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É CAMPEÃO! Gocil/Bauru fatura título do NBB 2016/17

Dragão bate Paulistano, fecha final em 3 a 2, ganha Nacional após 15 anos e acaba com sequência de vices

por Marcus Liboro, Wagner Teodoro e Thiago Navarro

17/06/2017 - 16h15

Reprodução/TV
Bauru faz virada histórica de playoff e fecha a série em 3 a 2
Aceituno Jr
O pivô Shilton foi um “monstro” na final, com duplo-duplo de 16 pontos e 10 rebotes

Acabou a espera. Bauru é novamente campeã nacional. Em atuação incontestável, o Gocil/Bauru derrotou o Paulistano, neste sábado (17) à tarde, por 92 a 73, no ginásio Gigantão, em Araraquara, e se tornou o primeiro time paulista campeão do Novo Basquete Brasil (NBB). Antes, em oito edições, apenas Flamengo (cinco vezes) e Brasília (três) haviam erguido o troféu. A conquista do Gocil se soma ao título do Tilibra/Copimax do Nacional de 2002, ainda na era Confederação Brasileira de Basquete (CBB), e garante o bicampeonato brasileiro ao basquete masculino profissional de Bauru. No duelo decisivo, que valeu a virada na série melhor de cinco por 3 a 2 - o time saiu perdendo por 2 a 0 - o Dragão foi consistente do começo ao fim, venceu os quatro quartos e não deu chances para o time da Capital.

Na finalíssima, de mão em mão, um elenco experimentado foi materializando em quadra o que era sonho, pois o título do NBB se tornou obsessão do time bauruense, que já havia vencido tudo no retorno do projeto de basquete à cidade desde 2007: Campeonato Paulista, Liga das Américas e Liga Sul-Americana. Agora não falta mais nenhuma taça na galeria do Dragão. O título representa ainda uma redenção do Bauru Basket, que vinha de derrotas em duas finais do NBB consecutivas, ambas para o Flamengo. Desta vez, a bola "não bateu no aro" e a equipe e a sedenta torcida, enfim, podem festejar o topo do Brasil.

Aceituno Jr.
A capitão Alex ergue a cobiçada taça do NBB em meio à festa do Gocil/Bauru

O primeiro título do NBB vem como afirmação em uma temporada difícil para o Bauru Basket, que perdeu alguns patrocinadores e peças importantes do elenco, como o armador Ricardo Fischer, o ala Robert Day e os pivôs Rafael Hettsheimeir e Murilo. A equipe se reinventou, desenvolveu um "ferrolho" defensivo, sobressaindo na marcação e viu jogadores despontarem e crescerem de rendimento. Se Jefferson e Alex assumiram de vez a liderança do time, o vigor de Shilton, a categoria de Léo Meindl, a eficiência de Gegê, a experiência de Valtinho e a energia e qualidade de jovens, como Gabriel Jaú e Maicão, foram fundamentais para a conquista histórica.

VIBRAÇÃO E ENTREGA

A energia no ginásio, tomado por bauruenses e pelas cores do Gocil, prenunciava a tarde festiva. Houve vibração desde quando Shilton ganhou o "pula dois" na saída de bola. Na sequência, Jefferson, de três, deu o cartão de boas-vindas ao Paulistano. Hure empatou. Ambos times nervosos no início da partida e o Gocil sofrendo com os rebotes ofensivos do Paulistano. Léo Meindl, buscando as infiltrações, puxou a pontuação da equipe bauruense, ajudado por Gegê da linha dos três e o Dragão abriu 10 a 7 na metade da parcial. Na sequência, momento de Alex, que levantou a torcida com chute certeiro de três e enterrada espetacular. Eddy e Georginho mantinham o time da Capital no jogo, afiados da linha dos três. No último segundo Valtinho converteu de "jump" e Bauru venceu o primeiro quarto por 19 a 16.

