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Após adiar Olimpíadas, COI precisa redefinir quase tudo

Entidade terá que rever e replanejar desde data até sistema de classificação e logística dos Jogos

24/03/2020 - 16h47

Denis Balibouse/Reuters

Thomas Bach, presidente do COI, deve anunciar nesta quarta (25) as medidas que entidade tomará para realização da competição em 2021

Até agora há poucas certezas sobre os desdobramentos do adiamento das Olimpíadas de Tóquio, anunciado nesta terça-feira (24) pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), após pressão de atletas e federações, que não viam possibilidade de o evento acontecer em meio à pandemia de coronavírus.

Quando acontecerão os Jogos em 2021? Haverá mudanças nos sistemas de classificação? Como ficará a logística para os 11 mil atletas esperados, de 206 países diferentes? As estruturas temporárias permanecerão na capital japonesa até o ano que vem?

Tudo isso deverá começar a ser respondido nos próximos dias, começando provavelmente pela entrevista do presidente Thomas Bach marcada para esta quarta (25), mas se estendendo por semanas e meses. Sobre a data, sabe-se que o evento está marcado para ocorrer até o verão (do hemisfério norte) de 2021.

Na segunda, quando o canadense Dick Pound, membro do comitê, adiantou que a decisão pelo adiamento já estava tomada, explicou que as negociações de direitos de transmissão, contratos de patrocínio e calendário eram os principais entraves.

No site dos Jogos de Tóquio-2020, estão listados mais de 70 patrocinadores do evento, que somam ao menos US$ 8 bilhões em contratos, sendo que 14 deles também são os parceiros oficiais do COI: Coca-Cola, Airbnb, Alibaba, Atos, Bridgestone, Dow, General Electric, Intel, Omega, Panasonic, Procter & Gamble, Samsung, Toyota e Visa.

O comitê indica que, do faturamento que obteve no último ciclo olímpico (2013 a 2016), aproximadamente 73% (US$ 4,2 bilhões) envolve contratos de direitos de transmissão e 18% (US$ 1 bilhão) são provenientes de seu programa de patrocínios.

Em 2014, a emissora dos Estados Unidos NBC fechou um contrato no valor de US$ 7,75 bilhões (hoje R$ 39,3 bi) para exibir as seis Olimpíadas de verão e de inverno de 2022 e 2032. Três anos antes, a rede havia desembolsado US$ 4,38 bilhões (R$ 22 bilhões na atual cotação) para os quatro Jogos realizados de 2014 a 2020 (agora 2021).

A televisão "é provavelmente a variável de maior peso no mundo comercial atual", já disse Terrence Burns, consultor que ajudou cinco cidades a conquistar a posição de sedes olímpicas, quando questionado sobre as melhores datas para os Jogos.

O evento acontece de julho a setembro não por acaso: é quando há um algum hiato nos principais esportes dos EUA e, portanto, as estrelas da NBA ficam livres para competir por seu país, por exemplo.

"É simplesmente a questão de não termos evento esportivos conflitantes", disse Thomas Bach, presidente do COI, em entrevista ao The New York Times.

Seja qual for a nova data, a logística para reagendar viagens e reorganizar a classificação dos atletas não deve ser simples.

Pouco antes do anúncio, quando ainda seguia a linha de que Tóquio-2020 não seria afetada pela pandemia, o COI afirmou que 57% dos atletas já estavam garantidos nos Jogos.

Agora, a entidade deve enfrentar outro dilema: todos os que já haviam garantido vaga a manterão para o ano que vem ou países e federações poderão mudar seus critérios no meio do caminho?

Há questões pontuais de algumas modalidades, por exemplo o futebol masculino. Para a Olimpíada são permitidos apenas jogadores de até 23 anos (com três exceções por país). Como fazer, então, com os que terão 24 na próxima temporada? A Fifa disse que estudará essa e outras medidas que possam afetar o torneio olímpico.

Grandes competições internacionais, como os Mundiais de esportes aquáticos e de atletismo de 2021, estão marcados para o meio do ano, no Japão e nos EUA, respectivamente, e devem mudar de data.

O COI é composto por 33 federações internacionais, cada uma com seu calendário de competições e logística própria.

Ainda não há uma política oficial de cancelamento de ingressos ou remarcações. A reportagem procurou a Match, revendedora para o Brasil, e aguarda um posicionamento. Empresas que comercializam pacotes de viagem, como a Century Travel e a Quickly Travel, também não se manifestaram sobre o tema até a publicação deste texto.

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