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Lava Jato conta com 'Big Data' da corrupção, afirma Moscardi Grillo

Delegado coordenador da operação na PF diz, em Bauru, sua cidade natal, que bancos de dados asseguram mais agilidade para as investigações

por Marcus Liborio

26/04/2017 - 07h00

Fotos: Assessoria de Imprensa da ITE
Delegado bauruense da Polícia Federal, Maurício Moscardi Grillo ministrou palestra durante a manhã dessa terça-feira (25) na ITE
Evento reuniu cerca de 450 pessoas, entre alunos de direito, professores e profissionais da área

Delegado bauruense da Polícia Federal (PF), Maurício Moscardi Grillo esteve nessa terça-feira (25) na cidade para ministrar palestra na Instituição Toledo de Ensino (ITE), onde discursou para 450 pessoas, entre alunos de direito, professores e profissionais da área.

Ele, que se formou pela ITE Bauru em 2000, falou sobre os bastidores das operações que abalam as esferas política e policial do Brasil: Lava Jato e Carne Fraca. "Para passar uma mensagem de que todos podem fazer alguma coisa pelo País", declarou ao JC.

Moscardi detalhou à reportagem que a Lava Jato - que investiga, entre outros fatos, o desvio de recursos da Petrobras para pagamento de propina a partidos políticos e também pagamento de propina de empreiteiros a políticos - conta com uma "Big Data" da corrupção.

O termo refere-se à criação de um imenso banco de dados para agilizar as investigação da operação, que já deflagrou 38 fases, em três anos. "A gente foi aprendendo com a operação. Começou com pouca gente e, hoje, se tornou uma grande força tarefa, com atuação de 50 profissionais, entre peritos, agentes, escrivães, papiloscopista, delegados", elenca.

As metodologias aplicadas são bem técnicas, diz o delegado, que atualmente faz parte da coordenação das operações da PF, em um núcleo especializado montado no Paraná. "Hoje, temos banco de dados estruturado".

Todo o processo de estruturação da Lava Jata se deu nos mesmos moldes de uma empresa. "Nunca havia tido uma operação desse tamanho. Trouxemos metodologias próprias de uma firma, para que tudo ocorresse de maneira técnica", emenda.

"Como poderíamos desenvolver 38 fases, uma quantidade de material imensa sem um banco de dados unificado? Isso permite uma análise mais rápida e técnica de todo o serviço. Criamos procedimentos para facilitar a vida de quem está investigando", reitera Moscardi.

DESDOBRAMENTOS

O delegado bauruense, com 12 anos na Polícia Federal, avalia que a Lava Jato, agora com a colaboração da Odebrecht, ainda deve ter muitos desdobramentos.

"É difícil falar em prazo para terminar a operação. Porque toda colaboração traz uma série de elementos criminosos que, por fim, acabam procrastinando ainda mais a operação".

Moscardi destaca que a PF sempre teve liberdade de investigação. "Houve um avanço muito grande nesse sentido. A Polícia Federal, hoje, tem uma autonomia completa. Apesar de ter uma autonomia relativa em relação à parte financeira, porque ainda estamos vinculado ao Ministério da Justiça, nunca tivemos problemas de interferência nas investigações", afirma.

Sobre a palestra de ontem, ele reafirmou que o objetivo foi ressaltar que todos podem contribuir, de alguma forma, para a melhoria do Brasil.

"Assim como os alunos que aqui estão, há um tempo eu estava na mesma situação, assistindo uma palestra de alguém que eu admirava. Isto é: todos podem estar aqui um dia fazendo um relato da profissão. Se tiveram vontade e dedicação, há a possibilidade de fazer um pouco mais pelo País", finaliza.

Perfil

Maurício Moscardi Grillo tem 38 anos. Filho do engenheiro civil Antonio Grillo Neto - que foi titular da Seplan em 2015, na gestão Rodrigo Agostinho - e da professora aposentada Marisa Moscardi Grillo, ele morou no Jardim Estoril 1 e se formou em direito pela ITE Bauru em 2000.

Moscardi mudou-se para São Paulo e se dedicou aos estudos. Há 12 anos, passou em concurso para delegado e agente da PF. Por quatro anos, atuou na capital paulista como agente e, posteriormente, foi transferido para Rio Branco (Acre), já com o cargo de delegado.

Em janeiro de 2014, já atuava em Curitiba (PR), onde a Operação Lava Jato foi deflagrada três meses depois.