Bauru e grande região

Geral

Exposição marca Revolução de 32

O feriado de amanhã celebra a data; mostra do Museu Histórico Militar de Bauru seguirá até o final deste mês, no 2.º piso do Bauru Shopping

por Cinthia Milanez

08/07/2018 - 07h00

Fotos: Arquivo Pessoal
Com 10 mil peças, o Museu Histórico Militar de Bauru aproveitou a ocasião para fazer uma exposição

Entre as peças estão fotos, livros, fardas, móveis, dinheiro, munições, documentos, troféus e honrarias

Com 10 mil peças, o Museu Histórico Militar de Bauru aproveitou a ocasião - do feriado de amanhã que homenageia a Revolução Constitucionalista de 32 - para fazer uma exposição. O evento seguirá até o final deste mês, no 2.º piso do Bauru Shopping.

Responsável pela coleção, o cabo reformado da Polícia Militar (PM) Jorge Sebastião dos Santos, o J. Santos, revela que, desde a época em que estava ativo, se dedicava a guardar itens da Revolução de 32 e da 2.ª Guerra Mundial.

Tudo começou quando Santos herdou o capacete e o braçal do seu avô, José Antônio Silva, que foi voluntário da Revolução de 32. "Nossa família tem o DNA de 32. Do meu avô, passou para mim e, agora, os meus filhos carregam a paixão por esta história", observa.

Entre as peças da coleção do cabo reformado, estão: fotos, livros, fardas - mais de 200 -, móveis, dinheiro, munições, fragmentos de guerra - como veículos antigos, hélice de avião e bombas já detonadas -, documentos, troféus - mais de 600 - e honrarias.

Agora, Santos luta por um espaço próprio, já que as peças ficam em sua casa, que quase não tem mais espaço. A situação só alivia um pouco quando a família leva a coleção para expor em outras cidades. Inclusive, o museu itinerante já visitou 38 municípios da região de Bauru.

UM POUCO DE HISTÓRIA

Malavolta Jr.
História em família: Laura Reis da Cruz dos Santos, Jorge Sebastião dos Santos e Jorge Júnior viajam por toda região

A Revolução Constitucionalista de 1932, também conhecida como Revolução de 1932 ou Guerra Paulista, foi o movimento armado ocorrido no Estado de São Paulo, entre julho e outubro de 1932, que tinha por objetivo derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas e a convocar uma Assembleia Nacional Constituinte.

De acordo com o professor de história moderna e patrimônio cultural da Universidade do Sagrado Coração (USC), Fábio Paride Pallotta, que é neto do ex-combatente Durval Guedes de Azevedo, grande parte dos voluntários acreditava que, de fato, fazia o bem por São Paulo.

Na verdade, o Estado buscava se manter no poder, após o golpe de 1930, quando o gaúcho Getúlio Vargas assumiu a Presidência da República.

"Mesmo assim, a Revolução de 32 foi importante, porque impulsionou um arranjo político entre Vargas e a elite paulista", argumenta ele.

O estopim da Revolução Constitucionalista foi a morte dos estudantes Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Sousa e Antônio Camargo de Andrade, durante a tentativa de invasão da sede de um jornal favorável ao regime varguista, em 23 de maio de 1932.

A sigla M.M.D.C., que remete às iniciais dos nomes pelos quais os estudantes mortos eram conhecidos (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo), se transformaram no símbolo do movimento.

VOCÊ SABIA? 

Segundo Jorge Sebastião dos Santos, uma das batalhas da Revolução de 32 se deu no Túnel da Mantiqueira, em São Paulo, onde aproximadamente 300 combatentes morreram.

"Antes, em meio à disputa, os paulistas começaram a tocar o Hino da Bandeira e saíram do túnel marchando. De imediato, houve o cessar fogo espontâneo, por parte dos paulistas, cariocas e mineiros. Depois, a batalha continuou", descreve.

SERVIÇO

A exposição do Museu Histórico Militar de Bauru seguirá até o final deste mês, de domingo a domingo, das 10h às 22h, no 2.º piso do Bauru Shopping.

A mostra foi possível após uma parceria entre o museu, o 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPM-I), a Marinha, o Exército, a Aeronáutica e também a Associação dos Ex-combatentes de 32 - Núcleo Joaquim Zagui, em Bauru.

Se alguém tiver qualquer peça relacionada à Revolução de 1932 ou ainda à 2.ª Guerra Mundial e quiser doar ao museu, basta entrar em contato com um dos responsáveis pelos telefones (14) 9 9793-5518 (com Jorge) ou (14) 9 9652-7555 (com Paulo).

Veja mais fotos abaixo:

Fotos: Arquivo Pessoal
Com 10 mil peças, o Museu Histórico Militar de Bauru aproveitou a ocasião para fazer uma exposição