Bauru e grande região

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Ciclovias começarão a ser conectadas

A primeira etapa do plano de ciclomobilidade contemplará dois grandes eixos, que vão interligar Bauru nos sentidos Norte-Sul e Leste-Oeste

por Tisa Moraes

29/07/2018 - 07h00

Um sonho antigo de entusiastas do uso da bicicleta como meio de transporte finalmente deve começar a sair do papel. Prestes a concluir o Plano de Mobilidade Urbana de Bauru, a Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) revelou que pretende, ainda neste ano, começar a implantar ciclovias para interligar grandes eixos de tráfego da cidade.

No longo prazo, o plano, que foi debatido com cicloativistas, prevê a criação de mais 70 quilômetros de ciclovias, uma meta que, se concretizada, poderá transformar Bauru em município de referência em segurança, democratização e sustentabilidade do trânsito urbano. Hoje, a cidade conta com quase 12 quilômetros de ciclovias, mas que estão segmentadas em três trechos isolados.

Pela proposta da Seplan, ao menos dois eixos, que cortarão a cidade nos sentidos Norte-Sul e Leste-Oeste, deverão ser concluídos até o final da gestão Clodoaldo Gazzetta, em 2020.

Um será implantado em toda a extensão da avenida Nações Unidas, fazendo a interligação, nos dois extremos, com ciclovias já existentes nas avenidas Nações Norte e Engenheiro Luís Edmundo Carrijo Coube, até a Unesp. O outro partirá das margens do Córrego Barreirinho, na altura dos jardins Flórida e Silvestre, zona leste da cidade, até a avenida Comendador José da Silva Martha, na altura da linha férrea.

Malavolta Jr.
De acordo com a titular da Seplan, Letícia Kirchner, os dois primeiros eixos deverão ser concluídos até o final de 2020

Como esta parte final do trecho ficará em área operacional da ferrovia, a Seplan ainda aguarda autorização de uso por parte do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). "Neste trecho, que está fora das áreas urbanizadas, será necessário um investimento maior, com iluminação, calçada e arborização", frisa a titular da secretaria, Letícia Kirchner.

Ela explica que, ainda neste ano, a pasta deve iniciar a primeira etapa do plano cicloviário, com a construção de ciclovia na Nações, entre o Parque Vitória Régia e o Hospital Estadual (HE). A passagem de bicicletas será instalada no canteiro central, que receberá projeto paisagístico da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma).

"Vamos, por exemplo, tentar manter as árvores existentes, desviando o trajeto da ciclovia, ou fazer o remanejamento das espécies e até mesmo colocar novas", detalha.

INVESTIMENTO

O investimento estimado para a implantação dos 70 quilômetros de ciclovias é de até R$ 14 milhões. Porém, com o objetivo de baratear custos e, assim, agilizar a execução da malha cicloviária, a Seplan irá trabalhar em parceria com a Secretaria de Obras, que fará, com mão de obra própria, parte dos traçados.

Um deles é este primeiro, do Vitória Régia até o HE. "Em vez de concreto pigmentado, iremos utilizar asfalto, algo plenamente viável. Apesar da manutenção periódica da pintura, fica muito mais em conta, porque, além de ser material mais barato, temos equipe própria e a estrutura de maquinários", explica. O trajeto será bidirecional e terá entre 2 metros a 2,5 metros de largura. Em trechos como o do viaduto da Marechal Rondon, onde a sustentação de concreto toma o lugar do canteiro central, a ciclovia terá de ser dividida, conforme explica a arquiteta e urbanista da Seplan Ellen Beatriz Castro, coordenadora do Plano de Mobilidade. "Acredito que seja possível um ajuste, sem extinguir faixas de rolamento para veículos, já que elas são mais largas, com mais de 4 metros, quando o suficiente para a velocidade da via é de 3,2 metros. Esta adequação permitirá ciclovias com 1,5 metro de largura, em cada sentido, junto à sustentação do viaduto".

