Bauru

Esportes

Dilema em audiência

Futuro do Alfredão foi tema de uma reunião pública e explicitou desencontro de informações sobre o motivo da interdição do local

16/10/2021 - 05h00

Pedro Romualdo/Câmara Municipal

Audiência pública sobre o estádio do Noroeste, com a presença de diretores e da torcida

A Câmara Municipal de Bauru promoveu, nesta sexta-feira (15), uma audiência pública para debater acerca do domínio da área do Esporte Clube Noroeste para o município e seus reflexos perante a sociedade de Bauru. A discussão foi realizada em sistema híbrido, de forma presencial no plenário "Benedito Moreira Pinto" e em ambiente virtual, como já vinha sendo feito. O encontro foi uma iniciativa da vereadora Estela Almagro (PT). 

Uma nova reunião foi agendada para segunda-feira (18), às 11h, na sede da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda com o secretário da pasta, Charlles Rodrigo, e empresários bauruenses. Em forma de protesto, torcedores lotaram as cadeiras do plenário com camisetas vermelhas.

A audiência contou ainda com a presença, por videoconferência, do secretário de Planejamento, Nilson Ghirardello; do secretário de Negócios Jurídicos, Gustavo Bugalho; do secretário de Esportes e Lazer, Flávio Ismael da Silva Oliveira; e do secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda, Charlles Rodrigo.

Participaram do encontro no plenário da Casa de Leis, o presidente do Esporte Clube Noroeste, Leandro Palma (Lelê); o ex-presidente e atual diretor de patrimônio da torcida, José Roberto Pavanello; o presidente do Conselho Deliberativo do Noroeste, José Antônio Rodrigues (Toninho Rodrigues); os representantes da Torcida Organizada Sangue Rubro e membros da sociedade civil.

Convocada para o encontro, a prefeita Suéllen Rosim (Patriota) não compareceu e justificou a ausência via ofício. Estela comentou que já esperava tal resposta e que as justificativas de não comparecimento da prefeita são feitas de forma automática e repetitivas.

DISCUSSÃO

No início de sua exposição, Estela Almagro classificou a decisão da Secretaria de Planejamento (Seplan), na figura do secretário Nilson Ghirardello, de interditar o estádio do Noroeste na semana passada como abrupta e inesperada, causando consternação na Casa de Leis por ser uma "surpresa desagradável".

Ela ainda criticou o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto na véspera pela Prefeitura junto ao Ministério Público para que o clube faça os ajustes no estádio no prazo de 120 dias.

Caso o documento seja assinado pelas partes, está previsto que haja a liberação do estádio para treinos e atividades administrativas. Já a realização de jogos no local só poderá ser retomada se o clube realizar as reformas necessárias solicitadas pelo Corpo de Bombeiros.

A vereadora criticou a falta de debate com as autoridades da cidade antes da tomada de decisão que, segundo ela, afeta todos os setores da sociedade.

Em sua fala, o presidente do Noroeste, Leandro Palma, lamentou o não comparecimento da prefeita ao encontro e classificou o clube como o "patinho feio" do esporte bauruense aos olhos de entidades públicas.

Também expressou sua surpresa com a solicitação de reformas durante a pandemia sem o público nos estádios. Pelos motivos expostos, Leandro afirmou que há uma perseguição contra o clube, já que segundo ele, outros imóveis da cidade não possuem Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) e, mesmo assim, funcionam normalmente. "Eu fico muito triste com toda essa situação, porque o Noroeste nunca se furtou de nada", declarou Leandro.

O diretor de patrimônio da torcida, José Roberto Pavanello, agradeceu o apoio dos torcedores para doações e garantiu que na segunda-feira as obras no estádio vão começar.

O secretário de Planejamento, Nilson Ghirardello, começou sua fala dizendo que é filho de ferroviários, logo o Noroeste também faz parte de sua história, classificando o estádio como "exemplo de arquitetura esportiva brasileira".

Ele ainda relembrou que o processo não é novo e que corre na Justiça desde 2019, não sendo a interdição um fato surpreendente como descrito por Estela, já que o clube se mostrou "inerte". Estela respondeu dizendo que quem é inerte é a prefeitura.

Ghirardello explicou que a motivação partiu do Ministério Público por conta da tragédia causada pelo incêndio ocorrido em 2019 no Centro de Treinamento (CT) do Flamengo e havia a preocupação de que algo semelhante pudesse acontecer no alojamento do Noroeste. "Ninguém interdita por prazer de interditar. Fazemos isso porque temos a nossa responsabilidade e devemos cumpri-la". Estela replicou que não fazia sentido usar essa tragédia para justificar a interdição.

Eduardo Borgo (PSL) questionou quais adequações faltam para que o AVCB seja concedido. O presidente do clube esclareceu que são corrimões, parapeitos e adequações na cabine da imprensa.

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