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Lealdade: cachorra não sai de perto de companheira morta

Ela até cavou um buraco ao lado do corpo; cena ‘de filme’ emocionou

por Vitor Oshiro

15/06/2017 - 07h00

Francini Branco Purini/Divulgação
Cachorrinha não queria sair do lado do corpo e até fez um buraco; pessoas a resgataram, a levaram para um lar provisório (foto abaixo) e aguardam informações sobre o dono

Até que ponto vai a amizade e a lealdade no mundo animal? Na manhã dessa quarta-feira (14), uma triste cena emocionou quem passou pelo final da avenida Nações Unidas (em um terreno perto do CTI da Unesp), em Bauru. Uma cachorrinha não desgrudou de sua companheira canina, que havia sido atropelada e morreu. A pequena chegou a fazer um buraco no chão, bem ao lado do corpo.

“Parecia cena de filme. Fiquei arrasada e, ao mesmo tempo, emocionada. É incrível ver como os animais têm consciência e sensibilidade”, narra a estudante Francini Branco Purini, 28 anos.

Ela conta que sempre ajuda na causa animal e, por isso, foi acionada por pessoas que passaram por ali. “Ao chegar, vimos a cachorrinha ao lado do corpo da outra. Ela estava bastante assustada”.

Como a cadela estava muito arredia, foram algumas tentativa até o resgate. “Ela se assustou e fugiu dali. Mas, pouco depois, voltou para ficar do lado da companheira. Um senhor, de nome João, conseguiu resgatá-la com uma corda”.

A cachorra foi resgatada e levada para a casa de uma familiar de Francini. Agora, eles procuram o proprietário do animal. “As duas estavam muito bem cuidadas. Então, acreditamos que tenham dono. Vamos esperar uma semana e colocaremos para a adoção. Mas, queremos encontrar o verdadeiro dono para que ele fique com ela, já que a outra, infelizmente, morreu”.

COVA?

Além da insistência da cachorra em ficar ao lado do corpo da companheira, outro fato que chamou a atenção foi o buraco que ela fez. “Não há dúvidas de que ela pode ter feito esse buraco para enterrar o corpo”, destaca o veterinário Eduardo Fagundes.

Segundo ele, tal ação instintiva é mais comum quando os animais possuem laços sanguíneos, como, por exemplo, uma mãe que procria e um dos filhotes acaba morrendo. Por isso, Fagundes aventa a hipótese de que as cachorras sejam da “mesma família”. “Mas isso não quer dizer que, se não forem consanguíneas, elas não possam criar esse laço caso tenham crescido ou vivido muito tempo juntas. É possível e até bem provável que ela tenha feito esse buraco para enterrá-la”, conclui o veterinário.

Alerta na ‘voltinha’

Ainda não há quaisquer informações sobre o que ocorreu e por qual motivo as cachorras estavam na rua. Contudo, a estudante Francini Branco aproveita a situação para fazer um alerta sobre a conhecida “voltinha”.

Você sabia?

Um dos filmes mais emocionantes quando se trata de cães é o “Sempre ao Seu Lado” (2009). Ele traz a história de um cachorro que, após o dono morrer, esperou a volta dele por anos em uma estação de trens. Lealdade fictícia? Não! É tudo verdade. A obra foi inspirada na história do professor Eisaburo Ueno, dono do cachorro Hachiko, da raça akita. O cão esperou pelo professor por quase uma década após a sua morte, em 1925. Na estação Shibuya, em que ele aguardava o dono voltar do trabalho todos os dias, foi erguida uma estátua do animal.

“Vemos muitos cachorros que são atropelados porque os donos têm o costume de deixar que eles deem uma ‘voltinha’. Não sabemos se foi isso que aconteceu aqui, mas é importante fazer o alerta”, completa.

SERVIÇO

Quem tiver informações sobre o dono da cachorra, pode ligar para Francini no (14) 99769-1758. “Ela é muito carinhosa. Está bem triste, dá pra ver em seu olhar. Mas é muito amável”, finaliza a estudante.