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Técnica ensina como iniciar texto

Pós-doutor em Línguas e Culturas, Valdenildo dos Santos criou metodologia para ajudar alunos de escolas públicas com dificuldade para escrever

por Marcus Liborio

05/08/2018 - 07h00

Samantha Ciuffa
Valdenildo dos Santos fez uma pesquisa acadêmica que resultou em uma metodologia para ajudar alunos de escolas públicas a desenvolverem textos

Como começar um texto? Essa é uma dúvida da maioria dos estudantes dos ensinos fundamental e médio. O pós-doutor em Línguas e Culturas Valdenildo dos Santos realizou uma pesquisa acadêmica que resultou em uma metodologia para ajudar alunos de escolas públicas. O objetivo é que cada um deles desenvolva a escrita com mais facilidade. Criou essa técnica depois de identificar que o principal obstáculo era justamente iniciar a redação, após ler o enunciado da questão.

"Percebi que a dificuldade da maioria, eu diria em torno de 95% dos alunos, era ter um norte, um método, que desse condições a eles de escrever. Quando se diz respeito à interpretação e produção de texto, os alunos de escola pública são treinados com gêneros textuais. Tive a ideia, então, de criar uma ferramenta para ajudar nessa questão", conta.

Em resumo, trata-se de implementar a semiótica em sala de aula, ou seja, o estudo dos signos, que consistem em todos os elementos que representam algum significado e sentido para o ser humano, abrangendo as linguagens verbais e não-verbais.

Santos explica que o trabalho visa, por meio de uma postura democrática, deixar que o aluno escolha o gênero textual de sua preferência. Além de motivá-lo, o método serve para capacitá-lo no que diz respeito ao domínio dos níveis de leitura. "Essa proposta é inovadora porque não trabalha especificamente com gêneros textuais, mas com a possibilidade de que você pode, a partir da decodificação e interpretação do texto, produzir um novo texto".

SEQUÊNCIA DIDÁTICA

Na prática, foi desenvolvida uma sequência didática, com objetivo de mostrar as possibilidades de leitura do texto em três níveis: superficial, intermediário (narrativo) e discursivo. "Basicamente, os aspectos do primeiro nível (superficial) são: encontrar as oposições do texto, o que o texto afirma e o que nega, e o ele traz de positivo e negativo", explica.

O nível narrativo trabalha as manipulações contidas no texto. "São quatro: sedução, provocação, intimidação e tentação. Ainda há, dentro do percurso gerativo, a competência, a performance e a sanção", acrescenta o pós-doutor, destacando que, desta maneira, os alunos terão um norte no processo da desconstrução e construção do sentido do texto de maneira autocrítica, o que refletirá em uma escrita mais adequada e coerente.

"Constatei que faltam, nas escolas públicas, as teorias que estão disponíveis. Escolher uma e se debruçar nela do início ao fim, e não trabalhar com várias teorias. Se o aluno da escola pública tem essa ferramenta em mãos, ele não estará só preparado para o Enem, mas também para a universidade", finaliza.

Santos começou as análises em 2013 e aplicou os estudos em quatro escolas públicas de Três Lagoas e uma de Andradina (MS), entre 2015 e 2016. O pós-doutor em Línguas e Culturas divulgou a pesquisa em Pittsburgh e Filadélfia, neste final de semana.

Quem é? 

Valdenildo dos Santos, 57 anos, é pós-doutor em "Languages and Cultures" (Linguagens e Culturas) pela Purdue University West Lafayette Indiana (EUA); doutor pela Unesp de Assis em Língua e Linguística Portuguesa (semiótica); mestre em Comunicação e Poéticas Visuais pela Unesp de Bauru; e bacharel em Letras (português e inglês) pela Universidade do Sagrado Coração (USC) de Bauru. Atualmente, é professor pós-doutor atuando na graduação e mestrado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).