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Meninos entram na luta contra HPV

Ministério da Saúde anuncia para 2017 ampliação do programa de vacinação

por Ana Paula Blower

23/10/2016 - 07h00

A partir de janeiro de 2017, os meninos também serão vacinados contra o HPV pelo SUS. As meninas entre 9 e 13 anos já faziam parte do calendário de vacinação nacional. O anúncio foi feito pelo Ministério da Saúde e inclui ainda a ampliação da agenda de vacinação contra o vírus para crianças e jovens que vivem com HIV/Aids. 

"A inclusão dos meninos no calendário de vacinação é um ganho extraordinário para o controle da doença. O HPV também provoca câncer neles, como o de pênis, ânus e garganta. Outro ganho importantíssimo é na diminuição do risco de transmissão na mulher que não foi vacinada. Cria-se uma proteção indireta", diz Renato de Ávila Kfouri, do Departamento de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

A expectativa é imunizar mais de 3,6 milhões de meninos em 2017. A vacina contra o papilomavírus humano (HPV) protege principalmente contra o câncer de colo do útero na mulher. Serão adquiriras, ao todo, 6 milhões de doses ao custo de R$ 288,4 milhões.

Segundo o governo federal, o Brasil será o primeiro país da América Latina e o sétimo no mundo a oferecer a vacina contra o HPV para meninos em programas nacionais de imunização. Estados Unidos, Austrália, Áustria, Israel, Porto Rico e Panamá já fazem a distribuição da dose para adolescentes do sexo masculino.

O esquema vacinal contra o HPV para meninos será de duas doses, com seis meses de intervalo entre elas. Já para os que vivem com HIV, o esquema vacinal é de três doses, com intervalo de dois e seis meses, respectivamente. Nesses casos, é necessário apresentar prescrição médica.

A coordenadora do Programa Nacional de Imunização, Carla Domingues, destacou que o ministério pretende investir em parcerias com escolas da rede pública e particular para facilitar o acesso de meninos e meninas às doses contra o HPV e contra a meningite.

"Vacinar adolescentes não é como vacinar crianças, que os pais pegam na mão e levam ao posto de saúde. É mais complicado", disse. "Com os adolescentes, não conseguimos alcançar coberturas vacinais tão completas como entre as crianças", completou.

Meningite

A pasta anunciou ainda a ampliação da vacinação contra a meningite C para adolescentes de ambos os sexos. Foram adquiriras 15 milhões de doses, a um custo de R$ 656,5 milhões. O objetivo do governo é reforçar a eficácia da dose, já aplicada em crianças de 3, 5 e 12 meses mas que, com o passar dos anos, pode perder parte de sua eficácia.

A meta é vacinar 80% do público-alvo, formado por 7,2 milhões de adolescentes. Além de proporcionar proteção para essa faixa etária, a estratégia tem efeito protetor de imunidade rebanho - quando acontece a proteção indireta de pessoas não vacinadas em razão da diminuição da circulação do vírus.

Segundo o ministério, a ampliação só foi possível graças a economia de R$ 1 bilhão por meio da revisão de contratos e redução de valores de aluguéis e outros serviços. Parte dos recursos está sendo investida na produção nacional da vacina pela Fundação Ezequiel Dias.

Vírus altamente transmissível

O vírus HPV é transmitido, principalmente, pelo contato sexual. Um dos primeiros sinais da doença é a aparição de verrugas nos órgãos genitais do homem ou da mulher. A lesão pode ou não ser fator precursor de câncer e a identificação pode ser feita pelo paciente ou em exames preventivos, explica Marcus Vinícius de Medeiros, da Sociedade Brasileira de Urologia.

Segundo o médico, o tratamento da verruga é feito a partir de queimadura da lesão, com bisturi elétrico ou medicamento ácido. São mais de 150 tipos de HPV, e pelo menos 12 são de alto risco para o desenvolvimento de câncer. Na mulher, o principal deles é o de colo de útero. "A vacina protege contra quatro tipos. Por isso, o uso da camisinha continua necessário", diz Marcus.Vinícius.

Pesquisa mostra que 50% dos homens têm HPV

Levantamento feito no Brasil, no México e nos Estados Unidos mostra que 50% dos homens pesquisados têm o vírus do papiloma humano (HPV). O estudo, publicado na revista científica Lancet, foi feito com 1.159 homens e durou aproximadamente dois anos e meio.

O vírus, que é sexualmente transmissível, pode causar câncer tanto em homens quanto em mulheres. No entanto, doenças mais graves, derivadas do HPV, são mais recorrentes no sexo feminino: o vírus é uma das principais causas do câncer de colo de útero.

"O número surpreendeu. A gente sempre achou e acreditou que a prevalência era maior em mulheres e que o vírus era mais adaptado à mucosa genital feminina", diz o médico José Eduardo Levi, pesquisador do laboratório de virologia do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP).

Nas mulheres, além de ser responsável por 80% dos casos de câncer do colo do útero, o vírus pode provocar verrugas na vagina, e sintomas desagradáveis, como prurido, coceira e corrimento. Nos homens, a incidência de câncer, devido ao HPV, é muito baixa, mas há ocorrências de câncer de pênis e anal, além da formação de verrugas genitais.

"O HPV é transmitido por contato sexual. Quando se usa o preservativo, evita-se o contato pele-mucosa, e diminui muito o risco. Mas o preservativo não é 100% eficiente porque as pessoas só colocam o preservativo no momento da penetração, e apenas o contato das áreas genitais pode transmitir o vírus", explica o médico.