorial Valzinho todos os anos.

Segundo o Murilo Aiello, conselheiro do BTC e amigo pessoal há muitos anos, Paraíba reclamava muito de dores abdominais e há pouco mais de 10 dias passou por um cirurgia e retirou pedras da vesícula. Na sequência ele teve melhora e recebeu alta. “Na quinta-feira ele voltou a sentir muita dor e foi novamente ao Hospital da Unimed, onde foi internado para um novo procedimento cirúrgico, desta vez, foi constatado um tumor no fígado. Ele resistiu por quatro dias e morreu agora a tarde”, lamentou Aiello.

DESPEDIDA

O velório de Edvaldo Bezerra Diniz será realizado a partir das 21h no Centro Velatório Terra Branca, localizado na rua Gerson França, 5-55, Centro de Bauru. O enterro ocorrerá às 16h desta terça-feira (10), no Cemitério Jardim do Ipê.

VAI DEIXAR SAUDADE

Carismático, atencioso e amigo. Estas são apenas algumas características desse paraibano que adotou a cidade de Bauru como sua cidade do coração desde 1978. O professor e técnico enxadrista do Bauru Tênis Clube desde 1980 e há 29 anos era assistente desportivo e técnico de xadrez também da Semel. Mais recentemente ele também passou a comandar as aulas no Colégio Educare e Consórcio Intermunicipal de Promoção Social (Cips).

Apaixonado por ensinar um esporte que poucos se atrevem a praticar, o professor Paraíba, acreditava que o xadrez ajuda a desenvolver a atenção, concentração, paciência, memória, sensibilidade e a criatividade das crianças, além de ensinar sobre o saber ganhar e perder. E era essa a filosofia da escolinha de xadrez do BTC que ele trazia para os alunos.

PRÊMIOS

Em Bauru, já recebeu 18 edições do Troféu Ligado como técnico e um como notável do esporte, além de 4 medalhas em Jogos Abertos do Interior, sendo uma de ouro e três de bronze. Além de 25 medalhas em Regionais.   

INÍCIO DA CARREIRA

“Eu aprendi a jogar xadrez na escola onde estudei, em João Pessoa, em 1975. Um professor e alguns colegas de escola me despertaram o interesse pela atividade, mas eu era um principiante e não sabia muito sobre o assunto. Na Paraíba não havia professores de xadrez, foi em Bauru que eu encontrei o primeiro. Aliás, esta ainda é uma profissão nova no Brasil”, dizia o professor , que já atravessou o oceano graças às pecinhas do tabuleiro. Além de ter rodado 18 estados brasileiros, ele esteve também no mundial realizado em 1988, na Romênia.

Feliz com o trabalho que realizava na cidade, sobretudo no BTC, Paraíba revelava ainda que foi uma honra ter sido campeão em 1978 do Torneiro dos Capivaras,  hoje chamado de Memorial Valzinho. Fui campeão dos Abertos de 2013, em Mogi das Cruzes, e bronze nos anos de 1987, 2000 e 2014. Todos como técnico. “Eu tenho um bom número de medalhas e troféus, mas a maioria como técnico, e já formei 12 campeões brasileiros. Outra coisa muito importante na minha vida é o Troféu Ligado. Eu ganhei 18 troféus como técnico e um como notável do esporte”, comentou em entrevista recente.  

Para ele, ensinar xadrez exigia muito estudo, dedicação, amor a profissão e muito trabalho. “Nem sempre um bom professor é um com técnico. São linhas diferentes. É preciso ter vocação e empenho.