Bauru e grande região

Geral

Batalha: comportas fechadas há 65 dias

Situação é muito preocupante porque Bauru completa mais de 25 dias de estiagem

por Marcus Liborio

10/07/2018 - 07h00

Malavolta Jr.
Volume de água do Rio Batalha na região da lagoa de captação está na marca dos 3 metros de altura, considerado ideal para não prejudicar o abastecimento da cidade

Nesta terça-feira (10), completam 65 dias que as comportas da lagoa de captação da Estação de Tratamento de Água (ETA) foram fechadas em razão da estiagem, que se antecipou em 2018. Praticamente todo o volume de água do Rio Batalha na região da lagoa está retido para manter o nível do reservatório dentro do patamar ideal, de cerca de 3 metros de altura. Em anos anteriores, a medida foi adotada somente em meados de agosto.

A situação é preocupante porque não chove em Bauru desde o dia 13 de junho e a previsão é de que o tempo seco permaneça pela semana inteira, segundo o IPMet da Unesp. Além disso, no período de reposição do lençol freático do manancial, que é de janeiro a abril, a intensidade das chuvas foi insatisfatória, avalia o DAE, que agora tenta agilizar as licitações para colocar em prática o Plano de Contingência elaborado pelo município.

Mesmo diante da possibilidade de chegar a 30 dias de estiagem com temperaturas elevadas, o que gera mais consumo de água, a autarquia diz que não há necessidade, ainda, de economia do líquido. "Bauru não tem uma represa de reserva de água, somente de captação. Dizer para a população economizar não vai adiantar. Essa medida deverá ser tomada se o nível do reservatório baixar para 2 metros de altura", justifica o presidente do DAE, Eric Fabris.

Conforme o JC noticiou, a estiagem começou mais cedo do que o comum neste ano. Normalmente, o tempo mais seco tem início em maio, mas, em abril, o índice de chuvas já estava abaixo da média. "A gente não esperava que a estiagem se antecipasse tanto. A média histórica para esses dois meses (abril e maio) é de 75 milímetros. Em abril, choveu 15 milímetros e, em maio, 10 milímetros", detalha.

Fabris destaca que as chuvas de janeiro a março, geralmente, são suficientes para repor o lençol freático (reservatório natural de água subterrânea que se acumula entre as rachaduras das rochas), o que não ocorreu neste ano. "A maneira como vieram as chuvas foi insatisfatória. Exemplo: chovia durante a manhã, mas fazia bastante sol à tarde, o que não alimenta o lençol freático", explica.

AGOSTO CRÍTICO 

O presidente do DAE adianta que as comportas da lagoa de captação da ETA permanecerão fechadas, como forma de amenizar os riscos de seca. Ele destaca, entretanto, que o nível do Rio Batalha pode ficar em situação crítica já em agosto, dois meses antes do início de um novo período chuvoso na região. "O mês mais critico, geralmente, é em outubro, mas como a estiagem se antecipou em dois meses, a situação é preocupante", reitera.

A grande preocupação é com a área abastecida pelo Rio Batalha, aproximadamente 38% da zona urbana, nas regiões do Centro, Sul, Oeste e Sudoeste, em bairros como Jardim Ouro Verde, Independência, Vila Falcão, Vila Industrial, Altos da Cidade, Jardim Estoril, Jardim América, Vila Dutra e parte do Bela Vista, entre outros.

PLANO DE CONTINGÊNCIA 

A autarquia corre contra o tempo para viabilizar as medidas contempladas no Plano de Contingência. Dos R$ 29 milhões necessários para realizar as obras projetadas, o DAE já tem reservado R$ 15 milhões no orçamento deste ano, montante que será injetado na construção de dez quilômetros de adutoras, que farão a interligação de poços com folga na produção para regiões com menor oferta de água.

Dentro deste orçamento está previsto, ainda, a perfuração de mais três poços no Núcleo Geisel, Jardim América e Santa Cândida, além da construção de três reservatórios, sendo dois na Vila Dutra e um na Vila Pacífico. "As licitações dos poços estão sendo abertas agora. Portanto, se tudo correr bem, as obras devem ser liberadas em outubro", pondera.

'TODAS AS EQUIPES'

"Já em relação às adutoras, o fornecedor tem 30 dias para entregar os tubos e vamos até parar as manutenções da cidade, se for o caso, para colocar todas as equipes trabalhando na construção dessas adutoras. Assim, conseguir jogar, pelo menos, 100 litros por segundo na região do Batalha e poder amenizar o máximo possível o racionamento de água", finaliza o presidente do DAE.

Em números

Em condições normais, a Estação de Tratamento de Água (ETA) produz 550 litros de água por segundo. Segundo Eric Fabris, na crise hídrica registrada em Bauru em 2014, a vazão diminuiu para 250 litros por segundo. Com o Plano de Contingência, a previsão é injetar 212 litros por segundo na região do rio Batalha, gerando um déficit aproximado de 88 litros por segundo.

Estiagem

A "secura" deve permanecer na cidade, segundo previsão do Centro de Meteorologia de Bauru (IPMet) da Unesp. Sem chuva desde o dia 13 de junho, o município caminha para 30 dias de estiagem, uma vez que o tempo seco seguirá pela semana toda.

"E, na última chuva registrada em Bauru, a precipitação acumulada foi de 13 milímetros", detalha o meteorologista do IPMet Fernando de Almeida Tavares, complementando que a umidade relativa do ar deve ficar entre 20 % e 30%. Ele destaca que, por conta de uma frente fria vinda do Sul do País, as temperaturas devem cair hoje e amanhã (dias 10 e 11), ficando entre 13 graus (mínima) e 22 graus (máxima). "Entretanto, depois, já começam a subir gradativamente, voltando ao patamar de 28 a 30 graus de máxima", finaliza o meteorologista.