Bauru e grande região

Geral

?Código? de convivência é exemplo

Por educação ou necessidade diária, motoristas da Capital, em determinadas circunstâncias, adotam a cordialidade

18/11/2012 - 03h00

 

Independentemente à sinalização, radares ou fiscalização, as transgressões relacionadas à falta de cordialidade em Bauru são cometidas em grau superior até mesmo a centros de maior circulação de veículos. 

 

Em São Paulo, por exemplo, mesmo em meio a todo o caos e saturação viária da metrópole, há pelo menos uma vantagem: cortesia à intenção alheia. 

 

Se o motorista está prestes a trocar de faixa numa via expressa do porte da Marginal Tietê, por exemplo, e,  com a seta, sinaliza conversão de faixas,  o condutor atrás, na maioria das vezes, segura a velocidade e permite a manobra sem “burocracias”. 

 

O comportamento é atestado tanto por moradores de Bauru que frequentemente viajam à metrópole e de “ex-bauruenses” que vivem na capital do Estado. 

 

Contudo, esse “código” paulistano, não seria uma demonstração espontânea de “boa vizinhança” entre colegas de asfalto. 

 

A cortesia em questão nada mais é do que respeito à própria legislação de trânsito, lembra o engenheiro Archimedes Azevedo Raia Júnior, doutor em Engenharia de Transportes e professor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). 

 

Na realidade, diferencia, o comportamento na metrópole é reflexo das dificuldades impostas por um trânsito muito carregado.

 

É uma regra de sobrevivência que, aponta o especialista, não significa, necessariamente, respeito. “Nesse caso, em São Paulo, há uma convivência harmoniosa pelas dificuldades existentes no trânsito da metrópole. Já no interior, pela existência ainda de mais espaço, o motorista acha que á rua é toda ‘sua’”, compara. 

 

Para o engenheiro, o “exemplo” paulistano é resultado, entretanto, de muitos anos de caos, com consequente e obrigatório aprendizado. “São condutores mais treinados e adaptados a uma situação diferente”, define. 

 

Há um ano e meio na capital, a jornalista “ex-bauruense” Fernanda Iarossi elenca as diferenças que observou entre a convivência dos motoristas paulistanos e no interior. 

 

Ela também acredita que a cortesia, em São Paulo, é mais fruto da necessidade individual dos motoristas – tanto de segurança quanto para a melhor fluência do tráfego -- do que respeito ou cordialidade, especificamente. 

 

“O povo aqui dá a seta, sinaliza bem melhor do que em Bauru”, compara. “Por outro lado, o trânsito de São Paulo exige muito mais pulso. Como as ruas e avenidas são muito lotadas, é preciso mais cuidado e essa é a grande diferença. Acho que é uma questão de necessidade mesmo”, considera. 

 

 

Vítimas do trânsito serão lembradas nas igrejas em Bauru e na Internet

 

Com o objetivo de conscientizar a população, o Observatório Nacional de Segurança Viária tem incentivado mobilizações em todo o país para o Dia Mundial em Memória das Vítimas de Trânsito, que ocorre no terceiro domingo do mês de novembro (este ano, no dia de hoje).

 

Em Bauru, a campanha é organizada pela ST Corretora de Seguros, que assumiu como responsabilidade social buscar a redução da mortalidade em acidentes de trânsito. Para a primeira celebração da data na cidade, serão distribuídos 15 mil folhetos nas Igrejas Católicas, Presbiterianas Independentes e Luterana, onde as comunidades poderão rezar pelas vítimas de trânsito e seus familiares, além de refletir sobre a prevenção de acidentes nas missas e nos cultos dos dias 17 e 18 de novembro. Também foi criada uma Fan Page no Facebook (Trânsito seguro em Bauru), com imagens, conteúdos e dados que convidam à reflexão sobre o que cada um pode fazer por um trânsito mais seguro.

 

Em 2012, Bauru soma já 23 vítimas fatais no trânsito, número 21% maior do que em todo ano passado. De janeiro a novembro deste ano foram registradas 23 mortes no trânsito, enquanto em 2011 foram 19. Dos 23 acidentes, 10 envolveram motocicletas.

 

De acordo com Ildebrando T. S. Gozzo, diretor da corretora, essa primeira iniciativa quer envolver a população, reunir grupos ligados à questão do trânsito e chamar a atenção das autoridades. “Queremos a adesão da prefeitura municipal para o protocolo da Década de Redução de Acidentes promovida pela ONU e iniciar a movimentação para campanhas e eventos maiores visando a redução de acidentes”, explica. Mais Informações: www.onsv.org.br

 

 

‘Contar até dez’ faz a diferença

 

Se você não consegue controlar suas reações no trânsito é melhor repensar atitudes atrás do volante. No momento em que estiver prestes a explodir, procure policiar as próprias ações. Essa mudança de atitude evita acidentes e outros problemas ainda maiores que um congestionamento ou fechada. 

 

A orientação é do engenheiro de trânsito Archimedes Azevedo Raia Júnior. Ele próprio admite o exercício constante da paciência para, desta forma, ter uma postura mais solidária nas idas e vindas diárias. 

 

“É preciso ficar atento a essas situações. Muitas vezes é automático”, acentua.