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Advogado move ação contra página racista

Bauruense Thyago Cézar ficou inconformado com a ?Eu não mereço mulher preta?; página foi excluída

por Bruna Dias

18/02/2015 - 07h00

Facebook/Reprodução

Depois que internautas denunciaram a página, ela foi excluída no último dia 14 pela rede social

O Carnaval, em todo o Brasil, teve escolas que ressaltaram a causa negra. Em Bauru, por exemplo, a escola de samba Azulão do Morro falou da abolição da escravatura em seu samba enredo (leia mais na página 5). Porém, ainda há manifestações de preconceito que chegam a assustar. Uma das mais recentes é a página “Eu não mereço mulher preta”, no Facebook. O advogado bauruense Thyago Cézar ajuizou ação para que a página fosse excluída e para identificar o responsável.


Ainda não se confirma oficialmente quem foi o idealizador da página, que também incentivava o nazismo. Apesar de uma das primeiras postagens, conforme apurado pelo JC, afirmar que os idealizadores não tinham o objetivo de incitar o preconceito, o conteúdo não mostrava isso. Pelo contrário. Logo na descrição, o autor dizia que, das mulheres negras, “queremos distância”.


“A nossa luta não pode parar. Em breve sairemos do ar, devido às denúncias, mas em breve voltaremos com um site só nosso”, dizia uma postagem do dia 14 de fevereiro.


O advogado Thyago Cézar entrou com ação pedindo ao juiz que retirasse a página, intimasse o Ministério Público e a Polícia Judiciária para tentar encontrar o responsável por tal página.


“Também pedi para identificar as mais de mil pessoas que curtiram a página e compactuaram com aquilo. Se eles curtiram a página, eles são tão criminosos quanto quem a criou”, enfatizou.


A página, contudo, foi retirada do ar pela própria rede social no último sábado. Internautas consultados pelo JC que a denunciaram receberam, inicialmente, a resposta de que ela não violava os “padrões de comunidade”. Contudo, mais tarde, a argumentação foi reavaliada e a página, excluída.


Contra a mulher


Presidente do Conselho da Comunidade Negra em Bauru, Maria José Oliveira dos Santos ficou surpresa e assustada ao saber da página através da reportagem. Ela ainda lembrou que se não se trata somente de racismo, mas também machismo, tendo em vista que a página falava apenas das mulheres.


“Essa página não é necessária. Não adianta escrever que não tem intenção de racismo, de discriminação, porque é explícito. E volta para nós, a velha discussão do machismo, porque ele cita ‘mulher preta’. É contra o feminino, contra a cor, contra a mulher. Isso é tudo muito sério”, finalizou.