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Regildenia pendura o apito após 15 anos de carreira

Árbitra fez sua última partida no último sábado (5), pelo Paulista Sub-20, ao lado de seus sobrinhos

por FPF

08/11/2019 - 14h21

FPF

Regilnenia foi árbitra da FPF por 15 anos

Aos 45 anos, a árbitra Regildenia de Holanda Moura encerrou sua carreira. Foram 15 anos na Federação Paulista de Futebol, finalizados no último sábado (5), quando ela foi a árbitra principal do jogo entre Juventus e Santos válida pela terceira fase do Paulista Sub-20. Além de sua despedida, o jogo foi especial para Regildenia, já que ela teve seus sobrinhos Guilherme e Bruno Henrique como auxiliares e Gustavo, também sobrinho, como quarto árbitro.

Regildenia fala que Eraldo, seu irmão mais velho, foi importante para o surgimento da paixão por futebol e, mais determinante, pela arbitragem. “Essa paixão por futebol começou com meu irmão Eraldo, que é dois anos mais velho que eu. Como ele não brincava de boneca comigo, eu brincava de jogar bola, bolinha de gude e soltar pião com ele. E assim nasceu minha paixão pelo esporte. Em 1990, com 16 anos, eu vim para São Paulo. Ele, com 18 anos, foi jogar no time da vila e eu sempre ia vê-lo jogar bola. Depois, ele machucou o joelho, parou de jogar e foi ser árbitro de futebol em São Bernardo do Campo. Como sempre gostei de futebol, e depois passei a entender mais sobre arbitragem, acabava comentando e os amigos deles falavam que eu entendia e me incentivavam a fazer o curso. Em 2000, lá em São Bernardo mesmo, eu fiz o curso na associação de árbitros de São Bernardo, em 2003 fiz um curso em São Paulo, no Sindicato dos Árbitros do Estado de São Paulo e, em 2004, entrei na turma da Federação Paulista”, contou.

Em um momento em que a presença feminina no futebol só aumenta, a ex-árbitra se mostrou grata por servir de exemplo para outras jovens que também queiram seguir na profissão. “É gratificante saber que a nossa história serve de exemplo para muitas meninas. Sempre pensei que é muita responsabilidade ser referência. Eu sempre tive consciência desse papel e falo para os jovens árbitros que a gente tem que tomar cuidado com a nossa imagem, que tem que saber o que posta nas redes sociais. Nós somos os responsáveis pelo nosso nome, pela nossa imagem e pela nossa reputação. É muito bom, para mim, saber que sou referência para algumas meninas na arbitragem. Minha intenção era essa mesmo, servir de exemplo positivo, por isso que eu decidi parar. Sempre pensei que ia parar com 45 anos para servir de motivação para as meninas”, disse Regildenia.

Sobre a despedida, ela se emocionou ao falar da sensação de apitar sua última partida com a presença da família auxiliando. Ainda antes do término da partida, Regildenia passou o apito para o sobrinho Gustavo Holanda Souza. “A primeira sensação é de emoção, independente se fosse com meus sobrinhos ou não. É muita emoção saber que é o último, mesmo estando dentro da minha programação, foi o que eu quis, mas sempre fica aquele sentimento de saudosismo. Como é com os meus sobrinhos, é motivo de mais responsabilidade ainda, de mostrar para eles como devem seguir daqui para frente. Esse jogo, mais do que nunca, tem que ser perfeito, porque não quero encerrar a carreira com nenhuma mancha. Toda vez que eu estava escalada eu falava que era o jogo mais importante da minha vida, porque não importava os jogos que eu tinha feito antes, se naquele eu não fosse bem, todos o resto era resto”, falou.

Por fim, Regildenia diz que irá seguir no futebol, agora como instrutora de novas árbitras. “Meu objetivo sempre foi encerrar a carreira com 45 anos e seguir na linha da instrução e da observação, e estou seguindo o trilho que eu pensei. Viajo para o Equador para a Libertadores Feminina. Fui convocada pela Conmebol e já vou como instrutora de árbitras, orientando na sala de aula, no campo de jogo, com posicionamento e, depois do jogo, assistir e pontuar os pontos positivos e negativos, o que precisa ser melhorado. Depois, faz a entrevista com a equipe de arbitragem, mostrando esses pontos, passando para elas para que, no próximo jogo, elas procurem melhorar aquilo que está com deficiência. Estou muito feliz porque estou atingindo exatamente o que eu queria. Meu objetivo era parar aos 45 com escudo da FIFA, na qual eu fiz parte do quadro de 2009 até 2018. Encerro muito realizada, pelos momentos vividos, pelos amigos que fiz e ninguém vai me tirar isso”, finalizou.

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