Com marcação bem ajustada, que incomodava muito o Paulistano, o Gocil abriu sete pontos de vantagem no início da segunda parcial. No ataque, Shilton e Valtinho, que distribuía bem as jogadas e pontuava, lideravam o Dragão ofensivamente. Apesar dos bauruenses se manterem à frente durante todo o tempo, o Paulistano seguia firme no encalço. Pouco antes do intervalo, Eddy, de três, empatou em 31 pontos. Momento da artilharia pesada entrar em ação: Alex e Jefferson, calibrados do perímetro, anotaram seis pontos e "desafogaram" Bauru. Gegê ainda acrescentou mais três no estouro do cronômetro e os bauruenses foram para o intervalo vencendo por 44 a 37.

MENINOS E HOMENS

O Paulistano esboçou reação no início do terceiro quarto, liderado por Renato. Mas o Gocil manteve a regularidade e contou com a precisão de Alex e Jefferson novamente para não só segurar o ímpeto do time da Capital, mas também para ampliar o placar, 55 a 45. Alex seguiu sendo o diferencial, com infiltrações cirúrgicas, umas delas coroada com bela enterrada. Nos instantes finais, com defesa agressiva, veio o jogo de transição e as cestas de Léo Meindl, Valtinho e Shilton deixaram a vantagem em 14 pontos, 67 a 53, separando uma equipe com um elenco acostumado à pressão de finais e com ampla experiência do jovem e bom time do Paulistano e transformando Araraquara em também "Morada do Dragão".

O CAMPEÃO VOLTOU!

No quarto final, Bauru jogou como campeão. Embalado, ampliou com Alex, de três, logo de saída. O Dragão seguiu intenso. Abusando da experiência, gastou o tempo, administrou a vantagem, foi eficaz nas conclusões e seguiu focado até o término da partida. Abatido, o Paulistano se mostrou sem forças para reagir. A cada cesta, a torcida foi se soltando. A 5min27, após Léo Meindl pontuar, veio o grito guardado por 15 anos: "É campeão!". Já não restava dúvida, era questão de tempo para a festa que já ocorria nas arquibancadas ganhar a quadra. A bola terminou nas mãos do bauruense Gui Deodato. O NBB é do Bauru. "O campeão voltou!", decretou a torcida.

FORÇA COLETIVA

Sem estar entre os principais favoritos no começo do NBB, Gocil/Bauru cresceu nos playoffs e mostrou força do conjunto

Aceituno Jr
O bauruense Gui Deodato um dos recordistas de títulos pelo Bauru Basket

Ao contrário das últimas duas temporadas, quando o Bauru Basket era logo apontado como um dos favoritos ao título, desta vez o Dragão começou o Novo Basquete Brasil (NBB) 2016/17 com um time competitivo, mas sem o mesmo apelo de anos anteriores. Flamengo, Mogi e até Brasília eram citados como as equipes favoritas, porém Bauru cresceu de produção ao longo do torneio e soube virar as três últimas séries de playoffs.

Bateu o Brasília nas quartas (3 a 1) e, depois Pinheiros na semifinal e o Paulistano na final, ambos por 3 a 2, isso após estar perdendo por 2 a 0. Nas oitavas, passou por 3 a 0 pelo Macaé, somando 12 vitórias em 17 jogos de playoffs. Na fase regular, fez 18 vitórias em 28 jogos, encerrando o NBB portanto com 30 vitórias em 45 jogos (66,6% de aproveitamento).

Para o técnico Demétrius Ferracciú, o segredo das viradas nos playoffs foi a força mental do elenco. "É acreditar sempre. Nosso grupo sempre acreditou, mesmo nos momentos difíceis, e a gente não desistiu, lutou até o fim. É um título com sabor especial", definiu Demétrius, que conquistou seu primeiro título como treinador. Agora, ele tem sete campeonatos brasileiros, o primeiro no NBB, que se somam aos seis títulos da época de atleta (três por Franca - 1997/98/99, dois pelo Vasco da Gama - 2000/01, e um pelo Telemar - 2005).

