Bauru e grande região

Esportes

Renan Torres, judoca campeão no Pan-2019, é recepcionado em Bauru

Judoca relembra desafios da competição no Peru que rendeu medalha de ouro

por RAFAEL DE PAULA

14/08/2019 - 06h00

Fotos: Malavolta Jr.

Renan se emocionou ao ser recepcionado pelos colegas de equipe no Sesi

As centenas de pessoas que foram recepcionar, na tarde desta terça-feira (11), o judoca Renan Torres, medalhista de ouro no Pan-2019, causaram mais nervosismo no atleta do que quando ele saiu vitorioso na final contra o equatoriano Lenin Preciado, em Lima, no Peru. A vitória rendeu a Renan a medalha de ouro. Antes da recepção no ginásio do Sesi dos Altos da Cidade, o judoca recebeu abraços e carinho dos amigos já no aeroporto. Ele chegou às 17h45 e, logo no saguão, foi recepcionado com um abraço demorado e cheio de lágrimas da irmãzinha Valentina, dos pais e da namorada. Na sequência, Renan e os amigos seguiram em passeata por ruas de Bauru até chegar ao ginásio do Sesi.

"É uma emoção enorme, parece que não caiu a minha ficha. Ainda me pego pensando no que vivi no Peru, vejo os vídeos das minhas vitórias e me dá muita alegria. Ao ver todas essas crianças aqui, fico muito emocionado. Um dia estive desse lado também. Fui inspirado por muitos atletas e, hoje, ser uma inspiração para eles é algo que não tem preço", conta o atleta.

Conforme noticiou o JC, na vitória do judoca no dia 8, o jovem Renan, de 20 anos, teve um desempenho irrepreensível e conquistou o lugar mais alto do pódio na categoria até 60kg. Antes do embarque para Lima, ele falou ao JC sobre a expectativa para a competição, principalmente em enfrentar o "algoz" Preciado, que o derrotou em um Grand Prix. "Eu fui para ganhar. Queria representar bem o Brasil. Tive minha revanche com o equatoriano", revela Renan.

VITÓRIA

Outro nome que estava na lista do brasileiro era o estadunidense Adonis Diaz. Para Renan, Preciado, bicampeão pan-americano, e Diaz eram os atletas a serem batidos na briga pelo ouro. Na decisão, bateu justamente o equatoriano. "O gosto do ouro é diferente do que a gente está acostumado. É uma competição grande e eu quero sentir esse gosto mais vezes", revela.

CONCENTRAÇÃO

Para Renan, manter o foco na competição e no objetivo foi fundamental. "Eu estava muito focado nos dias de competição. Eu sabia que ia ser muito duro e consegui vencer os três atletas do pódio. Nesse dia, minha concentração foi muito grande", conta o judoca. Renan experimentou pela primeira vez a vivência em uma vila com atletas da categoria adulto. Mesmo essa novidade não tirou a concentração. "O convívio com outros atletas é importante. Eu estava do lado de pessoas muito importantes, mas eu procurei ficar focado dentro do meu quarto", diz.

Renan contou ainda sobre as horas que antecederam a luta contra Preciado. Para o atleta, o sentimento foi de um balanço de tudo que foi feito e treinado. "Eu tinha esse sentimento. Fiz tudo o que foi preciso para estar ali. E isso me fortaleceu muito", conta. Para conquistar o ouro, Renan estudou muito o equatoriano e viu a possibilidade de derrubar o adversário. "Antes da final, estudamos juntos, eu e a sensei Yuko Fujii (técnica da Seleção Brasileira masculina). Conversamos muito sobre estratégia. E deu certo", analisa o atleta.

FAMÍLIA

A emoção também acompanhava Gino e Larissa Torres, pais do judoca. A mãe viajou para Lima e acompanhou de perto a vitória do filho. "É uma mistura de sentimentos: orgulho, felicidade e realização. A gente sabe o quanto o Renan é merecedor dessa vitória e quanto ele se dedicou para chegar nesse ouro. Aqui em Bauru ele cresceu muito enquanto atleta e pessoa", diz Larissa. "Agora, a visibilidade do Renan aumenta. Isso servirá de combustível para ele alcançar as Olimpíadas. Mas do que um atleta, ele está se tornado um homem e tem a responsabilidade de ser um exemplo para outros atletas", diz o pai.

 

Sesi Bauru anuncia renovação de Renan Torres

Em meio às comemorações da chegada de Renan Torres na noite desta terça-feira (13), o Sesi Bauru confirmou a renovação do contrato do campeão do Pan-2019 e de Michael Marcelino. Ambos os judocas ficam até 2022. De acordo com o Sesi, a vontade de permanecerem no clube veio também dos atletas. "Quero construir minha carreira aqui", resume Renan. O atleta também falou sobre a importância de ter convivido com nomes de peso do esporte nacional durante a competição.

JC - Como foi a luta com o judoca equatoriano?

Renan - Foi uma luta de foco. Pensei em uma luta de cada vez para diminuir a pressão. Estudei muito o jeito dele de lutar. Tive uma boa revanche. Todas as lutas foram duras. Cheguei a Lima na minha melhor fase.

JC - Qual o gosto desse ouro?

Renan  - Quero sentir sempre esse gosto. É bom demais.

JC - Como fica daqui para frente?

Renan - Aumenta minha responsabilidade e meus objetivos, inclusive. Ainda sonho com a vaga olímpica (Tóquio-2020), mas tenho pela frente o Mundial júnior. A Olimpíada é a meta.

JC - O que vila pan-americana e o convívio com os atletas lhe ensinaram?

Renan - Logo quando chegamos, fomos para uma reunião com o COB (Comitê Olímpico Brasileiro). Na minha frente, estava o Thiago Braz, atual campeão olímpico do salto com vara. Do outro lado, a Rafaela Silva, judoca campeã olímpica e mundial, David Moura e Mayra Aguiar. Isso motiva a gente a ser igual. O que nós, novatos, estávamos sentindo era o mesmo que eles sentiam. Essa é a sensação boa do esporte. Essa experiência é para o resto da vida. Quero sentir isso nos Jogos Olímpicos.

JC - Você continua no Sesi Bauru?

Renan - Só quem vive aqui sabe como é. É o clube que me acolheu e é aqui que eu quero ficar. Todo mundo fala que eu preciso sair daqui um dia, que não vai dar... Hoje, o Sesi me dá tudo o que eu preciso. Quero construir minha carreira aqui.

Ler matéria completa