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Esportes

Hermano já está tocando a bola no Noroeste

por Wagner Teodoro

11/12/2015 - 07h00

Fotos: Quioshi Goto
Noroeste terá time jovem, comandado pelo meia Marcelo Santos (foto abaixo) e meia-atacante argentino Francisco Hernandez (foto acima)

O Noroeste apresentou, nessa quinta-feira (10), o meia-atacante argentino Francisco Hernandez e definiu a renovação do meia Marcelo Santos. Ambos assinaram contrato durante entrevista coletiva e devem ser os principais nomes e atletas mais experientes de um jovem elenco definido por diretoria e comissão técnica entre os jogadores que fizeram avaliações e chegam ao clube em parceria com escritórios de empresários. A formação do elenco alvirrubro segue a diretriz de austeridade financeira implantada pela atual diretoria e tem o tamanho do orçamento noroestino.

A coletiva contou com a presença, além de Marcelo Santos e Francisco Hernandez, do diretor de futebol Rodrigo Gomes, o Mosca, do tesoureiro Estevam Pegoraro e do vice-presidente, Rafael Padilha. Os diretores ressaltaram as limitações orçamentárias que o clube enfrenta e destacaram que as parcerias com os empresários Juan Figer, Renê Salviano, Fabiano Ventura e Gustavo Oliveira foram fundamentais para a montagem do elenco.

De acordo com Mosca, o time tem média de idade de 21 anos, o que ratifica uma mudança de planos da diretoria, que pensava, a princípio, em montar uma equipe mais experiente para a disputa da A3. Porém, as limitações orçamentárias impediram o projeto. “Montamos o time com o que a gente tem. Se vai cair, não adianta reclamar. Se tivesse dinheiro e montasse uma equipe para cair, poderiam falar alguma coisa. Não é o caso”, resumiu Padilha. “A prioridade é a quitação das dívidas do clube”, reforça Pegoraro.

Mosca justifica a mudança na filosofia de trabalho para a A3, já que o clube tinha intenção de ter um elenco mais experiente. “Temos que dar o passo de acordo com nossa perna. Houve mudança porque o cenário em relação a recursos mudou. Temos que nos enquadrar nesta realidade. É um time jovem. O Marcelo e o Francisco estão vindo para dar uma experiência para a garotada”, observa. “O time é novo porque temos parcerias, que reduziram custos, mas todo empresário que faz este tipo de negócio quer mostrar seus jogadores no cenário do futebol. O Noroeste está apostando nesta molecada”, comenta Mosca.

Ferroviária

A continuidade da parceria com a Ferroviária ainda está sendo definida. Caso haja acordo entre os clubes, o time de Araraquara cederia menos jogadores do que para a Série B. Seriam dois ou três atletas. O meia-atacante Edson Negão e o lateral-esquerdo Sávio são nomes cotados para voltar. A vinda do atacante Hygor, artilheiro da Bezinha, está descartada.

Do elenco que disputou a Série B e tem vínculo com o Noroeste, o zagueiro Rafael Pontoli tem permanência assegurada. Os outros jogadores dependem de conversa com a diretoria. O goleiro Aranha não deve ficar. A intenção do Noroeste é emprestá-lo. O técnico Vítor Hugo volta de lua de mel na próxima semana e os treinos têm início na quarta-feira.

Profut

A diretoria do Noroeste anunciou, nessa quinta (10), que o clube aderiu ao Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro, o Profut, proposto pelo Governo Federal.

De acordo com o tesoureiro Estevam Pegoraro, a dívida do Norusca na esfera federal de aproximadamente R$ 4 milhões caiu para cerca de R$ 2,5 milhões e foi dividida em 240 parcelas. “Deu uma parcela de pouco mais de R$ 10 mil reais por mês. Já está enquadrado dentro do orçamento do clube e a primeira já foi paga”, explica. “A parte do FGTS foi protocolada na Caixa Econômica Federal, que vai fazer um parcelamento em 180 vezes”, acrescenta.

