Bauru e grande região

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Febre chikungunya chega ao País e põe Bauru em alerta

Alto índice de larvas do Aedes aegypti pode favorecer disseminação da nova doença na cidade

por Tisa Moraes

29/07/2014 - 07h00

Malavolta Jr.

Jansen de Araújo: “Probabilidade de disseminação é grande”

Com alto índice de infestação de larvas do Aedes aegypti, Bauru está em alerta para a febre chikungunya, doença transmitida pelo mosquito e que teve os primeiros casos registrados no País. Depois de fazer vítimas nos últimos anos pela África e Ásia, o vírus CHIKV foi identificado em ilhas do Caribe e na Guiana Francesa, regiões onde 20 brasileiros foram infectados.

Até o momento, portanto, todos os casos são importados e não há conhecimento de que o vírus esteja circulando em território nacional. “Todos os pacientes ficaram isolados até receberem alta, para reduzir as chances de serem picados novamente e contaminarem mosquitos no Brasil. Mas a probabilidade de o vírus se disseminar é grande”, comenta o biólogo e virologista Jansen de Araújo, pesquisador de vírus emergentes da Universidade de São Paulo (USP) e professor do curso de pós-graduação em microbiologia das Faculdades Integradas de Bauru (FIB).

Apesar de ser menos letal do que a dengue, a febre chikungunya – ou chicungunha – traz algumas preocupações Uma delas é que a doença pode ser transmitida por outro mosquito, além do Aedes aegypti: o Aedes albopictus. “Em ambos, o tempo entre a contaminação e a efetiva capacidade de transmissão do vírus é muito mais rápido que o da dengue”, acrescenta.

Suscetível

Outro agravante é que, por ser inédita no País, toda a população está suscetível a ela. E, por ter uma sintomatologia parecida com a da dengue e ser desconhecida, pode acabar nem mesmo sendo notificada, o que pode prejudicar o controle do problema.

Araújo relata que a dengue e a febre chikungunya pertencem a grupos virais diferentes, mas ambas são caracterizadas por febre alta e repentina, dor de cabeça e muscular, erupções na pele, vômitos e diarreia. Mas o sintoma clássico da febre chikungunya são as dores intensas nas articulações, para as quais os médicos devem estar atentos.

“Outra diferença entre as duas é que a dengue possui quatro sorotipos, o que possibilita que cada pessoa fique doente quatro vezes, com aumento de chances de desenvolver dengue hemorrágica a cada nova infecção. Já a febre chikungunya possui apenas um sorotipo conhecido e, por isso, felizmente, é menos letal”, descreve o pesquisador.

Até fisioterapia

O diagnóstico da doença é feito por meio de exame de sangue específico, já disponível no Brasil, para detectar a presença de anticorpos do vírus CHIKV. O tratamento é feito por meio de administração de analgésicos e antitérmicos para aliviar os sintomas, além de hidratação constante. Pode ocorrer de a articular persistir por meses e, nestes casos, há necessidade de introduzir medicamentos anti-inflamatórios e até mesmo  fisioterapia.


Infestação

Um dos levantamentos mais recentes sobre infestação de dengue em Bauru mostrou um dado preocupante. Mesmo com todas as campanhas, a quantidade de larvas encontradas é grande.

Entre janeiro e fevereiro de 2014, a Avaliação de Densidade Larvária (ADL), concluída com dados de pesquisa em 12 regiões da cidade, detectou que o índice de infestação era de 3,8. Em outubro do ano passado, o Levantamento Rápido de Infestação por Aedes Aegypti (Liraa) havia apontado nível de 2,1. Isso significa que tinham sido encontradas larvas do mosquito em 2,1 imóveis de cada 100 pesquisados. O índice já era considerado de alerta, já que o preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é menor do que 1.

No ano passado, a cidade registrou recorde histórico de epidemia de dengue, com 7.441 pessoas infectadas e duas mortes. Em 2014, já são 364 casos da doença, sem

nenhum óbito.


Origem

A febre chikungunya teve seu vírus isolado pela primeira vez na década de 1950, na Tanzânia. Ela recebeu esse nome porque chikungunya significa “aquele que se dobra” no dialeto makonde da Tanzânia. Apesar de pouco letal, a doença é extremamente limitante. O paciente sente dificuldades para se locomover, já que as articulações ficam inflamadas e doloridas - daí o “andar curvado”


Prevenção

Como o mosquito transmissor da febre chikungunya é o Aedes aegypti, as ações de prevenção são as mesmas a serem adotadas em relação à dengue. A recomendação é evitar vasos de plantas com pratos de plásticos; manter ralos internos e externos tampados, bem como vasos  sanitários; manter as piscinas limpas, tampadas ou desmontadas; descartar material inservível com potencial para se transformar em criadouro de larvas do Aedes aegypti, tais como garrafas, latas, embalagens vazias e pneus; e manter a limpeza das calhas.