Bauru e grande região

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"Geração canguru" segue aumentando

Segundo análise feita pelo IBGE, índice de filhos com até 34 anos que ainda moram com os pais cresceu, no Brasil, cerca de 3% em nove anos

por Mariana Gasparini

18/12/2014 - 07h00

Roupa lavada, despensa sempre cheia, proteção e segurança financeira. Quem nunca levou estes itens em consideração quando foi decidir se sairia ou não da “aba” dos pais? Por tudo isso, há cada vez mais pessoas que seguem vivendo na casa dos seus genitores. Segundo dados da Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados ontem, a parcela de filhos na faixa de 25 a 34 anos que continuam morando na casa dos pais no Brasil aumentou de 21,2% em 2004 para 24,5% em 2013. 

 

Ainda segundo alguns resultados da pesquisa, a região Sudeste é onde se concentra a maior parte da ‘geração canguru’ (como é conhecida esta parcela de pessoas entre 25 e 34 anos que moram com os pais), com 26,8% em 2013.

 

Em Bauru e região, tal realidade não é diferente. Por questões financeiras ou emocionais, muitos jovens acabam preferindo a casa dos pais a morar sozinho. 

 

Apego

 

A técnica em enfermagem Melise Cunha, de 25 anos, está entre as pessoas que ainda vivem com os pais. Natural de Avaí (39 quilômetros de Bauru), Melise morou por um ano sozinha para estudar, mas logo retornou ao conforto da casa de seus pais. 

 

“Eu cheguei a morar em Bauru por causa da faculdade, mas não me adaptei. Tinha que fazer tudo sozinha e não consegui me estabilizar financeiramente. Não achei justo com meus pais e voltei”, revela Melise.

 

Segundo ela, a saudade também foi determinante. “É claro que existem vantagens em morar sozinho, como a liberdade, mas eu sou muito apegada aos meus pais e sentia falta da presença deles. Como eles também sentiam a minha, acharam bom quando voltei”. 

 

Só quando casar

 

O jornalista Vinícius dos Santos, de Botucatu (100 quilômetros de Bauru) tem 27 anos e afirma: “Sair da casa dos meus pais, só quando eu casar. Sou solteiro e não tenho pretensões de morar sozinho”. 

 

Apesar da idade, Vinícius não tem vergonha em dizer que prefere dividir o lar com os seus pais. “Eu já tive oportunidade de morar fora quando passei na faculdade, mas comecei a trabalhar com meu pai e resolvi ficar”, fala. “Hoje, eu só saio se tiver uma proposta de trabalho muito melhor da realidade que tenho, mas gosto do jeito que está”, diz.

 

Se existe algum tipo de “pressão” por parte de seus pais para que ele saia de casa, Vinícius conta que nenhuma. “Meus pais são bem flexíveis e até preferem que eu fique em casa. Às vezes me cobro e tento ajudar financeiramente de alguma forma, mas eles não ligam para isso. Só querem me ver bem”, explica o jornalista.

 

Mais...

 

Além dos dados sobre a ‘geração canguru’, a pesquisa do IBGE também revelou que a proporção de pessoas morando sozinhas aumentou de 10% do total de domicílios em 2004 para 13,5% em 2013. Ao mesmo tempo, as famílias (ou seja, com mais de uma pessoa com grau de parentesco) passaram a representar 86,2% dos domicílios em 2013, ante 89,7% em 2004.

 

Do total de famílias, os casais sem filhos cresceram de 14,6% para 19,4% no período (leia mais na página 24), enquanto aqueles com filhos passaram de 50,9% para 43,9%. As mulheres solteiras com filhos também diminuíram de 18,4% do total de domicílios para 16,5%.