Bauru e grande região

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De bike, bauruense apresenta Paris para turistas brasileiros

Maria Fernanda Hinke inspirou-se no contato intenso com espaços públicos de Bauru para desenvolver atividades que contemplam arte urbana

por Cinthia Milanez

20/12/2015 - 07h00

Arquivo pessoal
Um dos tours que Maria Fernanda coordena foi batizado de ‘Meia noite em Paris By Bike’, no qual brasileiros desfrutam de passeio pelos pontos turísticos da cidade

É difícil encontrar alguém que se identifique tanto com o trabalho quanto a bauruense Maria Fernanda Hinke, 34 anos, que descobriu, na bicicleta, uma forma de conhecer novas culturas ao apreciar cada milímetro do espaço urbano. Há três anos, ela apresenta Paris aos brasileiros em passeios de bike. Fernanda se inspirou no contato intenso com espaços públicos de Bauru para prestar um serviço que se mistura com sua vida pessoal.

Ela nasceu e foi criada na Cidade Sem Limites, mais especificamente, no Jardim Bela Vista. Porém, desde adolescente, sonhava em ter “rodinhas nos pés” e morar fora do País. Antes de colocar o plano em prática, ela estudou publicidade em Bauru e fez MBA em São Paulo. Viajava a cada 15 dias para a Capital do Estado até a conclusão do curso. Já foi professora e empresária da moda. Até que um dia surgiu uma oportunidade de viajar ao Canadá.

Em 2010, Fernanda deixou tudo para trás em Bauru e embarcou em seu sonho. “Eu decidi aprimorar meu inglês e descobrir coisas novas”, narra. Já no Canadá, Fernanda estudou introdução à filosofia e fotojornalismo, mas a ideia de encontrar outra forma de viver não deixava sua mente. Ela, então, ganhou uma bicicleta usada de uma amiga e sentiu um dos maiores prazeres da vida ao dar as primeiras pedaladas.

Fernanda passou a entrar em contato a cidade onde morava, Toronto, de forma diferente, sendo conduzida, principalmente, pela brisa suave que atingia seu rosto a cada quarteirão percorrido. “Esse passou a ser meu meio de transporte”, diz. Nos trajetos, ela começou a prestar atenção na street art, ou seja, na arte urbana. “Ao contrário da publicidade, que usa os espaços públicos para vender, a arte o fazia de maneira espontânea”, conta.

Meia-noite em Paris
Em 2008, Fernanda havia viajado para Paris e já pensava em morar na cidade francesa. Mas só em 2011, a bauruense conseguiu concretizar esse desejo latente. Instalada em Paris, ela deu início a uma pesquisa autodidata sobre a arte urbana do local e entrevistou mais de 70 artistas internacionais, participou de um documentário e produziu pequenos vídeos. Claro que sua ferramenta de trabalho era a bicicleta.

Na ocasião, Fernanda prestava serviço para um site criado por brasileiros para que os próprios brasileiros conhecessem Paris: o Conexão Paris. Desse casamento, surgiu a ideia de promover passeios turísticos de arte urbana, a pé, e rotas de bicicleta. Inclusive, um dos tours que ela coordena se chama “Meia noite em Paris By Bike”, no qual os brasileiros desfrutam de um passeio de três horas, das 22h à 1h, pelos pontos turísticos da cidade.

Antes de o relógio anunciar a meia noite, os turistas apreciam uma taça de champanhe na Torre Eiffel e, em seguida, retornam ao ponto de partida. “É um horário em que não há tanto movimento, como se Paris existisse só para você. Dá para aproveitar cada segundo do passeio e interagir com a cidade, fazendo com que o turista consiga se localizar e entender como Paris funciona”, argumenta.


Bodas de ouro

Em três anos de atividade intensa, Fernanda já presenciou diversas histórias emocionantes dos turistas brasileiros, inclusive, bauruenses. Contudo, a que mais chamou sua atenção envolve um casal do Sul do País. Os dois estavam comemorando 50 anos de casamento e, por e-mail, revelaram que o tour proporcionou uma das melhores experiências de suas vidas. Gostaram tanto que não abandonaram o hábito de pedalar.


Ideia é adotada no Rio durante inverno europeu

Como os passeios de bike e os de street art em Paris são sazonais, ou seja, ocorrem de março a outubro, em função do inverno, Fernanda criou um projeto semelhante no Rio de Janeiro. É o “Go Bike Rio”, em que os turistas têm a oportunidade de conhecer a capital carioca de bicicleta. Uma das vantagens é que o passeio faz com que os turistas aproveitem cada milímetro da cidade. “Parece um grupo de amigos pedalando”, pontua.

Inclusive, a bauruense arrisca dizer que o Rio de Janeiro é a melhor cidade da América Latina para pedalar, porque há muitas ciclovias. “O princípio do meu trabalho é a segurança e garanto que, pelo fato de estarmos em grupo, o passeio se torna tranquilo”, acrescenta Fernanda, que volta ao Brasil todo ano, tanto para visitar a família e os amigos em Bauru, quanto para dar continuidade ao projeto no Rio de Janeiro.

Ao falar sobre o uso da bicicleta em sua cidade natal, a bauruense acredita que o município tem uma “pegada” mais esportiva e a encara de forma positiva, mas afirma que ainda falta para que Bauru encare a atividade como a solução para o problema da mobilidade urbana. “Nós temos 29 quilômetros de ciclovias, que estão desconectadas, e adoraria ver Bauru estimulando a prática, inclusive, tenho interesse em ajudar a cidade a pensar mais na bike”, finaliza.


Blog

Se alguém quiser saber um pouco mais da vida e do trabalho da bauruense, basta acessar seu blog mylifeonmybike.com. Já para aqueles que quiserem conhecer as opções de passeio em Paris, basta navegar no conexaoparis.com.br. Para contratar um dos tours só é preciso enviar um e-mail para [email protected] Quanto aos passeios no Rio de Janeiro, cidade onde ela também desenvolve projetos, é possível consultá-los por meio gobikerio.com, tanto para conhecer, quanto para contratar o serviço.


Espalhados pelo mundo!

A ideia de homenagear e contar as histórias dos bauruenses que estão espalhados pelos “quatro cantos” do globo originou o portal www.bauruensespelomundo.com.br. O endereço na plataforma virtual ainda está em construção, porém, enquanto isso, o JC resolveu mostrar um pouco da realidade dessas pessoas que vivenciam diversas experiências pelo mundo, porém, sempre carregam Bauru em seus corações. Ao longo das edições do jornal, outras histórias, que serão identificadas com o selo ‘Bauruenses pelo mundo’ serão contadas. E o espaço segue aberto. Você também pode enviar seu relato ou sugestão de personagem a ser entrevistado para o e-mail [email protected]