Bauru e grande região

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Bauru registra dia mais frio em 11 anos

Temperatura de 4,2 graus foi registrada às 6h25 de ontem; segundo meteorologistas, tempo hoje ainda deve ser frio

por Vitor Oshiro

29/06/2011 - 03h00

Ontem, por mais que os bauruenses tirassem seus casacos, gorros e luvas dos armários, a sensação foi de muito frio. Quem não precisou sair cedo de casa também teve que se encolher em meio às cobertas. Por volta das 6h25 da manhã, os termômetros do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) marcaram 4,2 graus, a temperatura mais baixa nos últimos 11 anos em Bauru. A previsão é de que o frio, que provocou geada na cidade, continue, porém, de forma mais amena nos próximos dias.

De acordo com dados do instituto, somente no ano 2000 houve temperatura menor que a registrada ontem. O fato ocorreu em julho daquele ano, quando os termômetros marcaram 1,7 graus.

Em 2001 e 2004, a temperatura também chegou na casa dos 4 graus em Bauru. Em ambos os anos, a mínima registrada ocorreu em junho e foi de 4,5 graus.

Segundo o meteorologista do IPMet e presidente da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMet), João Carlos Figueiredo, o frio forte registrado ontem foi causado por uma massa de ar frio que atingiu a região. Ele explica que a intensidade foi ocasionada pela trajetória atípica dessa massa de ar.

"Geralmente, as massas de ar vêm, atingem Estados ao sul como Santa Catarina e Rio Grande do Sul, e são direcionadas para o oceano. Essa, que causou tal frio intenso, fez uma trajetória diferente. Ela não foi em direção ao oceano, mas sim pelo continente", explica.

Figueiredo diz que o fenômeno é considerado raro e que geralmente as massas de ar frio chegam na região de Bauru, marcada pelo clima tropical, com baixa intensidade. "No dia anterior (anteontem), também era para ter sido registrada uma temperatura muito baixa, porém, havia bastante nebulosidade. Essas nuvens seguraram o calor e impediram que a segunda-feira tivesse uma temperatura tão baixa".

Apesar de não haver previsões apontando a probabilidade do fenômeno atípico voltar a ocorrer, Figueiredo acredita, baseado em sua experiência, "que ele veio para marcar o inverno e que, dificilmente, ocorra um frio tão intenso novamente este ano".


Previsão


Para hoje, a previsão é de que o clima continue frio, entretanto, com temperaturas mais "leves" do que as registradas ontem. "A mínima prevista ficará por volta de 6 a 7 graus. Já a máxima será de aproximadamente 22. Ainda será um dia bastante frio pela manhã e que será amenizado até o final da tarde", relata o meteorologista.

Entretanto, a partir de amanhã, a temperatura começa a apresentar média mais regular e amena. José Carlos Figueiredo relata que "de quinta a domingo não haverá temperaturas muito baixas nas manhãs. A amplitude térmica, que é a diferença entre as mínimas e máximas registradas, ficará em torno de 7 graus".

De acordo com o meteorologista, durante esses dias as temperaturas variam entre 15 e 22 graus, o que trará a sensação de um clima ameno aos bauruenses.

"Há probabilidade de que chova em alguns desses dias. Essa chuva pode contribuir para deixar o clima um pouco mais frio. Porém, a temperatura será mantida ao longo do dia. Não haverá muitas diferenças entre as temperaturas da manhã e as da tarde", completa o especialista José Carlos Figueiredo.

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Sensação térmica


De acordo com o meteorologista José Carlos Figueiredo, o frio sentido pelos bauruenses ontem somente não foi pior pela pouca presença dos ventos. A velocidade máxima registrada foi de 19,8 quilômetros por hora, por volta das 11h50.

"Se os ventos fossem mais fortes, o frio sentido seria muito mais intenso. É a chamada sensação térmica", explica o meteorologista. O vento atua dependendo da sua força. De acordo com a velocidade, o corpo perde calor e a sensação de frio é maior. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) calcula que, a cada vez que os ventos chegam a 7km/h, a temperatura no corpo das pessoas diminui um grau.

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Frio e geada serão sentidos no bolso


Não é somente na pele do bauruense que o frio registrado ontem será sentido. As baixíssimas temperaturas provocaram geadas que, ao "queimar" o solo, poderão surtir efeito no bolso dos consumidores nos próximos dias.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Bauru, Maurício Lima Verde, a geada trouxe entre 20% e 25% de prejuízo para o hortifrutigranjeiro da região. "Não é um prejuízo muito grande. Porém, o que ocorre agora é a chamada ?expectativa do prejuízo?. Como há muita especulação, dentro de um ou dois dias o consumidor verá um aumento nos preços".

O presidente do sindicato explica que somente irá conseguir medir a proporção da elevação nos preços em alguns dias, exatamente quando se tiver a noção exata do prejuízo.

De acordo com Lima Verde, o prejuízo maior ocorre em produtos que apresentam folhas, como alface, rúcula, couve, entre outros. "Mas foi também um prejuízo relativamente pequeno. A maioria das plantações hoje em dia não é ao ar livre. Por isso, não são tão afetadas pelas geadas", explica ele, afirmando ainda que as pastagens também foram afetadas com o frio.

Maurício Lima Verde conclui que a geada já era esperada e, mesmo não havendo mais previsões de frio tão intenso quanto o registrado ontem em Bauru, acredita que haverá geadas mais rigorosas ainda este ano.

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Animais à procura de calor representam perigo


Na manhã de ontem, um animal diferente intrigou e assustou moradores do Jardim Prudência, em Bauru. Com aparência de capivara, mas com uma longa cauda, o animal conhecido como ratão do banhado (Myocastor coypus) mobilizou até Polícia Militar (PM) e Corpo de Bombeiros.

Provavelmente à procura de umidade, o animal, típico do sul de São Paulo e Rio Grande do Sul e raro por aqui, saiu da mata e correu para as casas do bairro. Ele ficou em frente a uma residência na quadra 3 da rua Sargento Manoel Rodrigues Rocha, onde foi capturado por autoridades.

Segundo a Polícia Ambiental, o animal foi conduzido ao Zoológico Municipal de Bauru, onde seria submetido a testes para ver se poderá ser devolvido ao meio ambiente.

Entretanto, o caso serve de alerta, pois animais que se deslocam por conta do clima representam um perigo para as pessoas. "O asfalto concentra calor, que vai se dissipando devagar. Por isso, é comum animais irem até a rodovia para se aquecer. Nesse tempo frio, os motoristas precisam manter atenção redobrada", explica o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito.

Ele informa que o problema mais recorrente é com gado e cavalos. "Todas as rodovias estão sujeitas a esse risco. Porém, há partes da Bauru-Piratininga e da Bauru-Marília que merecem destaque. O ideal seria a conscientização dos proprietários para não deixar os animais soltos."