Bauru e grande região

Geral

Bauru busca opção para custear Arena

por Thiago Navarro

26/04/2015 - 07h00

Reprodução

Projeto da Nova Arena Bauru foi apresentado 

A Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel) recebeu nesta semana o projeto completo da nova Arena Poliesportiva de Bauru, que terá capacidade para 5 mil pessoas e abrigará modalidades como basquete, vôlei, futsal e handebol. Desenvolvido pelo escritório Ricci e Higa, o projeto contou com a participação de vários profissionais, comandados pelo arquiteto Cláudio Ricci.

 

No ano passado, a Semel, a Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos de Bauru (Assenag) e a Paschoalotto Serviços Financeiros promoveram um concurso para escolher quem desenvolveria um projeto completo para uma futura Arena esportiva. A banca avaliadora contou com o secretário municipal de Esportes, Roger Barude Camargo, o gestor do Paschoalotto/Bauru, Vitor Jacob, o técnico da equipe, Jorge Guerra (Guerrinha) e Clóvis Simão e Paulo Borgo, ambos membros da Assenag.

 

Ao final da seleção, o escritório Ricci e Hia foi o escolhido, e ao longo dos últimos cinco meses se debruçou para desenvolver os projetos arquitetônico, estrutural, elétrico, hidráulico, entre outros. Tudo foi concluído na semana passada e entregue ao prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) na sexta-feira. Agora, o desafio é a captação de recursos.

 

Parcerias

 

Buscar verba no Ministério do Esporte é o principal objetivo neste momento. Mesmo antes de finalizado, o projeto bauruense foi cadastrado junto à União, e em maio o secretário Roger Barude voltará a Brasília, onde já esteve em fevereiro, para dialogar novamente com o ministro George Hilton. O deputado federal Vinícius Carvalho, do PRB (mesmo partido do ministro), e outros parlamentares da bancada paulista, também demonstraram interesse em intermediar o projeto.

 

O secretário estadual de Esportes, Jean Madeira, esteve na cidade nesta semana, e disse estar disposto a ajudar na obtenção de verba. “Sozinho o Estado não consegue viabilizar isso sozinho. Mas queremos sim ajudar Bauru a concretizar um novo ginásio, o importante é que o município ande junto com o Estado e o governo federal”, frisou. Madeira também é membro do PRB.

 

Outra possibilidade já levantada pelos bauruenses é buscar receita, ou pelo menos parte dela, junto à iniciativa privada. “É uma ideia que pode ir adiante. Vamos neste primeiro momento tentar recursos em Brasília, e tentar também apoio do Estado, mas não descartamos recorrer à iniciativa privada. O projeto ficou muito bem feito, esta parceria com a Assenag foi de grande valia para que a cidade possa chegar não apenas com um pedido, mas com algo concreto em mãos, com todo um projeto pronto para ser executado”, explica o prefeito Rodrigo Agostinho. “A gente sabe que não há tempo hábil para concluir uma obra deste porte até o fim do mandato, mas quero sair do governo com as obras já iniciadas”, completa.

 

O secretário municipal de Esportes, Roger Barude, acredita que é importante chegar ao final deste ano com os trâmites burocráticos engatilhados. “Vamos intensificar a busca de verba junto ao governo federal, conversar com o Estado, enfim, somar forças. Ao longo do próximo mês iremos novamente a Brasília para tratar do assunto. Se a gente conseguir viabilizar este recurso, o ideal é que a gente comece a licitar tudo ainda neste ano”, aponta.

 

Dois anos

 

Tanto Barude quanto o arquiteto Cláudio Ricci, responsável pelo projeto, estimam em aproximadamente um ano e meio a dois anos o tempo de execução da obra. Entretanto, ainda não é possível saber quando começará, justamente por ainda não haver verba liberada no momento.

 

A Assenag comemorou o êxito do concurso e a entrega do projeto para a prefeitura. “Deu tudo certo, e foi um sucesso em todos os aspectos”, afirma Eduardo Pegoraro, presidente da entidade. O presidente da Paschoalotto Serviços Financeiros, Rodrigo Paschoalotto, também gostou do resultado. “Foi uma forma de contribuir com o esporte da cidade. Agora o projeto está nas mãos da Semel e da prefeitura, e é importante viabilizar a construção, seja com recursos do governo ou parcerias público-privada”, comenta.

