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Entrevista da semana: Elisa Carreno Paglerani

Artista plástica Elisa Carreno Paglerani fala de sua vida em Nova York e lembra dos tempos de Unesp por aqui

por João Pedro Feza

04/05/2014 - 05h00

Divulgação

Elisa Carreno Paglerani, ao lado de sua pintura Dreamed Yesterday

Ela chegou lá. E se tinha o sonho de ir para Nova York, a “grande maçã”, agora resta plantar (ou melhor, pintar) novas conquistas. Que, aliás, parecem frutificar no tempo certo.  “Nos próximos cinco meses fico envolvida com projetos em Nova York, mas estou me organizando para voltar a expor no Brasil”, diz Elisa Carreno Paglerani, 26 anos. 

Formada em educação artística pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru em 2011, ela já fez duas exposições individuais em NY  e quer organizar uma mostra também em Bauru. “É prioridade”. E acrescenta: “Foram anos, em Bauru, de muito aprendizado e amadurecimento. De contato e descoberta de técnicas e expressões artísticas essenciais para que eu me tornasse a artista que sou hoje”.

Jornal da Cidade - Você já tinha aptidão para desenho e artes gráficas na infância ou adolescência? Como foi essa descoberta?

Elisa Carreno Paglerani - Nunca fui uma dessas crianças que gostam de desenhar. Quando pequena, ficava encantada com o tridimensionalismo das coisas, com cores e texturas chamativas. Gostava muito de criar, então eu fazia aquela “bagunça” com massinha, cola, glitter e tudo o mais que podia experimentar. Apesar de já gostar de artes, nunca tinha pensado que levaria isso a um nível profissional até a oitava série. Foi quando, pela primeira vez, tive contato com arte conceitual e estudei mais a fundo a História das Artes. Acabei me apaixonando. Desde então, decidi que queria trabalhar com isso.

JC - A infância é uma de suas inspirações maiores. Por quê?

Elisa - A infância me inspira muito porque sempre gostei do universo infantil e sempre soube lidar com crianças. Já fui professora de artes para crianças de várias idades e essa experiência me levou a criar a série de pintura “Playday”, que foi baseada em conversas interessantes que tive com crianças e adultos sobre a sua infância - fase extremamente curiosa, em que tudo é novo e fascinante e é o momento em que ainda estamos livres de certas barreiras.

Vejo a criança como um ser humano menos “moldado e lapidado” por regras e com mais liberdade para imaginar.  Ela vê o mundo de uma forma diferente do adulto e expressa as próprias opiniões com espontaneidade, o que me intriga até hoje.

JC - Como define o seu estilo?

Elisa - Minha arte é abstrata. Adoro trabalhar com contrastes: figuras geométricas ao lado de figuras orgânicas, ou camadas grossas de texturas ao lado de uma superfície lisa e limpa. Ao mesmo tempo, gosto da mistura de materiais e cores, de experimentar combinações.

JC - Que tipo de técnica você usa com mais frequência?

Elisa - Na maioria das vezes, uso tinta acrílica e nanquim, mas também gosto de experimentar outros tipos de materiais, como esmalte de unha, caneta, lápis e tinta de tecido.

Procuro explorar diferentes texturas, desde pinceladas delicadinhas até uma pintura mais “grosseira” feita com minhas próprias mãos. Além disso, gosto de colagem, de fazer camadas de papéis e adesivos para depois cobri-las com tinta, criando uma textura curiosa.

JC - Que artistas são suas inspirações?

Elisa - Gosto de muitos artistas, porém, os que me vêm em mente são: Mark Rothko, Matisse (em especial, suas colagens), Janaina Tschäpe (esposa do famoso brasileiro Vick Muniz), Olitski Jules, Leda Catunda e Adriana Varejão.

JC - Como é a história de Bauru em sua vida?

Elisa - Eu tinha vontade de morar em uma cidade do Interior, por ter nascido em São Paulo e ter sido criada como uma típica criança de “cidade grande”: não podia brincar na rua, tudo era longe e precisava encarar o trânsito até para ir à escola. Depois de adulta, minha rotina era trânsito-trabalho-trânsito-casa. Por isso, queria ter a experiência de viver em uma cidade que fosse menor e que oferecesse uma qualidade de vida maior.

Quando surgiu a oportunidade de estudar em Bauru, eu não pensei duas vezes. A cidade me recebeu de portas abertas, conheci pessoas incríveis e aprendi muito. Foi uma experiência maravilhosa, tive uma vida menos estressante e o privilégio de ver aquele céu lindo e azul todos os dias. Sinto falta do céu de Bauru, tão diferente do céu de São Paulo e daquele que vejo aqui em Nova York…

JC - Que lembranças mais marcantes guarda de Bauru? 

Elisa - Bauru me traz inúmeras lembranças felizes e inesquecíveis! Lá (Em Bauru), tive a oportunidade de conhecer e conviver com pessoas de variados gostos e valores, de frequentar eventos acadêmicos e culturais e de entrar em contato com muita coisa diferente daquilo com a qual estava acostumada em São Paulo. Foram anos de muito aprendizado e amadurecimento, de contato e descoberta de técnicas e expressões artísticas que foram essenciais para que eu me tornasse a artista que sou hoje. Por isso, tenho um carinho especial pela cidade e pela universidade (Unesp).

JC - Pensa em expor por aqui também?

Elisa - Com certeza! Durante os próximos cinco meses, estarei envolvida em diversos projetos em Nova York, mas estou me organizando para voltar a expor no Brasil ainda este ano. Bauru é uma das minhas prioridades, pois foi onde minha carreira artística começou.

JC - Quantas exposições já fez, coletivas ou individuais?

Elisa - É difícil dizer o número exato de exposições que já fiz, pois sempre exponho meus trabalhos quando surge uma oportunidade interessante. Porém, posso dizer que as exposições mais importantes foram as duas individuais que fiz em Nova York. A “Playday”, exposição que fiz no Cidadão Global  Brazilian Community Center (em fevereiro). E a exposição “Energy”, realizada em 2013, no Spanish American Institute, na região da Time Square.


Perfil

Nome: Elisa Carreno Paglerani

Idade: 26 anos

Local de Nascimento: São Paulo 

Signo: Áries

Estado civil: Solteira 

Filhos: Não tenho

Hobby: Não consigo pensar em outra coisa a não ser pintar

Livro de cabeceira: “7 Dias No Mundo da Arte”, de Sarah Thornton

Filme preferido: São vários, depende do momento em que estou... Agora, por exemplo, tenho acompanhado filmes do diretor Ki-duk Kim

Estilo musical predileto: Escuto um pouco de tudo, sou bem eclética

Para quem dá nota 10: Às pessoas que sorriem, dizem “oi” e “bom dia” aos desconhecidos na rua

Para quem dá nota 0: Aos que não toleram o diferente

Site: www.elisacarreno.com