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Venda coletiva de direitos de TV equilibra ganhos no futebol da Europa

28/06/2020 - 05h00

Medida Provisória assinada pelo presidente Jair Bolsonaro na semana passada, agradou a clubes do Brasileirão, que veem nela a possibilidade de aumentar a arrecadação com os direitos de transmissão de seus jogos. Segundo o texto, o time mandante do jogo passa a ter o direito de negociar a sua exibição individualmente.

Especialistas contestam o otimismo. Para eles, negociações individuais tendem a ampliar a desigualdade entre times de menor e maior porte. Na Europa, esse abismo foi em parte contornado com a criação de ligas para negociar de forma coletiva, mas há dúvidas se o futebol brasileiro, tradicionalmente desunido, será capaz de juntar esforços.

"Eles dizem que é o 1º passo para a formação da liga. Na verdade, é apenas para alguns clubes ganharem mais dinheiro. Se cada um vende individualmente, vai ter fragmentação. Quantos pacotes o torcedor vai ter de comprar para ter todos os jogos do seu time? É insano", analisa o economista e consultor de gestão do esporte Cesar Grafietti.

Um estudo publicado pela Uefa no ano passado definiu o Campeonato Português, de negociações individuais, como o de maior disparidade na divisão do dinheiro. Os três clubes mais ricos (Benfica, Porto e Sporting) ganham 1.500% a mais que os outros. A média na Europa é de 240% entre o topo e a base.

Os Nacionais que mais arrecadam negociam coletivamente. Mesmo na Inglaterra e na Alemanha, onde os clubes têm o direito de fechar contratos individuais, os acordos são conduzidos pela Premier League e Bundesliga. Itália, Espanha e França seguem o padrão.

Na Espanha até o início deste século, para cada euro recebido pelo lanterna, o campeão embolsava dez. Atualmente, com negociação coletiva, para cada euro do lanterna o primeiro teve direito a 3,5. 

Na elite, 50% são repartidos em partes iguais, 25% de acordo com os resultados nos cinco anos anteriores e 25% pela capacidade de o clube vender ingressos, ter sócios e "agregar valor aos direitos audiovisuais".

Na Inglaterra, 50% é dividido em partes iguais, 25% de acordo com a classificação anterior e outros 25% segundo o número de partidas transmitidas.

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