Bauru e grande região

Geral

Violência contra mulher cresce na crise

Dados divulgados pela Sebes mostram que as denúncias de violência física contra as mulheres cresceram 228% em Bauru só neste ano

por Marcele Tonelli

27/11/2016 - 07h00

Malavolta Jr.
Basta: mulher vítima de violência se une à Sebes para divulgar a campanha de conscientização

Os reflexos da crise e do desemprego têm atingido os lares e aumentado a violência doméstica. Este é um dos apontamentos feitos pela Secretaria do Bem-Estar (Sebes) que divulgou dados que mostram que a violência contra as mulheres, seja física, psicológica ou patrimonial, aumentou em Bauru, de 2015 para 2016. O comparativo considera o período de 1 janeiro a 31 de outubro dos dois anos. Sozinhas, as denúncias de agressões físicas, por exemplo, cresceram até 228%, de 18 para 59 registros.

Os dados, que partem não da polícia, mas de registros realizados na própria Sebes durante o atendimento às vítimas, foram divulgados na última sexta-feira, durante a abertura da Semana da Não Violência Contra a Mulher, no Café com Política do JC.

ESTOPIM

Apesar de parecerem baixos, os registros expressam uma amostragem das ocorrências em Bauru, já que a maioria dos casos ainda é subnotificada, inclusive na polícia, ou seja, não vira registro por medo das vítimas.

Para Darlene Tendolo, titular do Bem-Estar Social em Bauru, isso ocorre porque a sociedade tem valorizado mais o ter do que o ser. “A crise é uma espécie de estopim, quando acaba o dinheiro, a pessoa se sente impotente e começam as brigas em casa. São conflitos que, geralmente, resultam em violência contra as mulheres e os filhos”, comenta a secretária. “As pessoas estão muito agressivas, tudo vira motivo de briga. E por isso, cada vez mais, elas têm procurado substituir a companhia do homem por animais, plantas ...”, acrescenta.

As agressões psicológicas, por sua vez, que comumente antecedem as agressões físicas, são denunciadas em maior volume. Elas aumentaram 15% do ano passado para cá, de 56 para 68. “A mulher se sente mais encorajada a denunciar a violência psicológica por temer justamente a agressão física. Na violência física, ela corre risco de morrer e tem mais medo de delatar o companheiro”, afirma Darlene.

PROTEÇÃO

Medo e risco que a servente de limpeza E.S. não quer mais para ela e sua família. Há dois anos, ela e a filha, de 17 anos, ingressaram para um curso de defesa pessoal, oferecido pela Sebes, para aprender autodefesa. “Eu fui agredida por três anos seguidos por um ex. Sempre registrei boletim de ocorrência, um dos casos subiu para o Fórum, mas nunca deu em nada”, comenta.

A falta de dinheiro era justamente um dos motivos, que segundo ela, causava as brigas. “Ele me tratava como um objeto sexual e eu tinha que cuidar e sustentar a casa”, acrescenta a mulher, que acabou se divorciando.

Pesou ainda o episódio em que uma familiar dela foi agarrada por um homem em um aniversário. “Ele foi visto passando a mão nela, estava prestes a forçar um sexo oral”, lembra lamentando. Hoje, ela ajuda a Sebes na divulgação da campanha.

PATRIMONIAL

Outro tipo de violência contra mulher que cresceu foi a patrimonial. De 9 casos em 2015, o número subiu para 15 registros em 2016, um acréscimo de 66%. A violência sexual, por sua vez, manteve registro de um único caso na Sebes.

Somados, todos esses tipos de violência tiveram aumento geral de 37%, de 84 para 115 casos.

Malavolta Jr.
Darlene Tendolo na abertura da Semana da Não Violência Contra a Mulher no Café com Política 

‘Não Violência’ contra as mulheres tem mesa redonda na OAB e Lenço Branco

Na próxima terça-feira (29), às 9h, será realizada a Mesa Redonda: “A cultura do sexismo e seu impacto na sociedade”, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), localizado na avenida Nações Unidas, 30-30.

A atividade integra a programação organizada pela Sebes, o Conselho Municipal de Políticas Públicas para Mulheres e a Casa do Garoto dos Padres Rogacionistas devido ao Dia Internacional da Não Violência contra as Mulheres, no último dia 25. A abertura da Semana da Não Violência Contra Mulher ocorreu no JC na última sexta-feira.

Paralelamente, é realizada também a campanha brasileira do Lenço Branco, que tem como objetivo sensibilizar, envolver e mobilizar os homens no engajamento pelo fim da violência contra a mulher.

SERVIÇO

Denuncie a violência contra a mulher:

- Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência. Telefone: 14 3227-7533

- Centro de Referência Especializado de Assistência Social. Telefone: 14 3234-8705

- Centro de Referência Especializado de Assistência Social. Telefone: 14 3227-7533

- Disque 100 ou 180