Bauru e grande região

Geral

3ª Marcha pede o fim da violência contra mulheres

Ato organizado pela primeira vez no Canadá protesta contra a culpabilização de vítimas

por Marcele Tonelli

06/02/2015 - 07h00

Éder Azevedo/Arquivo

Maria Bueno Camargo: exigência de punição aos agressores

A cada dois minutos, cinco mulheres são vítimas de violência no país, e a cada 12 segundos uma é estuprada. O Brasil está em 7º lugar no ranking de violência contra mulheres. Fundamentado nesta realidade, um grupo de feministas reuniu várias entidades do município e organizou para o próximo sábado (7), a partir das 10h, a terceira edição bauruense da chamada Marcha das Vadias.


O ato terá como ponto de concentração a Câmara Municipal e percorrerá as avenidas Rodrigues Alves e Nações Unidas até o parque Vitória Régia. Antes do início da marcha, com saída prevista para as 12h, haverá uma oficina de cartazes no local.


Durante o trajeto, os participantes prometem um “pit stop” na praça do Líbano, que fica na confluência das avenidas para encenações culturais e panfletagem da campanha contra a violência. Expectativa é que a marcha reúna 300 pessoas.


Mote


Membro do Comitê de Combate ao Machismo de Bauru, grupo formado por aproximadamente 20 mulheres e que se originou da segunda edição da marcha na cidade em 2014, Maria Bueno Camargo conta que a proposta tem como mote os temas “A culpa não é da vítima”, “Exigimos a punição dos agressores”, “Exigimos a ampliação e aplicação da Lei Maria da Penha” e “Basta à violência contra a mulher”.


“Defendemos o combate a toda forma de violência e abuso sexual contra a mulher. Além de pedir a descriminalização do aborto e pregar a diversidade sexual. Meu gênero, minha orientação sexual, meu corpo, minha cor, minha idade, minhas roupas, meu comportamento... Nada justifica a violência”.


Cobrança


O machismo e a desigualdade profissionais entre homens e mulheres também serão alvos da marcha, que promete ainda cobrar da Prefeitura de Bauru a implantação de mais de abrigos para mulheres vitimizadas.


“O número de vítimas da violência vem crescendo, mas os casos são subnotificados. Ainda há medo. E, quando elas registram boletins de ocorrência acabam não representando contra os agressores por medo e porque a lei não dá o amparo necessário”.


Os temas foram alvos de debates e palestras em eventos culturais realizados pelos organizadores da marcha ao longo da semana.


A marcha é realização do Comitê de Combate ao Machismo de Bauru com o grupo Juntos, Coletivo feminista Unesp Bauru, Frente feminina de hip hop de Bauru, PSTU e Sindicato dos Bancários de Bauru/CSP Conlutas


Como tudo começou?


A primeira Marcha das Vadias ocorreu em Toronto, no Canadá, em 2011, e foi organizada por estudantes da universidade local, a partir da declaração de um policial que afirmou, em palestra, que o fato de as mulheres se vestirem como “vadias” poderia estimular o estupro. Durante a marcha, os participantes costumam usar não só roupas cotidianas, mas também peças consideradas provocantes, como blusinhas transparentes, lingerie, saias.

Absurdos


Três em cada quatro mulheres jovens já foram assediadas ou agredidas por companheiros no Brasil. Entre os homens, 66% afirmam que praticaram violência contra a parceira. Os números são da pesquisa do Instituto Data Popular sobre violência contra a mulher, divulgados em reportagem do jornal Estadão no final do ano passado. Ainda segundo o levantamento, o índice elevado de jovens que já foram atores ou vítimas de agressões tem relação com a família e a maioria já presenciou casos de violência entre os pais.


A pesquisa foi encomendada pelo Instituto Avon e entrevistou 2.046 mulheres e homens, entre 16 e 24 anos, das cinco regiões do País.

  • Serviço

Página no Facebook: III Marcha das Vadias Bauru.