Bauru e grande região

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Concessionárias promovem ação contra atropelamento de animais em rodovias

Somente neste ano, foram registrados 31 casos em trechos de Bauru, segundo estatística da Artesp; houve redução em relação a 2016 e 2015

por Marcus Liborio

03/08/2017 - 07h00

Cart/Divulgação
No mapeamento de animais que fazem travessia em rodovias da Cart, paca foi identificada

Concessionárias que administram rodovias de Bauru estão se mobilizando para reduzir o número de atropelamento de animais na pista, através de ações que focam o mapeamento dos casos, instalação de equipamentos e tecnologia nas estradas, campanhas de conscientização de motoristas, entre outras medidas (leia mais nesta página).  

Levantamento feito pela Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) aponta que 31 animais foram atropelados em rodovias privatizadas de Bauru e região, somente no primeiro semestre deste ano. Embora as ocorrências desse tipo aumentem no frio, o número representa uma queda de casos em relação ao mesmo período de 2016 e 2015, quando registrou-se 41 e 43 atropelamentos, respectivamente. 

A estatista, realizada a pedido do JC, compreende os acidentes registrados do quilômetro 225 ao 132 da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-225), administrada pela concessionária Centrovias (quatro atropelamentos); e do quilômetro 254 ao 444 da Marechal Rondon (SP-300) - trechos sob concessão da ViaRondon e Rodovias do Tietê -, onde 27 animas foram colhidos por veículos no primeiro semestre de 2017. 

Neste ano, ainda não há registro de atropelamentos na extensão do quilômetro 225 ao 310 da rodovia Engenheiro João Baptista Cabral Rennó (SP-225) - administrada pela Concessionária Auto Raposo Tavares (Cart). No mesmo período de 2016, houve apenas um caso. 

A reportagem solicitou levantamento também de trechos das rodovias Cezário José de Castilho (SP- 321) - do KM 345 até o 406 - e Comandante João Ribeiro de Barro (SP-294) - do Km 347 até o 452, ambas administradas pelo Departamento de Estradas e Rodagem (DER), mas os dados não haviam sido divulgados até o fechamento desta edição.

INVASÃO DAS PISTAS

Segundo a Artesp, o tipo de ocorrência mais comum são os atropelamentos de animais soltos que invadem as pistas em áreas urbanas e rurais. "Próximo às regiões de maior concentração urbana, os acidentes ocorrem principalmente com cães", aponta.

Já em zonas rurais é comum haver invasão da pista por cavalos e bovinos. Ainda de acordo com o órgão estadual, em áreas de mata, as ocorrências envolvem basicamente animais silvestres, problema frequente na região de Bauru.

Conforme o JC divulgou, no mesmo trecho da Marechal Rondon (km 388), em Presidente Alves, dois lobos-guarás foram atropelados num período de 30 dias: um em junho e outro neste mês. Um deles não resistiu e morreu depois de dias sob cuidados de equipe do Zoológico de Bauru. Ambos os animais são de espécie típica do cerrado e estão na lista de ameaçados de extinção.

Em abril deste ano, um cavalo solto na pista provocou acidente envolvendo três veículos na rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (SP-294), a Bauru-Marília. Na ocasião, conforme mostrou o Jornal da Cidade, três pessoas precisaram ser socorridas com ferimentos pelo corpo. Já o equino morreu no local.

Diretor do Zoo de Bauru, Luiz Pires defende a instalação de corredores (passarelas, túneis ou pontes) nas rodovias, para travessia segura de animais. "Para algumas espécies, essas estruturas são fundamentais, principalmente aquelas que já se encontram em extinção", observa. 

A legislação vigente estabelece que a responsabilidade civil em caso de acidente causado por animal é do proprietário do bicho. O descuido, além dos riscos à segurança, também pode gerar prejuízo financeiro. "O Código Civil Brasileiro define, no artigo 936, que 'em eventuais acidentes causados pelos animais, o dono, ou detentor do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou forças maiores'", destaca a Artesp, em nota. 

FRIO

O JC já mostrou, em diversas reportagens, que o frio intensifica o número de acidentes em rodovias, decorrentes de animais na pista. A Polícia Militar Rodoviária estima um aumento de até 60% dos casos neste período do ano. Os principais animais envolvidos nos atropelamentos são gado e equinos, que saem dos pastos à procura de alimentos, já que o capim deixa de crescer nesta época. Entre as orientações da polícia, estão reduzir a velocidade e evitar acionar a buzina, para não assustar os bichos

CART REGISTRA REDUÇÃO DE 72% 

Em nota, a Cart informou que concluiu parte de seu programa de mitigação de atropelamento de fauna e o resultado atingido está acima do indicado pela literatura científica: registrou-se redução de 72% do índice em rodovias administradas pela concessionária.

O programa constitui no mapeamento dos suportes já existentes na rodovia e indícios de animais que realizam as travessias, bem como análise do banco de registros de ocorrência com animais. É priorizada, ainda, a construção de novas estruturas e adaptação das já existentes, além da implantação de sinalização.

Já a ViaRondon informou que, dentro de seu compromisso socioambiental, promove regularmente treinamentos especializados a suas equipes com o apoio de entidades científicas da região, além de investir em programas de proteção ambiental a fim de promover o equilíbrio entre o desenvolvimento da região e a fauna silvestre, rural e doméstica.

"Investimos recursos em telas de proteção, em passagens de gado e ações diretas junto aos proprietários rurais e comunidades lindeiras, além de ações com usuários, por meio de distribuição de material informativo, para prevenção de acidentes com animais", destaca. 

Em nota, a Centrovias disse que possui quatro carros para resgate de animais e câmeras de monitoramento disponíveis 24 horas por dia, além de realizar treinamentos de capacitação periódicos com colaboradores da concessionária voltados para a captura segura da fauna local.

"Orientamos os usuários, por meio de painéis de mensagens variáveis, para entrarem em contato com o 0800 ao avistarem animais na faixa de domínio. Realizamos ainda cadastro da comunidade lindeira, identificando as criações e orientando sobre a guarda segura dos animais". 

A reportagem entrou em contato, via e-mail e por telefone, com a assessoria de comunicação da Rodovias do Tietê, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.