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Desafio do Novo é não ser 'velho'

Discurso liberal do Partido Novo tem candidatos a governador e Senado que apostam na iniciativa privada mesmo em áreas como a saúde

por Nélson Gonçalves

28/04/2018 - 07h00

Malavolta Jr.
Pré-candidatos do Partido Novo, Christian Lohbauer ao Senado e Rogério Chequer ao governo

O Partido Novo surge engatinhando no berço contaminado da política brasileira com o discurso ambicioso de romper com o modelo atual apostando em rostos e perfis ancorados em renovação, assumindo um discurso liberal que contempla, até, a presença da iniciativa privada em áreas essenciais, como a Saúde, e com uma estrutura estatal que só esteja presente, diretamente, onde tamanho e prestação de serviços se justifiquem. O pré-candidato a governador, Rogério Chequer, defende menor intervenção política em áreas onde o técnico e a especialização sejam pré-requisito e rejeita a distribuição de cargos políticos nessas estruturas.

Para tanto, os recém engajados na legenda precisam convencer o eleitorado paulistano de que o jeito atual de governar se esgotou. Mas enquanto está de olho na renovação, as candidaturas do Novo têm pela frente o desafio de seduzir o paulista de que a embalagem cabe no seu conteúdo de marketing eleitoral. Isso porque, liberal, o Novo, por exemplo, defende modelos de gestão realizados pela iniciativa privada mesmo em áreas como a Saúde, opção igual ao que pratica o governo atual, em larga escala. São contratos do Estado exatamente com profissionais liberais, do mercado, que se juntaram para formar Organizações Sociais (OS) e, com isso, celebrar gestão integral na Saúde.         

Mas o discurso do Novo diverge da ingerência e distribuição política do governante sobre as estruturas, embora defenda modelos de gestão iguais aos do tucanato, como as OS gerindo hospitais. "Acho que algumas OS oferecem um modelo a ser perseguido e a ser utilizado em todo o Estado. As melhores gestões atuais são de OS. Temos é que aprender com os erros, expandir esse modelo e buscar parcerias com a iniciativa privada sem precisar radicalmente partir para um modelo de privatização total. Pode ir aos poucos e privatizar alguns tipos de exames, estruturas de hospitais. Mas essa não é única solução que vem da iniciativa privada. Você pode oferecer benefícios para que a iniciativa privada construa e opere hospitais para atender regiões de maior carência por atendimento", afirma Chequer.

De outro lado, ele reconhece que OS e iniciativa privada não são sinônimos de custo justo e gestão sem corrupção. "O que percebo viajando é que os poucos exemplos de eficiência na área médica acabam acontecendo em algumas parcerias com OS que funcionam bem. As vezes isso funciona ao lado de uma OS que não está funcionando bem. O que eu não vejo são modelos puramente estatais funcionando bem e, geralmente, com indicações políticas. Algumas Santas Casas, as que conseguem funcionar de forma mais profissional e independente, estão melhor. A tendência é o Estado gerir pior a saúde pública e a iniciativa privada gerir pior. Defendo que se faça essa expansão por módulos, por exames, depois clínicas e com com acordos com instituições privadas que ofereçam bons serviços", cita.

Tamanho 

Chequer explica que o Partido Novo não defende exatamente o "estado mínimo", mas o estado que cabe no tamanho da estrutura capaz de prestar bons serviços. "Quando a gente analisa o Estado que temos hoje vemos que ele não é aleatoriamente inchado. Ele é inchado para atingir interesses políticos muito específicos. Tem uma enorme quantidade de estruturas reportando ao governador, com um segundo e terceiro escalões gigantescos utilizados no toma-lá-dá-cá desde a época de campanha para sustentar a reeleição do grupo governante. Pra começar ele tem de ser de um tamanho que possa prestar bons serviços. Tem de mudar a primeira dinâmica, de não servir ao grupo que o governa. Tudo indica que esse Estado, de outro lado, é muito maior do que deveria ser e acaba sendo mais caro e dando margem à corrupção", defende.

Para o interessado no comando do Palácio dos Bandeirantes, a estrutura primária do Estado é maior do que deveria. "São 25 secretarias, 20 empresas estatais, 16 fundações e 26 autarquias. São 87 entidades que se reportam em primeiro grau para o governador. Fora o segundo e terceiro escalões. Não precisa de tantas secretarias e nem deveria ter tantas fundações e autarquias oferecendo serviços, em geral, pífios para a sociedade", afirma.

Nesse sentido, o pré-candidato entende que agências reguladoras, por exemplo, deveriam ter a função de "regular representando os interesses da sociedade". "Principalmente para as áreas onde você corre o risco de ter monopólios onde há risco de encarecer e piorar o serviço. Esta não pode ter nomeação e interesse político. Na Secretaria Estadual de Transportes há também a Artesp e ambas recheadas de indicações políticas", posiciona.       

Sem vínculos

Rogério Chequer - engenheiro de produção e empresário que liderou o movimento nas ruas pela queda de Dilma Rousseff, esteve em Bauru nesta semana e participou de encontros com militantes e simpatizantes na Casa do Médico. Ele esteve com o pré-candidato ao Senado pela legenda, doutor em ciência política pela USP Christian Lobahuer. Foram recebidos pelos também pré-candidatos a federal e estadual - médico Roberson Moron e o advogado José Antonio Milagre. 

O partido, segundo eles, está na campanha bancado por financiamentos individuais, contribuições mensais dos filiados. A legenda rejeita verbas do Fundo Partidário e políticos da velha guarda. Professor Christian assume sua primeira candidatura, trabalhou com o governo Serra em 2005 e aposta no Novo. "Esse negócio de estado mínimo é uma palavra que a gente nunca colocou nem no texto, nem na nossa prosa, mas enfiaram. O que a gente defende é um estado eficiente e suficiente. Ele pode até ser grande em uma área, mas ele tem de caber na conta e prestar bom serviço", explica. 

Outro ponto é reformar a previdência com medidas duras. "Tem de começar pela Reforma Previdenciária, não tem jeito. E quem não entendeu essa urgência é porque não sabe fazer conta. É tao grave que 1 milhão de brasileiros levam 11% do Orçamento Federal. Tem de mexer, daqui pra frente. O Partido propõe processo de capitalização, tirar isso da mão do Estado e fazer com que os brasileiros das novas gerações se preparem, desde cedo para o que virá lá na frente. Capitalização inclui previdência privada e outra parte do Estado vai garantir dentro de limites. A idade vai ter de mexer, porque não dá para as pessoas aposentarem com 55 anos", aborda Christian.

Os membros do Novo garantem que, se eleitos, vão cortar privilégios. "Tem de acabar com privilégios para magistrados, promotores, auditores, políticos. Não tem como pagar essa conta. Ou faz, ou faz. Se não fizer vai acontecer aqui o que houve na Grécia. Em 2022 todo o Orçamento iria para pagar aposentadorias do jeito que está. É daqui a três anos. Não tem saída. Tem de cortar", afirma.