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Escolas otimizam aula com tecnologia

É preciso estar atento para o fato dela estar presente na maioria dos aspectos do cotidiano do aluno - em casa e no lazer - desde a infância

por Wilson Marinini/Rede APJ

22/05/2016 - 07h00

Divulgação
Os professores Pedro D’Incao e Taísa Katz fizeram exposições sobre a experiência do D’Incao 

“Melhor Educação, Melhor Sociedade”. Com esse tema central, a Bett Brasil Educar, maior evento de educação da América Latina, reuniu cerca de 220 palestrantes, de 18 a 21 de maio, no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center, na Capital paulista. O foco foi a qualidade da educação com ênfase em relatos sobre inovação e contribuições da era digital como aliados aos conteúdos pedagógicos. Ao todo, foram programadas 169 atividades em 12 auditórios simultâneos.

Durante os quatro dias, cerca de 18 mil gestores e educadores de todo o País mergulharam em cursos e palestras sobre o impacto das novas tecnologias no planejamento e pedagogia das escolas. “A educação é conclamada a se apropriar das tecnologias e mídias digitais para a otimização dos tempos e da qualidade da aprendizagem”, afirma Vera Cabral, consultora de educação do evento. Essa tendência reflete “a rápida evolução das tecnologias digitais e a consequente transformação de formas de produção, transmissão e comunicação de dados, informações e conhecimentos”.

Entre o temas debatidos, incluíram-se o uso da Internet na prática educativa; o uso de aplicativos e dispositivos móveis na sala de aula; o uso ético, seguro e legal da tecnologia nas escolas; como a tecnologia pode contribuir para renovar a educação num cenário em constante mudança; utilizando a tecnologia para levar a escola para o mundo dos alunos; contribuições da neurociência; e outros.

Desafios

A especialista Darri Stephens, por exemplo, abordou os desafios de lidar com o comportamento dos estudantes decorrentes do uso diário da tecnologia. Ela apresentou um projeto usado em cerca de 100 mil escolas em todo o mundo, que promete “inspirar os gestores na implementação de novos recursos e ideias para as suas escolas”.

O material abrange tópicos como cyberbullying, direitos autorais e plágio, privacidade, relações e comunicação. Com o tema “Paradigma educacional na sociedade conectada”, Robson Lisboa abordou como as tecnologias podem ser usadas para alavancar as ofertas educacionais das escolas brasileiras, transformando o cenário de crise econômica em oportunidade.

Em paralelo aos cursos, empresas grandes e pequenas, além de startups, apresentaram instrumentos, aplicativos e serviços relativos à gestão e pedagogia escolar em feira que ocupou 9 mil metros quadrados. A tecnologia foi apresentada como aliada do ensino, por estar presente na maioria dos aspectos do cotidiano do aluno, em casa, no trabalho e no lazer, desde a infância.

Diretor de colégio defende a utilização da tecnologia na escola

As máquinas e programas de computação devem ser usados nas escolas para agregar valor ao processo de ensino, e não apenas como ferramentas substitutas da leitura e da escrita. A opinião é do professor Pedro D’Incao, diretor do Instituto de Ensino D’Incao, de Bauru, que fez exposições sobre a experiência do colégio no evento Bett Brasil Educar 2016.

Segundo ele, não basta ler um livro num dispositivo ou utilizar o teclado eletrônico para escrever. É preciso ir além e aproveitar o potencial dos novos recursos. “A grande vantagem é a possibilidade de tornar ativo o processo pedagógico e de forma integrada”, diz ele, citando como exemplo a produção de vídeos, multimídia e livros digitais (e-books) que possam ser compartilhados na escola, na comunidade e no mundo todo.

“Se for apenas por marketing ou chamariz, os projetos pedagógicos vão por água abaixo. É preciso ter uma necessidade de uso da tecnologia”, diz ele. Defensor do uso do tablet como parte do material escolar obrigatório de cada aluno, D’Incao deu como exemplo prático o emprego de aplicativo para analisar fenômenos naturais. Seria impossível, segundo ele, obter a mesma “praticidade” para o aprendizado sem o apoio da tecnologia.

Mesmo adotando recursos modernos de ensino, D’Incao afirma que a escola não pode prescindir da tradicional lousa, indispensável segundo ele para que o aluno “compreenda a sequência do raciocínio do professor”. Da mesma forma, o conhecimento clássico escolar “é fundamental” para embasar com subsídios para que o aluno analise com criticidade os fatos dinâmicos.

D’Incao falou no estande da Apple, fabricante de produtos eletrônicos e fornecedora de programas educacionais utilizados pela escola de Bauru, que em 2014 recebeu selo de qualidade da empresa multinacional. O colégio bauruense tem cerca de 700 alunos. Em 2007, tornou-se o primeiro estabelecimento da América Latina a trabalhar com um computador Apple por aluno e desde então utiliza programas educacionais daquela empresa. Em 2014, a escola migrou do computador para o iPad (tablet).

No evento, a Apple montou um espaço (Apple Distinguished School Experience) para apresentar o que chama de “conceito de inovação totalmente disruptivo na educação”, que inclui desde a revisão da estratégia pedagógica até a “ressignificação” dos papeis dos professores e alunos. O case de Bauru foi apresentado como “uma das práticas de transformação que poderão ajudar no desenvolvimento de novas perspectivas para o ensino e a aprendizagem”.