Bauru e grande região

Geral

Gambás geram 150 chamadas/mês à PM Ambiental

É o total de ligações por conta do surgimento do bicho que, em época de reprodução, chega em busca de alimentos

por Marcele Tonelli

30/10/2015 - 07h00

Marcele Tonelli 
Gambá saruê adulto encontrado no quintal de uma casa no Jardim Europa em 23 de outubro

Espécie típica do cerrado, mas cada vez mais adaptada ao meio urbano, o chamado gambá-de-orelha-branca ou saruê já é facilmente encontrado em vários bairros de Bauru.

 
Explica-se: com a chegada da primavera e do calor, época propícia de sua reprodução, a cidade se torna ainda mais atrativa dada à falta de predadores e a facilidade em obter alimentos, já que o gambá é um bicho que come de tudo. Por mês, a Polícia Militar Ambiental e o Corpo de Bombeiros recebem cerca de 150 ligações de solicitações para retirada de gambás em residências, uma média de cinco chamados por dia.

Justamente por conta das inúmeras solicitações, a PM Ambiental de Bauru lançou um alerta, nesta semana, por meio de sua página no Facebook, orientando a preservação desses animais e o como as pessoas devem agir ao encontrar um gambá em casa.

Proteção

Assim como outros animais da fauna nativa, silvestre ou em rota migratória, o gambá é protegido pela Lei de Crimes Ambientais, 9605/98, que em seu artigo 29 proíbe matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar de qualquer outra forma esses animais sem licença ou autorização da autoridade competente no município.

“É importante a preservação destes animais porque eles simplesmente estão à procura de alimentos, abrigo, enfim, quando escolhem o forro de nossas residências para poder se esconder da ação danosa que o homem pratica contra o meio ambiente”, frisa a PM.

“Ao se deparar com um gambá, o melhor a fazer é deixá-lo passar. Não mexa com ele ou no ninho, é crime! Ele acaba indo embora sozinho”, acrescenta Alex Ribeiro Radighieri, 1.º sargento da PM Ambiental.

A PM Ambiental recebe diariamente até duas chamadas para retirada. O sargento ressalta ainda o fato de que não há relatos de ataques desses tipos de animais na cidade.

Por outro lado, a presença do gambá é preocupante justamente por conta de sua capacidade reprodução e de transmissão de zoonoses como a raiva, leptospirose e vermes. “Logo logo ele será um problema para a cidade, assim como as pombas e as maritacas”, avalia Luiz Pires, diretor do Zoo de Bauru.

Locais frequentes

Segundo o sargento Radighieri, o recolhimento do animal é feito em situações extremamente necessárias, que envolvam riscos aos animais ou às pessoas.  

Capturado, o gambá é levado, geralmente, para uma área de preservação ambiental próxima ao Zoológico de Bauru. Mas, em muitos casos, acabam voltando.

Segundo o Corpo de Bombeiros, que recebe até três chamados por dia, o aparecimento do gambá saruê é frequente em regiões com mata, como nos bairros Jardim Tangarás, Parque Manchester, Jardim Estoril e Jardim Estoril 5.

No dia 23 de outubro, um saruê adulto foi encontrado pela manhã no quintal de uma residência, localizada na quadra 6 da rua Lázaro Rodrigues, no Jardim Europa.

Após passar cerca de duas horas pendurado entre um muro e uma árvore frutífera, fugindo de cachorros, ele acabou indo embora.

Vamos entender

Pertencente à família dos marsupiais, o gambá-de-orelha-branca, nome científico Didelphis albiventris, possui hábito noturno, o que explica o fato de ele ser encontrado geralmente pela manhã. Além do cerrado, também é presente na caatinga, pantanal e em áreas de campo, principalmente nas regiões sudeste, centro este, nordeste e sul do Brasil, explica Luiz Pires.

Possui os pêlos longos e grossos, de cor preta com as extremidades brancas que dão aspecto de acinzentado ou grisalho. Sua cabeça é grande e apresenta uma listra negra ao centro que alcança o focinho, o qual é alongado e rosado.

“O rabo é desprovido de pêlos, o que faz com que as pessoas o confundam com ratazanas. Mede até 50 cm de comprimento e possui o hábito de se refugiar em ocos de árvores, forros de casas e chaminés”, frisa.

Apenas a fêmea possui o marsúpio, onde ficam alojados filhotes que, ao cresceram, são carregados no dorso da mãe. A reprodução ocorre até três vezes ao ano e a gestação dura até 15 dias, o número de filhotes varia de 10 a 20. É animal onívoro e alimenta-se praticamente de tudo, como raízes, frutas, insetos, aves. Em locais urbanos pode alimentar-se de ovos e aves domésticas e de resíduos orgânicos, como sobras da alimentação humana e de animais domésticos.

É inofensivo, mas apresenta comportamentos de defesa ao ser ameaçado: costuma fingir-se de morto e exalar um odor fétido, também pode chegar a morder se atacado.

“Ele tem dentes pontiagudos, mas só ataca se for ameaçado. Também possui a glândula de defesa que emite o odor fétido, mas não se compara ao jato fétido do gambá Jaritataca [comum nos desenhos animados], que levanta a calda e espirra o líquido por até um metro e vinte de distância”, comenta Pires.

Serviço

A PM Ambiental realiza a captura o gambá saruê nos casos que envolvam riscos aos animais ou às pessoas. Telefone: (14) 3203-2727. O Corpo de Bombeiros atende os chamados de captura conforme a disponibilidade de equipes. Telefone: 193.