 

Se houver a opção por parceria público-privada, o município entraria com o terreno, e uma empresa privada custearia e executaria a obra. Depois, este parceiro pode ter o ‘naming rights’ (nome) da Arena ou explorá-la comercialmente durante um período de pelo menos 20 anos, com a realização de shows e eventos diversos.

 

Neste caso, a Semel teria direito a uso para os jogos e parte dos treinos das modalidades, como basquete, vôlei e handebol. Para jogos, a capacidade será de pouco mais de 5 mil pessoas. Em shows, pode chegar a 7.500 lugares.

 

Nações Norte

 

A avenida Nações Unidas Norte, mais precisamente no futuro Parque Água do Castelo, é o local mais cotado para receber a futura Arena. A matrícula da área ainda não está totalmente acertada, mas a previsão é que isso ocorra ainda em 2015. Alguns ajustes no terreno também serão necessários. “Ali não é apenas uma, mas várias matrículas, da época em que os terrenos foram desapropriados para a construção da avenida. Agora, em pouco tempo a área deve estar em condições de receber construções”, reitera o prefeito. Se a Nações Norte apresentar problemas com a matrícula ou a estrutura do terreno, uma área próxima a Rodovia Bauru-Ipaussu, que já tem a matrícula totalmente regularizada, segue como ‘plano B’. O projeto contempla 5 mil lugares, todos com assentos individuais, 1.500 vagas de estacionamento, cinco entradas para o público, entradas separadas para os times, autoridades e imprensa, duas quadras poliesportivas de aquecimento, dois telões na parte externa. Haverá lampas de LED, reuso de água da chuva e acessibilidade completa.

 

Tombamento da ‘Panela’

 

O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) confirmou ao JC que o Ginásio Panela de Pressão pode ser mesmo tombado como Patrimônio Histórico de Bauru, o que impediria uma demolição ou grande alteração no futuro, garantindo o uso do local como praça esportiva e mantendo suas características arquitetônicas, como o teto com estrutura em madeira. “Eu penso que mesmo quando a cidade tiver um novo ginásio ou uma arena, como está se projetando, temos que ter mais opções, e a Panela de Pressão sempre foi um ginásio muito útil ao esporte bauruense, e que deve permanecer assim, em paralelo com uma nova arena”, aponta o chefe do Executivo.

 

Atualmente, a prefeitura aluga o Ginásio Panela de Pressão junto ao Esporte Clube Noroeste, e cede o espaço para os jogos e treinos do Paschoalotto/Bauru Basket e do Concilig/Vôlei Bauru. Entretanto, como o clube não quitou parte da dívida com o IPTU, a prefeitura provavelmente terá de rescindir o contrato. Neste caso, a Semel vai ocupar um imóvel alugado nos Altos da Cidade, por R$ 6 mil mensais, e o basquete e o vôlei terão de alugar o ginásio diretamente com o Norusca, conforme o JC antecipou na coluna ‘Entrelinhas’ do dia 15 de abril.

 

Outro entrave é que uma ação trabalhista movida pelo ex-zagueiro Magrão contra o Alvirrubro está penhorando parte do ginásio. Se a Panela for leiloada, outros credores de ações trabalhistas seriam beneficiados. O secretário municipal de Cultura, Elson Reis, explica que o processo de tombamento está no início e engloba o Estádio Alfredo de Castilho. “Isso não impede o direito de propriedade e uma eventual venda ou leilão, por exemplo. Mas quem for o proprietário terá de manter as características originais. Isso garantiria o uso daquela área para a finalidade esportiva, além de seu valor histórico e arquitetônico para a cidade”, enfatiza Reis. O pedido para tombar o ginásio e o estádio partiu da Secretaria de Cultura, e chegou ao Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Bauru (Codepac). “Agora eles irão analisar com detalhe o local, até porque parte do complexo deve ficar fora do tombamento, por não ter construção. Se o Conselho entender que deve haver o tombamento, isso é indicado ao Poder Executivo, cabendo ao prefeito fazê-lo”, detalha. Para o prefeito Rodrigo Agostinho, a área possui valor imensurável do ponto de vista histórico para a cidade, pela ligação com a ferrovia e pela própria tradição do Noroeste. “Nossa intenção inclusive é que no futuro a gente possa ajudar o Noroeste a administrar o complexo, transformando-o em um grande centro esportivo, com prioridade naturalmente para uso do Noroeste. A cidade sofre por ter poucas áreas assim”, conclui o prefeito.