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Tricampeão

Gabriel Medina conquista terceiro título da Liga Mundial após ano de polêmicas

15/09/2021 - 05h00

WSL/Divulgação

Medina entrou em seleto grupo de tricampões, atrás apenas Kelly Slater, que soma 11 títulos, e Mark Richards, pentacampeão

Gabriel Medina passou o ano envolvido em tantas controvérsias que chegou a ficar em segundo plano seu excepcional desempenho no mar. Nesta terça-feira (14), ele voltou a colocar seu surfe em evidência, venceu a Liga Mundial pela terceira vez e incluiu seu nome entre os grandes campeões da modalidade na história.

O paulista de 27 anos conquistou o título de 2021 com um triunfo sobre o compatriota Filipe Toledo, em Lower Trestles, na Califórnia, Estados Unidos. Vencedor também em 2014 e 2018, Medina entrou em um restrito grupo de tricampeões, que tem lendas como de lendas como seu ídolo Mick Fanning (Austrália), Andy Irons e Tom Curren (ambos dos Estados Unidos). e ficou atrás apenas do lendário estadunidense Kelly Slater, que soma 11 títulos, e do australiano Mark Richards, pentacampeão.

Há tempo para o brasileiro buscar Richards e, quem sabe, tentar se aproximar de Slater. Por ora, Medina só quer saborear o desfecho glorioso de uma temporada complicada. Houve algumas decepções, dentro e fora da água, até que ele pudesse levantar um troféu que reafirma e amplia sua importância no esporte.

O campeonato foi o primeiro que o atleta de São Sebastião disputou longe de Charles Saldanha, o padrasto que sempre chamou de pai. O casamento com a modelo Yasmin Brunet não foi bem recebido pela família do surfista e o então bicampeão resolveu trocar a presença constante de Charles pelos conselhos do renomado treinador australiano Andy King.

Como se viu nos resultados apresentados na WSL (a sigla, em inglês, da Liga Mundial de Surfe), não houve prejuízo técnico. Medina foi acumulando finais e construindo uma vantagem enorme na liderança do circuito, mas suas notas elevadas perderam espaço no noticiário para sua briga com o COB (Comitê Olímpico Brasileiro).

Por restrições ligadas à pandemia do novo coronavírus, ficou acertado que cada surfista só poderia levar uma pessoa aos Jogos Olímpicos de Tóquio. Gabriel bateu o pé na tentativa de que Yasmin fosse sua acompanhante, porém teve de viajar sem a mulher após uma negociação desgastante em que acabou derrotado.

No Japão, o brasileiro conseguiu ótimas ondas e avançou às semifinais do primeiro torneio olímpico do surfe na história, mas foi derrotado pelo japonês Kanoa Igarashi em polêmica decisão dos árbitros. Na disputa pelo bronze, perdeu de novo. E, enquanto Ítalo Ferreira comemorava o ouro, Medina e, especialmente, Yasmin esbravejam por discordar das notas aplicadas.

Terminados os Jogos, nova controvérsia. Medina anunciou que não competiria na etapa do Taiti do Mundial porque não tinha se vacinado contra a Covid-19, o que impedia sua viagem. Criticado pela escolha de não se imunizar, o brasileiro acabou não perdendo evento porque ele não foi realizado: como outros na temporada, foi cancelado por razões ligadas à pandemia do novo coronavírus.

"Foi um ano difícil, com muitas restrições, muitos bloqueios. Mas, pô, a WSL fez um trabalho superbom de manter todos seguros, cumprindo as regras. Então, fico feliz de a gente poder estar trabalhando com o que a gente trabalha. Não foi fácil para ninguém, no mundo inteiro", disse Medina.

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