 

Da Comendador ao Vitória

Depois de concluídos os dois eixos prioritários, a implantação de ciclovias na avenida Comendador José da Silva Martha, em toda extensão, deve entrar no segundo pacote do projeto de expansão da malha cicloviária, partindo da altura do Residencial Monte Verde, nas imediações da saída para Piratininga, até a Praça Portugal. O trajeto deverá contemplar a conexão com ruas da zona sul próximas ao Bosque da Comunidade até chegar ao Vitória Régia, que já contará com ciclovia na Nações Unidas. Assim como na Nações, na Comendador a ciclovia passará pelo canteiro central. Com isso, a ciclofaixa da via será extinta. Levantamento topográfico que precede as obras será feito realizado por construtora que tem empreendimentos na região.

Estímulo à demanda​

Experiências em cidades de outros países e até mesmo no Brasil demonstram que, quando estruturas seguras são oferecidas, o deslocamento por meio de bicicletas é estimulado. “Um exemplo é a avenida Faria Lima, em São Paulo, que recebe, durante a semana, 3 mil ciclistas em horário de pico. Antes, a contagem era baixa”, cita o cicloativista Fábio Eduardo da Silva, 41 anos, integrante do Pedala Bauru, grupo que participou das discussões para a elaboração do plano de ciclomobilidade da cidade.

Ele lamenta a inexistência de estatísticas sobre o uso de bicicleta em Bauru, o que poderia contribuir para a definição do cronograma de implantação das ciclovias após a implantação dos dois eixos que cortarão a cidade. Nos últimos três anos, o grupo chegou a fazer contagens por conta própria, quando detectou um número significativo de ciclistas em locais como os viadutos Mauá e Eufrásio de Toledo. Outro ponto, da Nuno de Assis em direção ao Mary Dota, será contemplado na primeira etapa de implementação da malha cicloviária, conforme foi adiantado pela Seplan. “Na Nuno, quando fizeram a ciclofaixa, foi perceptível o aumento do fluxo de ciclistas, mesmo não sendo a estrutura ideal. Se o projeto for implementado visando atender as reais necessidades das pessoas que se deslocam por bicicleta, acredito que mais pessoas se sentirão estimuladas a começar a usar este meio de transporte”, completa.

POR SUSTENTABILIDADE, SEGURANÇA E INCLUSÃO

Samantha Ciuffa
Ellen Castro, da Seplan: ciclovia garante direito de deslocamento

Uma cidade com boa estrutura cicloviária é um lugar com trânsito mais seguro, sustentável e democrático. É o que aponta a arquiteta e urbanista da Seplan Ellen Beatriz Castro, coordenadora do Plano de Mobilidade de Bauru. "Segregada do tráfego de outros veículos, a ciclovia dá segurança para quem optar por este meio de transporte, da criança ao idoso. E é um modal que, mesmo que a pessoa utilize uma vez por semana, contribui para a redução da poluição, além de permitir inclusão social. É uma forma de garantir o mesmo direito de deslocamento para quem tem uma bicicleta de R$ 300,00 ou um carro de R$ 30 mil", analisa.

Ellen explica que o plano de ciclomobilidade busca contemplar a implantação de passagens em fundos de vale, que são locais planos e onde, em alguns casos, a prefeitura tem intenção de implantar parques lineares a longo prazo, como no Córrego Barreirinho. O objetivo é que as ciclovias funcionem como vias "coletoras" do fluxo de bicicletas, permitindo o deslocamento seguro de um lado a outro, com utilização, no ponto de partida e chegada, de ruas com menor tráfego de veículos. Neste contexto, as ciclofaixas e ciclorrotas (veja quadro na página 4) existentes em Bauru tornam-se ferramentas auxiliares para a realização dos percursos. Com estrutura cicloviária minimamente instituída, a intenção é construir bicicletários em pontos estratégicos, para integrar com outros meios de transporte, como os circulares.

O traçado dos dois eixos

Um dos eixos prioritários será implantado na extensão da Nações Unidas, fazendo conexão entre a Nações Norte e a Engenheiro Luís Edmundo Carrijo Coube, até a Unesp. O outro partirá das margens do Córrego Barreirinho, passando pela rotatória da avenida Rosa Malandrino Mondelli, sentido Nuno de Assis. “Na Nuno, a ciclovia será interligada à ciclofaixa que já existe até a Nações. De lá, o segundo trecho da Nuno, que depende do cronograma de recape, ganhará ciclovia, que passará sob o viaduto Falcão-Bela Vista, margeando a rua Sorocabana e o Córrego Água do Sobrado, até chegar à avenida Comendador José da Silva Martha”, detalha a titular da Seplan, Letícia Kirchner.