Refis

O Noroeste busca ainda entendimento com a Prefeitura Municipal para aderir ao Programa de Refinanciamento de Dívidas, o Refis. Estevam Pegoraro afirma que a dívida de IPTU do clube com o município gira em torno de R$ 1,4 milhão. “Estamos em negociação para aderir ao Refis e fazer o parcelamento para ser quitada esta dívida”, aponta o tesoureiro.

Time vai apostar em campo na experiência de Marcelo Santos e Francisco Hernandez

Jogadores mais experientes do elenco alvirrubro para a Série A3, Marcelo Santos e Francisco Hernandez terão incumbência de liderar o jovem time em uma competição que promete ser das mais difíceis das últimas temporadas, com apenas dois promovidos e seis rebaixados. Marcelo Santos, de 36 anos, que chegou a ter sua renovação descartada, afirma que entrou em consenso com o clube, com ambos os lados cedendo pela permanência. “O clube fez um sacrifício e eu também abri mão de algumas coisas. Tenho a satisfação de encarar mais um desafio neste clube”, celebra.

Marcelo Santos afirma que o time não entra como favorito na Série A3, mas aposta no ambiente positivo e no apoio do torcedor para fazer uma boa competição. “Tenho que ser realista, o torcedor vai ter que ser paciente. Existe muita coisa para acontecer ainda com a volta do Vítor Hugo para poder avaliar os jogadores. Se o torcedor jogar junto, como no jogo contra o Fernandópolis (partida do acesso), e tivermos um ambiente legal, podemos superar questões técnicas ou táticas”, projeta.

O jogador está preparado para ser o líder da equipe. “Ao longo dos anos a gente vai adquirindo esta responsabilidade. Eu me sinto em casa, vou me dedicar demais e quero fazer com o que os jogadores que estão chegando entendam qual a camisa que estão vestindo, a de um clube centenário. Se eles comprarem esta ideia, tiverem a dimensão da camisa, podemos fazer algo interessante”, comenta Marcelo Santos.

Hernandez, 26 anos, dividirá com Marcelo Santos a missão de liderar a garotada alvirrubra na A3. Revelado pelo Newell’s Old Boys, além da Argentina, Hernandez tem passagens pelo futebol uruguaio e italiano e, no Brasil, defendeu o Palmeiras B na disputa exatamente da A3. O meia-atacante acredita que não terá problemas de adaptação. “Sempre quando você chega a um time novo tem que se adaptar um pouquinho, mas já conheço o Brasil e a Série A3”, declara. A aposta é no rápido entrosamento do elenco. “Futebol é complicado sempre, a A3 é um campeonato forte, mas o importante é que nós vamos nos conhecer fazendo coletivos, melhorar”, projeta Hernandez.

Hernandez afirma que suas principais características são velocidade, habilidade e boa pegada. “Espero demonstrar no campo”, planeja. O argentino pretende liderar pelo exemplo. “Vou ser sempre o primeiro no trabalho, forçando o meu máximo. Trabalhando, dando confiança ao companheiro”, conclui.

Você sabia que...

Além de Alfredo Manay, na década de 60, e Pedro Rocha, nos anos 90, outros dois técnicos uruguaios comandaram o Noroeste.


Conrado Ross teve passagem de 21 de novembro de 1955 a 24 de janeiro de 1956. Já Armando Graham Bell, de 1 de fevereiro a 24 de junho de 1963, sendo que no período de 1 de março a 12 de abril do ano em questão foi substituído pelo técnico Alfredinho, por ter sofrido acidente automobilístico na ocasião.


As experiências com técnicos uruguaios não foram boas, como verifica-se pelas classificações noroestinas: Conrado Ross – (1955) – 13º colocado entre 14 clubes; Armando Graham Bell – (1963) – 13º colocado entre 16; Alfredo Manay – (1964) – 15º colocado entre 16 e Pedro Rocha - (1991) – 10º colocado entre 28.

Fonte: leitor Fausto Gamba Gonçalves