Bauru e grande região

Geral

Experiência ao volante é importante

Especialista em gestão e direito de trânsito aponta despreparo de novos motoristas como risco à segurança no trânsito

por Wagner Teodoro

17/11/2013 - 05h00

Nove entre dez adolescentes não vê a hora de completar 18 anos para, finalmente, poder tirar sua habilitação e dirigir. Sinônimo de liberdade, ter um carro ou moto nas mãos é também um símbolo forte da independência e do ritual de passagem para a vida de adulto. Porém, se a tão sonhada Carteira Nacional de Habilitação (CNH) é o objeto de desejo e cobiça, o mesmo empenho e vontade de aprender de fato a dirigir não é observado, segundo o mestre em ciências políticas de segurança e ordem pública e especialista em gestão e direito de trânsito, coronel Augusto Francisco Cação.

O especialista ressalta que o grande objetivo é poder dirigir e não saber guiar. Todos querem tirar a carta de motorista, mas o despreparo, depois, nas ruas pode ser facilmente constatado. “Isso já uma cultura que tinha que ser mudada. Se você pergunta para qualquer adolescente o que vai fazer quando completar 18 anos, ele responde ‘tirar a carta’. Mas não é tirar a carta, tirar a carta é muito simples, ele precisa aprender a dirigir. Dirigir com segurança, respeitando as normas, a legislação, principalmente para não se envolver em acidentes. O principal é mudar esta cultura de tirar carta”, aponta Cação.

Uma vez com um veículo nas mãos, a reponsabilidade pela própria vida e pela segurança alheia acaba, muitas vezes, minimizada pela euforia de, enfim, estar no controle de uma máquina de velocidade e liberdade. Caso “o poder” de conduzir um veículo não venha acompanhado da noção do conceito de educação no trânsito, o perigo torna-se real. “Você coloca em risco todo mundo que faz parte do conceito de trânsito: os pedestres, os outros motoristas e até animais que circulam nas rodovias e ruas. Você tem que ter cautela e é uma preocupação muito grande não só de quem está aprendendo a dirigir como também dos pais. Não é só tirar a carta, mas aprender a dirigir com segurança”, pontua o especialista.

O conceito de direção defensiva, importante para prevenir ou minimizar acidentes de trânsito, também é insuficiente entre os novos motoristas na opinião de Cação. “Realmente a conscientização é muito pequena. A noção que você tem de direção defensiva nas auto-escolas, na minha opinião, é muito pouco. Ela é deficiente e precisa ser melhorada. Isso é facilmente verificado com o número de acidentes, principalmente de motociclistas”, aponta. Mas a falta de educação no trânsito e a ausência dos conceitos de direção defensiva não são exclusivas de novos condutores, mesmo motoristas experientes pecam neste sentido, pondera o especialista.

Cação explica que fatores econômicos influenciam o aumento da frota de motocicletas e com condutores inexperientes os riscos sobre duas rodas são maiores, o que as estatísticas confirmam. “Normalmente, quando a pessoa tira a carta, ela não tem condições de comprar um veículo grande e compra uma moto, que é um veículo de menor valor. E ela não tem aquela experiência para conduzir uma moto. Mesmo a pessoa sendo habilitada para conduzir moto, exige um pouco mais de prática, conhecimento e perícia para não se envolver em acidente”, observa.

Paciência e respeito

Para Cação, existem dois princípios que se forem seguidos por condutores, experientes ou não, garantem maior segurança e tranquilidade no trânsito: o respeito à sinalização e a paciência. Juntos, formam a desejável educação no trânsito, algo raro de se ver em ruas onde pedestres, carros, motos e bicicletas disputam espaço nem sempre de maneira cordial. “Na maioria das vezes, essa proximidade entre os envolvidos é considerada uma ameaça ou obstáculo, ocorrendo conflitos, infrações e até mesmo acidentes. Os principais motivos para um trânsito seguro é você respeitar a sinalização. Respeitando a sinalização, você já está participando do trânsito de forma educada, não para na faixa de pedestres, não excede a velocidade, não para em uma vaga de deficiente. Tem que ter a conscientização de respeitar a sinalização e ter paciência. Com estes dois requisitos, mesmo os motoristas que não têm aquela experiência vão se sair muito bem: respeitar a sinalização e ter paciência”, reitera Cação.


Bom senso evita situações adversas

A experiência só vem com a prática e, portanto, dirigir é preciso para se tornar um motorista com rodagem. Porém, é preciso bom senso no início da vida como condutor e evitar situações extremas ou adversas até ter mais desenvoltura e confiança no comando do veículo. É o que orienta o mestre em ciências políticas de segurança e ordem pública e especialista em gestão e direito de trânsito, coronel Augusto Francisco Cação. Assim, dirigir à noite, sob chuva ou neblina ou acabar de tirar a carteira de habilitação e pegar a estrada é algo não aconselhável.

“À noite, com chuva, principalmente moto, o condutor com pouca experiência é melhor evitar. Deixa para sair no dia seguinte, com tempo seco, sol, quando tem visibilidade maior, quando vai ser visto melhor. Isso contribui muito para a diminuição do número de acidentes”, sugere Cação.

A estrada, segundo o especialista, requer experiência que as aulas antes do exame de habilitação na cidade não trazem. “Precisa de prática. É melhor começar com alguém já habilitado junto para dar uma orientação. Até para a continuação do aprendizado”, orienta.

Cação admite, porém, que na prática esta situação é muito rara. “Isso é muito difícil de acontecer. A pessoa está com a habilitação e a primeira coisa que pensa é sair na estrada. E isso é um risco muito grande, porque na estrada você tem o motorista profissional, o amador e o amador que não tem conhecimento, não tem prática, a noção do perigo e o aperfeiçoamento para conduzir em uma rodovia. E é onde acontecem os acidentes”, constata.


Tráfego intenso nem sempre é mais perigoso

Você acabou de tirar sua carteira de habilitação e tem de enfrentar o trânsito pesado das avenidas e principais ruas nos horários de “rush”. O que pode ser um pesadelo e prenúncio de problemas pode não ser o único risco para motoristas iniciantes, segundo o mestre em ciências políticas de segurança e ordem pública e especialista em gestão e direito de trânsito, coronel Augusto Francisco Cação. As ruas tranquilas também oferecem risco, já que podem ser um convite a pisar mais fundo no acelerador e aproveitar a pista que se oferece para ter mais emoção.

“Tem os opostos. Se tiver pouca gente, também complica porque o cidadão que acabou de tirar a carta pode ser estimulado a aumentar a velocidade, já que não tem ninguém. Se tiver muita gente, também complica, já que ele tem que ter atenção redobrada. Então, uma rua com pouco ou muito movimento é perigosa para quem não tem prática, para quem está no início de sua vida como motorista”, alerta Cação.