Bauru e grande região

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Você descarta seus medicamentos sem uso corretamente?

População não dá a destinação devida aos remédios e podem colocar ambiente em risco

por Tisa Moraes

15/09/2014 - 07h00

Não é no lixo comum que medicamentos vencidos ou sem uso devem ser descartados. Mas, por total desconhecimento, a maior parte da população ainda não dá a destinação devida a estes produtos, que, se dispensados de maneira incorreta, podem contaminar o solo e a água e colocar em risco o meio ambiente.

 

Em Bauru, os principais pontos de recolha são os postos de saúde e unidades de pronto atendimento. Mas, a cada mês, somente cinco quilos de medicamentos e embalagens são arrecadados.

 

Outro montante é recolhido por algumas redes de farmácias que já se adequaram à Política Nacional de Resíduos Sólidos, embora ainda não haja punição específica caso se recusem a receber este material. Apesar de os números não serem precisos, o volume parece ínfimo diante da enorme quantidade de remédios que a população consome.

 

Para se ter uma ideia, somente a Farmácia de Alto Custo do Estado distribui, em Bauru, cerca de 750 mil caixas de medicamentos por mês. Coordenadora da Casa da Sopa da Vila Dutra, Rose Lopes começou a receber doações de medicamentos no início do ano e, até há poucos dias, não sabia o que fazer com os produtos vencidos.

 

“Na dúvida, preferi guardar todo o material até descobrir que deveria levar em um posto de saúde para descartá-los de modo seguro”, comenta Rose, explicando que os remédios dentro do prazo são destinados a um asilo. 

 

Maria Benedita Esgotti, diretora da seccional de Bauru do Conselho Regional  de Farmácia (CRF), explica que o maior problema reside, de fato, no descarte dos medicamentos de uso domiciliar, já que, no município, não há uma normatização oficial que determine como deve ser o procedimento. Atualmente, a regra informal que vigora é a entrega dos remédios e embalagens nas unidades de saúde, que são recolhidos pela Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). 

 

Em sacos plásticos próprios, os medicamentos são encaminhados a empresas especializadas em descarte de lixo hospitalar, que incineram o material de forma segura, sem oferecer risco à população. “Em alguns casos, há necessidade de autoclavar (esterilizar) os medicamentos, para depois incinerá-los. Há, portanto, todo um procedimento a seguir. Nada de jogar remédio no lixo comum, na pia ou no vaso sanitário”, ensina Maria.

 

De acordo com ela, clínicas, hospitais, laboratórios e farmácias são obrigados a contratar empresas especializadas para dar a destinação correta aos medicamentos vencidos e o cumprimento da regra é alvo de fiscalização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Mas ainda não há obrigatoriedade de receber medicamentos dos clientes.

 

Desde 2010, a Lei 2.305, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, prevê que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de um determinado produto que possa causar danos ao meio ambiente ou à saúde humana, como mwedicamentos, devem criar um sistema de recolhimento e destinação final independente dos sistemas públicos de limpeza urbana. Neste setor, contudo, as negociações ainda estão em andamento.

 

Sem reaproveitamento

 

Maria Benedita Esgotti alerta que remédios, mesmo que estejam dentro do prazo de validade, não devem ser reaproveitados. Como, quase sempre, a forma como foram armazenados dentro de casa é desconhecida, ela considera arriscado repassá-los para outros pacientes. “Não é algo viável, porque a eficácia terapêutica do medicamento pode ficar comprometida, dependendo das condições de umidade e calor a que foram submetidos”, completa.

 

Caixa e bula

 

Ainda segundo a especialista, somente os medicamentos e as chamadas embalagens primárias - que têm contato direto com os remédios, como cartelas de comprimidos, agulhas e tubos de pomadas - precisam ser descartados em local específico. Caixas de papel e bulas devem ser destinadas à coleta seletiva para reaproveitamento do papel.

 

Farmacêutico na Praça

 

O Conselho Regional de Farmácia (CRF) de Bauru, a Secretaria Municipal de Saúde e a Farmácia Hospitalar do Centrinho realizam, no próximo dia 20, mais uma edição do projeto “Farmacêutico na Praça”. Desta vez, a iniciativa será desenvolvida no Boulevard Shopping Nações, onde haverá coleta de sobras de remédios de uso domiciliar, conscientização da população sobre o tema, aferição de pressão arterial e teste de glicemia e orientações na área de saúde.

 

Na última vez em que o projeto foi realizado, em abril, dez quilos de medicamentos foram recolhidos em apenas cinco horas, na Praça Rui Barbosa. “Percebemos que, aos poucos, as pessoas estão se conscientizando”, pontua Maria Benedita Esgotti, diretora da seccional de Bauru do CRF.

Sem normas

A assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Bauru informou que a cidade não possui uma normatização oficial quanto ao descarte de medicamentos de uso domiciliar. Por enquanto, eles podem ser entregues em qualquer unidade básica de saúde ou em farmácias que recebam este material. Mesmo que estejam dentro do prazo de validade, os remédios serão devidamente descartados. A Anvisa também não possui regulamentação quanto às pessoas que possuem medicamentos em casa, vencidos ou não, e queiram descartá-los. O órgão orienta a população a ler as orientações dos rótulos.

Coletor

Uma das drogarias que mantêm o programa de recebimento de medicamentos vencidos é a farmácia da Unimed Bauru, que cumpre a legislação de logística reserva da Política Nacional de Resíduos Sólidos. O serviço de coleta de remédios foi implantado em janeiro de 2012. Segundo informou a Unimed, uma empresa especializada é contratada para fazer o descarte do material.