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Bauru tem 'boom' de serviços a idosos

Mercado em franca expansão passa por clínicas até excursões e cursos diversos

por Marcus Liborio

02/09/2018 - 07h00

Samantha Ciuffa
Míriam ensina teclado para Zelinda, 78 anos, uma de suas alunas da terceira idade

Nas últimas duas décadas, a terceira idade ganhou mais espaço com o envelhecimento da população. E isso teve um efeito direto no mercado, com uma maior demanda e, claro, oferta de serviços. Desde atendimento psicológico e excursões, passando por cursos diversos e busca por condicionamento físico especializado, o mercado voltado para este público não somente teve um "boom" e se consolidou em Bauru, mas também está mais diversificado. Para se ter uma ideia, em cinco anos, dobrou o número de clínicas geriátricas na cidade e o de profissionais no ramo teve um aumento incrível de 1.000% (leia mais abaixo).

Malavolta Jr.
A psicóloga Gislaine Fantini afirma que perfil do idoso mudou: "Ele quer manter a qualidade de vida e ter um envelhecimento bem sucedido"

Avanços da medicina e conscientização em cuidar da saúde vêm elevando a expectativa de vida dos brasileiros. No município, o número de habitantes com 60 anos ou mais ultrapassava a marca dos 60 mil em junho deste ano, volume 16% maior que em 2014, segundo dados do IBGE. Muito além disso, o idoso de hoje está cada vez mais receptivo a novas experiências e aprendizados, o que tem movimentado o mercado como um todo.

"É muito interessante ver o novo perfil do idoso, porque ele aceita as novidades. O idoso de antigamente era o dono da verdade. Atualmente, isso mudou. Ele está aberto a receber coisas novas. Por isso, tem tantos serviços sendo oferecidos ao público da terceira idade. Ele quer manter a qualidade de vida e ter um envelhecimento bem sucedido", destaca a psicóloga com atuação no envelhecimento da população Gislaine Aude Fantini.

A especialista ficou 18 anos à frente da Universidade Aberta à Terceira Idade (Uati) da USC e, recentemente, abriu uma clínica com foco na geriatria. "Hoje, as famílias estão com um número muito grande de idosos e não sabem o que fazer com eles. Existe demanda, pois a qualidade de vida melhorou. Então, o público da terceira idade sente que precisa fazer algo e acaba usufruindo de todo tipo de serviço". 

'DESPERTOU PARA VIDA'

Divulgação
Mariuza e Celso em viagem a pesqueiro: ativo, casal colabora para aquecer o mercado com foco no público da terceira idade

É o caso de Mariuza Davila Santana, 61 anos, e Celso Rodrigues Madureira, 70. Ativo, o casal consome diversos serviços, como excursões e curso de informática. "Parece que o pessoal da terceira idade despertou para a vida. Busca lazer e divertimento. A gente sai à noite para comer uma pizza, recentemente viajamos com um grupo de amigos da nossa idade e também fizemos aulas para aprender a mexer no computador e no notebook", elenca Mariuza.

"Duas vezes por semana, nós fazemos ginástica através de um projeto voltado para idosos. Dias atrás, visitamos um pesqueiro na região. O mercado para a terceira idade está, de fato, bastante aquecido. É a lei da oferta e da procura", opina Celso.

VIAGENS E CURSOS

As agências de viagens também refletem essa realidade. Proprietária de uma empresa de turismo, Ângela Marta Aiello afirma que 90% de seus clientes são da terceira idade. "Todos eles acima de 60 anos. Os mais velhos buscam segurança e qualidade nas viagens, justamente o que nós oferecemos. Geralmente, preferem lugares com praia", detalha.

Outra que tem focado na prestação de serviço ao público da terceira idade é a professora de música Míriam Belancieri. "De 30 alunos, 20 são idosos. Essa realidade vem acontecendo há uns quatro anos. A terceira idade está muito ativa, buscando conhecimento. Além da aula de teclado, eles me procuram para aprender informática, mexer em celular e tablet".

'SE ADEQUAR'

Malavolta Jr.
Aristóteles Giacomini, 88 anos, em sessão de pilates com a fisioterapeuta Agatha Kaline     

Uma das formas de melhorar o condicionamento físico, o pilates (método composto por exercícios e alongamentos que utilizam o peso do próprio corpo) também tem atraído a terceira idade. O fisioterapeuta Roni Toledo confirma que, em sua clínica, 70% dos pacientes pertencem a esse perfil. "A terceira idade está com a mente mais aberta para buscar qualidade de vida. A perspectiva de vida é  maior hoje e eles entenderam que, desta forma, terão saúde para outras atividades de lazer. Portanto, as clínicas estão buscando se adequar a essa realidade", frisa.

"Sempre tive problema de coluna e, então, resolvi fazer o pilates. É muito bom. Creio que, hoje, a terceira idade está mais consciente desses cuidados do que antes. Mudou o perfil porque tem mais informação. Sem contar que, além de melhorar o condicionamento físico, faço novas amizades na clínica", exalta Aristóteles Giacomini, 88 anos.

Em 5 anos, dobra número de clínicas geriátricas

Samantha Ciuffa
Dona de uma clínica geriátrica, Luana dos Santos afirma que expectativa de vida dos brasileiros tende a aumentar mais

Em cinco anos, dobrou o número de clínicas geriátricas instaladas em Bauru e "explodiu" o total de cuidadores. Segundo dados da prefeitura, em 2013, foram registrados 20 estabelecimentos (entre asilos, clínicas e residências geriátricas) na cidade, enquanto neste ano o município contabilizou 41 inscrições. No mesmo período, a quantidade de profissionais da área saltou de 24 (acompanhante de idosos e cuidadores de idosos e enfermos) para 265, um crescimento de expressivos 1.000%.

Proprietária de um residencial geriátrico em Bauru, a enfermeira Luana de Paula dos Santos Burgos reitera que a expectativa de vida vem aumentando cada vez mais. "Estudos apontam que o Brasil será o sexto País do mundo em número de idosos em 2025, havendo, assim, uma necessidade de buscar conhecimento e treinamento para lidarmos com eles".

"Sabemos que é bastante trabalhoso o cuidado com os idosos e muitos familiares gostariam de cuidar em casa. Porém, isso acabaria exigindo que deixassem seus empregos, gerando uma situação bastante complicada, uma vez que cada detalhe no cuidado é essencial", aponta, justificando a maior procura por serviço especializado e, consequentemente, o aumento do número de clínicas geriátricas na cidade.

Cuidadora de idosos há dez anos, Elisângela Rufino Rodrigues, 37, diz que jamais ficou sem emprego na área. "Não falta serviço porque tem demanda", pontua, acrescentando que conseguiu um novo trabalho cinco dias depois de anunciar seus serviços através do Classificados do JC. "É uma profissão que está em alta", finaliza.

Até curso de smartphone

Outra a prova de como a qualidade de vida dos idosos está em alta é um curso oferecido pela Associação dos Aposentados, Pensionistas e Idosos de Bauru e Região (AAPIBR). Se as gerações atuais parecem já nascer com os dedinhos guiados pelas novas tecnologias, muitos da terceira idade têm dificuldades em se adaptar. Para acabar com tais dúvidas, ocorrerá, nos dias 4 e 14 deste mês, o Curso de Smartphone. São turmas abertas para sócios e não sócios.

As inscrições devem ser feitas na secretaria da AAPIBR, que fica na rua Júlio Prestes, 1-58, em Bauru. Telefone: (14) 3233-6437.