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Sucesso de Matheus Davó deixa sua avó, Helena, famosa

por Estadão Conteúdo

22/11/2020 - 05h00

Reprodução redes sociais

Matheus e sua avó Helena: apoio nos treinos e na carreira

O atacante Matheus Davó traz no nome uma homenagem à pessoa que o levava para os treinos no início da carreira. Como os pais estavam sempre trabalhando, Helena Alvarenga, sua avó, levava o menino à escolinha de futebol Clube do Magrão, em Pirituba, e também à escola normal. Por isso, o menino virou o "Matheus da Avó". Pegou. Hoje, o sucesso do atacante no Corinthians deixou a avó ainda mais famosa. Em todo canto, ela é a "avó do Matheus, do Corinthians, ou a "avó do Davó". A reportagem se espantou quando viu a dona de casa de 83 anos subindo uma ladeira comprida, que desanima só de olhar, em Pirituba, zona oeste de São Paulo. "Ela gosta de bater perna", entrega a filha mais velha, Elietti, que mora com ela.

Há 55 anos, a senhora de cabelos curtos e grisalhos mora na mesma casa com portão preto. Na varanda, perto da churrasqueira, dona Helena se senta em uma cadeira de balanço de vime, mas fica apenas na pontinha, sem apoiar as costas. "O segredo dos 83 anos? Acho que é por que eu morava na roça. A alimentação natural ajuda um pouco, né?", diz, alisando a camisa florida.

Aos 14 anos, ela se mudou para São Paulo com a família. Trabalhou em uma fábrica de tecidos e foi cozinheira por 25 anos no Hospital Psiquiátrico Philippe Pinel, no mesmo bairro.

Ela está lúcida, entende tudo direitinho, mas fala pouco. Respostas curtas, só o essencial. Elietti vai dando uma mãozinha e a conversa flui. As lembranças parecem embaralhadas, mas acabam se juntando. O avô materno faleceu aos 63 anos quando Davó era criança. Ele não viu a ascensão do neto. "É uma emoção muito grande ter um neto como jogador. Para mim, ele não mudou. Continua o mesmo Matheus", diz a vovó.

Contratado em janeiro pelo Corinthians, o jovem de 21 anos teve poucas oportunidades com o técnico Tiago Nunes e o interino Dyego Coelho. Contra o Grêmio, neste domingo, o atacante engata apenas seu quinto jogo consecutivo como titular. Com dois gols no Brasileirão, o menino de Pirituba é uma aposta do técnico Vagner Mancini.

Ele realiza um sonho de vários parentes que bateram na trave como jogadores. Inclusive o avô paterno, o corintiano fanático Marino, também falecido. Uma das tristezas do menino foi não ter ido ao enterro - ele estava jogando em Joinville (SC). "Somos uma família em que vários tentaram a profissão de jogador, mas não chegaram até onde o Matheus está. Meu primo ainda usou essa frase: 'somo todos um pouco Matheus'", diz Liliane Alvarenga, a mãe de Davó.

Liliane é uma figura importante nessa história. Muito se fala da avó, mas e os pais do atleta? Aos 47 anos, Liliane é vendedora em um correspondente bancário do banco BMG há dez anos. O pai do jogador, ex-marido de Liliane, também trabalha com vendas. Por causa da rotina puxada de bater as metas, eles não conseguiam ir aos treinos e jogos. "A minha mãe é uma guerreira, mulher forte, trabalhadora e doce. Que bom que essas coisas estão acontecendo com ela. Ela merece muito", diz a vendedora. Uma curiosidade: dentro de casa, o jogador não é chamado de Davó. É apenas Theus. Após quase uma hora de idas e vindas na memória, dona Helena oferece um cafezinho já se levantando da cadeira de balanço. Ela diz que cozinha pouco agora. Quem faz tudo são os filhos. Raramente ela faz o macarrão com muçarela que o Matheus gostava tanto. Hoje, ele sempre aparece para vê-la. "Foi a vida inteira cuidando das pessoas", resume, sorrindo com o canto dos lábios e balançando a cabeça em sinal de aprovação.

 

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