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Estádio do Pacaembu terá hotel com 50 quartos onde ficava o tobogã

A depender da reserva, o hóspede conseguirá assistir a jogos e shows pela janela

por FolhaPress

30/11/2021 - 17h05

Divulgação

Projeto de reforma do Pacaembu, elaborado pela Allegra Pacaembu, que assumiu a gestão do estádio municipal por 35 anos em janeiro de 2020

Um hotel com 50 quartos será uma das atrações do complexo de nove andares que a ser erguido no lugar do tobogã no Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, o Pacaembu.

A novidade no projeto foi anunciada nesta terça-feira (30) durante uma entrevista com jornalistas no estádio que contou com a presença do prefeito Ricardo Nunes (MDB) e de Eduardo Barella, empresário que, com a concessionária Allegra, gere o Pacaembu.

A Concessionária Allegra Pacaembu fechou um acordo com a UMusic Hotels. O hotel deve ocupar dois andares do bloco central do novo complexo de 40 mil m², além de parte dos blocos leste e oeste. A depender da localização do quarto reservado, o hóspede conseguirá assistir a jogos e shows pela janela.

O hotel também deve ter uma piscina privativa.

A Allegra assumiu a gestão do equipamento municipal por 35 anos em janeiro de 2020 e prevê investir até R$ 400 milhões até o fim de 2023. A ideia, explica Barella, é que a concessionária seja responsável pela estruturação do complexo, e a UMusic, pelo "recheio".

A UMusic fará a gestão de outros equipamentos do empreendimento, como espaços criativos, ativações de alimentos e bebidas inspirados no patrimônio cultural de São Paulo --a empresa também estuda a construção de um estúdio de gravação.

Barella calcula que a UMusic deva investir cerca de R$ 100 milhões para o hotel, mas ainda não há previsão de quanto deverá custar uma estadia por lá.

"Não acho que seja nem um hotel de luxo, nem de entrada", explica Barella, que diz que o público-alvo será bem amplo. "Entendemos que a nova geração não quer consumir um carro, mas uma experiência, e o Pacaembu tem uma história que impulsiona essa experiência. Devemos receber o público da música, do esporte, das artes."

O espaço em que será erguido o novo complexo era ocupado pelo tobogã, arquibancada que tomou o lugar da concha acústica que fazia parte do projeto original e setor onde ficavam os ingressos mais baratos.

Para Barella, o uso desse espaço para a construção do complexo, que vai reunir também galeria de arte, estúdio de música, hotel e centro para eventos, não é elitista. "Pelo contrário, estamos democratizando. O Pacaembu antes era focado somente no futebol. Estamos ampliando esse uso também para a cultura e para a arte", diz.

Em 2020, a concessionária afirmou que estudava colocar arquibancadas móveis em dias de grandes jogos para ampliar a capacidade de público do Pacaembu. Barella diz que a ideia não foi descartada mesmo com o novo hotel. "Se não tiver lotação, posso montar lá e jogar o cara que está no hotel no camarote. Não estou engessado para isso."

Ao todo, o complexo terá nove andares, cinco deles acima do solo e quatro abaixo. Um deles funcionará como passarela que ligará as ruas Desembargador Paulo Passaláqua e Itápolis, com livre circulação de pedestres, buscando cumprir o propósito de integrar mais o complexo ao bairro.

Outros andares receberão lojas, espaços de coworking, restaurantes, escritórios e locais para eventos. Em parceria com o BBL, um grupo de entretenimento com foco em jogos virtuais, a nova gestão dará destaque aos eSports, com a criação de uma arena de Battle Royale, quando mais de cem jogadores poderão competir simultaneamente.

O equipamento também sediará feira de artes e de design e terá uma galeria de arte.

A demolição do tobogã foi necessária à implantação do projeto da Allegra Pacaembu.

Em janeiro de 2021, porém, a Justiça de São Paulo impediu a demolição --a decisão era uma liminar e se tratava de um pedido da associação Viva Pacaembu, que argumentou que a arquibancada, construída em 1970, é parte do conjunto do estádio, tombado em âmbito municipal e estadual.

Em março, porém, a juíza Maria Gabriella Pavlópoulos Spaolonzi, da 13ª Vara da Fazenda Pública Central da Capital, reconsiderou a decisão e avaliou que o Condephaat, que registrou o tombamento do Complexo do Pacaembu, não faz qualquer ressalva à estrutura do tobogã.

No final de junho, a estrutura começou a ser demolida de forma manual para não danificar o resto do estádio.

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CRONOLOGIA DO ESTÁDIO

27.abr.1940 - Inauguração do estádio, projeto do escritório de Ramos de Azevedo

1958 - Passa a se chamar Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, em homenagem ao chefe da delegação do Brasil na Copa do Mundo daquele ano, em que o país saiu vencedor

1969 - A concha acústica que servia para eventos é demolida para dar lugar, no ano seguinte, ao tobogã

​1988 - O estádio é tombado pelo Conpresp

1994 - Gestão de Paulo Maluf tenta viabilizar privatização do estádio

1998 - O Condephaat decide também tombar o Pacaembu

1999 - O então prefeito Celso Pitta inclui o estádio numa lista de bens a privatizar

2015 - Gestão Fernando Haddad abre edital para conceder o estádio; duas empresas encaminharam propostas, que ficaram paradas nos órgãos de patrimônio

2017 - Então prefeito, João Doria anuncia novo plano para a concessão, que é aprovado pela Câmara; ao longo do processo, Conpresp e Condephaat estabelecem parâmetros para as modificações futuras

15.ago.2018 - TCM suspende edital para a concessão, liberando-o de novo em fevereiro seguinte

8.fev. 2019 - Consórcio Patrimônio SP, formado pela empresa de engenharia Progen e pelo fundo de investimentos Savona, vence concorrência para gerir estádio por 35 anos, mas resultado é suspenso -- juíza disse que vencedor não cumpria parte do edital

13.abr.2019 - Prefeitura declara consórcio vencedor habilitado e retoma a concessão

16.set.2019 - Bruno Covas assina concessão do estádio ao vencedor do edital, o consórcio Patrimônio SP -- que originaria a concessionária Allegra Pacaembu

12.jul.2019 - São divulgados os desenhos do escritório Raddar, de Sol Camacho, para o novo Pacaembu

29.jul.2020 - Justiça nega suspensão da concessão, pleiteada desde 2019 pela Associação Viva Pacaembu e Ministério Público de SP, com base no fato de que Eduardo Barella, dono da Progen, tivera cargo em conselho da SPTrans entre 2017 e 2018, o que contrariaria o edital

25.ago.2020 - Requerimento de alvará para as obras no estádio, assinado pelo arquiteto Rafael Carneiro Bastos de Carvalho, é protocolado na prefeitura

7.jan.2021 - Justiça de SP barra demolição do tobogã do estádio do Pacaembu

1.mar.2021 - Juíza Maria Gabriella Pavlópoulos Spaolonzi reconsidera decisão anterior que proibia a demolição do tobogã

29.jun.2021 - Início da demolição do tobogã do Pacaembu​

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