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Justiça penhora receitas do Allianz por dívida com empresa

Power Brasil, empresa representada por um escritório de advocacia de Bauru, prestou serviço de locação de geradores no estádio

15/04/2020 - 21h02

Divulgação

Geradores foram contratados em novembro de 2014 e no período, Allianz recebeu jogos Palmeiras pelo Brasileirão e shows de Paul McCartney.

A juíza Carolina de Figueiredo Dorlhiac Nogueira, da 38ª Vara Cível de São Paulo, determinou o bloqueio de créditos que a WTorre tenha para receber do Palmeiras para saldar uma dívida de quase R$ 1,6 milhão com a empresa Power Brasil, empresa que foi representada judicialmente por um escritório de advocacia de Bauru, Maia Sociedade de Advogados, e que há cinco anos prestou serviço de locação de geradores para o Allianz Parque e afirma não ter recebido. A ação tramita desde 2015 no Tribunal de Justiça de São Paulo, e o Palmeiras não havia sido notificado.

Além do clube, a juíza também mandou oficiar a Allianz Seguradora, detentora do naming rights do estádio, além das empresas que comercializam ingressos e outra que administra o serviço de estacionamento durante os jogos e eventos no local. "Para que não paguem à Real Arenas, depositando em conta judicial", afirmou Nogueira.

A Real Arenas Empreendimentos Imobiliários S/A é o braço do grupo WTorre responsável pela construção do Allianz, inaugurado no final de 2014. A parceria entre o clube e a construtora viabilizou as obras da arena multiuso. Em contrapartida, a WTorre terá, por 30 anos, direitos de explorar o estádio economicamente.

Em abril de 2019, a juíza Carolina determinou o bloqueio das contas da Real Arenas e encontrou um saldo disponível de R$ 18.473,89. A dívida, na ocasião, era de R$ 1.428.348,20. Em novembro daquele mesmo ano, a juíza decidiu pela penhora dos direitos da Real Arenas. O grupo pediu efeito suspensivo afirmando que a determinação o deixaria em "situação de morte financeira".

A WTorre fica com as receitas de naming rights, camarotes e eventos, como shows. Ela precisa repassar uma parcela do valor obtido para o Palmeiras -5% do naming rights e dos camarotes e 20% do obtido em shows e similares-, que por sua vez fica com a arrecadação da bilheteria, mas paga os custos de utilização do estádio. A desembargadora Cristina Zucchi acatou o pedido de efeito suspensivo em dezembro de 2019.

Após o efeito suspensivo, a juíza Carolina resolveu então bloquear os créditos da empresa com o Palmeiras após a Power Brasil recusar audiência de conciliação e acordos propostos pela WTorre. A construtora ofereceu R$ 500 mil em camarotes no Allianz Parque e pagamento de parcelas: três de R$ 50 mil entre dezembro e fevereiro e 12 parcelas de R$ 70.833,33 a partir de março do ano que vem. Procurados pela reportagem, Palmeiras e WTorre não quiseram se manifestar.

Para Henrique Somadossi Prado, advogado da Power, as propostas de acordo foram absurdas. "Estamos negociando há muito tempo e a esperança com essa decisão é que tenham créditos a serem penhorados", disse Prado.

Os geradores foram contratados pelo período de 13 a 26 de novembro de 2014, por R$ 389.600,00. Depois, a locação foi prorrogada até 7 de dezembro do mesmo ano e com valor fixado em R$ 170 mil. Nesse período, o Allianz recebeu os duelos do Palmeiras contra o Sport e o Athletico pelo Campeonato Brasileiro e duas apresentações de Paul McCartney.

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