"Cada obstáculo que a gente passou, a equipe foi se fortalecendo", resume o técnico. "A gente vinha em uma sequência de finais, mas não conseguiu fechar com chave de ouro. E sempre mantivemos o desafio de ganhar o NBB, e estamos conquistando isso agora", mencionou. Sobre a próxima temporada, o treinador prefere esperar para fazer projeções. "Agora é momento de comemorar, não vamos pensar em outras coisas por enquanto", frisou.

O NÚMERO!

Demétrius até brincou com a superstição ao falar da vitória. "Por onde eu passei, sempre joguei com a camisa 9, inclusive na seleção brasileira. E hoje (ontem) fomos campeões justamente do NBB 9", lembrou o treinador, referindo-se ao fato do atual formato do Nacional ter chegado em sua nona edição nesta temporada que se encerra.

Bauru encerra uma temporada em que começou desacreditado por parte da torcida, afinal havia perdido seu patrocinador máster logo após o vice-campeonato do NBB de 2016. Mas em setembro a Gocil foi confirmada como nova parceira da equipe, que perdeu atletas como Ricardo Fischer, Murilo Becker, Robert Day e Rafael Hettsheimeir - este com a temporada atual já em andamento - mas segurou outros nomes que foram fundamentais para o título, como Alex, Jefferson e Léo Meindl.

DECISIVOS

O pivô Shilton já tinha sido campeão do NBB no Flamengo, mas garante: em Bauru o gosto foi especial. "Aqui tive mais protagonismo e é uma equipe que se cobra, que luta todos os dias. Vale cada gosto de suor essa conquista", declarou o camisa 6, que virou ídolo da torcida do Dragão. O pivô anotou duplo-duplo ontem, com 16 pontos e 10 rebotes.

O ala Alex Garcia chegou ao seu sexto título brasileiro, pois já havia vencido no antigo Nacional da CBB com Ribeirão Preto e Brasília e no NBB foi tricampeão pelo clube do Distrito Federal. "O que garantiu o título foi a defesa. Em toda a série, a gente ganhou defendendo bem. E o NBB tem um sabor especial", declarou o Brabo, que fez 24 pontos na grande final.

Já o armador Gegê teve motivo para comemorar em dose dupla. Além de se tornar o primeiro pentacampeão consecutivo do NBB, o camisa 19 foi pai pela primeira vez neste sábado (17).

Wilian Oliveira/Futura Press/AE
Beto Fornazari, presidente do Bauru Basket, o capitão Alex e o empresário Washington Cinel, da Gocil, patrocinadora máster

Pé quente

O empresário Washington Cinel, da Gocil, mostrou ser "pé quente", pois na primeira temporada apoiando Bauru, ajudou o time a ser campeão brasileiro. "Era um título que a cidade esperava há muito tempo e, felizmente, deu tudo certo e o time saiu com esse troféu. É uma missão cumprida", declarou o 'General da Vitória'. A Gocil segue patrocinando o time até o fim do ano, e pode renovar. "Vamos discutir isso mais adiante", disse ao JC.

Da casa!

O ala Gui Deodato esteve presente em todas as conquistas do Bauru Basket desde a retomada do projeto, em 2007. "Cria da casa", pois é bauruense nato e formado na base, o jogador já tinha ganhado dois paulistas, a Liga Sul-Americana e a Liga das Américas com o Dragão. Em 2015, saiu para defender Rio Claro, mas antes do NBB a equipe rioclarense encerrou as atividades e tanto o "Batman" quanto o armador Gegê vieram de lá para reforçar Bauru.

"A gente bateu na trave duas vezes. Tive um ano difícil, o time que estava (Rio Claro) acabou, voltei para Bauru e agora estamos comemorando um título como esse. A equipe e a cidade merecem muito", declarou o jogador, que é um dos "xodós" da torcida, justamente pelo seu vínculo com a cidade. Outro bauruense no elenco é o ala Henrique Cerimelli, que não entrou em quadra na final, mas atuou em partidas ao longo da competição. Ele é filho do diretor Cássio Cerimelli, auxiliar técnico na conquista do Brasileiro de 2002.

Reprodução/TV
Gocil/Bauru Basket joga bem e fatura o título do NBB 2016/17