Bauru e grande região

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A vida sorri para ele

Ortodontista é o atual presidente da Sorri, entidade que lhe dá muito orgulho; no início da carreira, trabalhou no Norte do País e atendeu quem trabalhava no garimpo

por Dulce kernbeis

21/10/2018 - 07h00

Douglas Reis
Evandro Ventrilho destaca as importantes ações da Sorri

Restituir a saúde bucal e garantir um belo sorriso é a profissão do ortodontista Evandro Ventrilho. Ele próprio é dono de um belo sorriso e, aos 60 anos incompletos, não lhe faltam motivos para sorrir: seja pela bela família, seja pela busca do autoconhecimento por meio da meditação ou pelo trabalho 100% voluntário como presidente da Sorri, entidade que o cativou e o faz sorrir ainda mais. Evandro faz questão de definir-se como um 'homem de família'. Não à toa, tem os dois irmãos como melhores amigos. Em casa, ainda mantém como prioridade o encontro com a esposa e filhos, no em torno da casa, durante as refeições. A seguir, os principais trechos da entrevista:

Jornal da Cidade - Você é bauruense?

Arquivo Pessoal
Casal Evandro e Francine ladeado pelos filhos João e Marina

Evandro Ventrilho - Sim, apesar de ter passado boa parte da infância fora. Meu pai era do Banco do Brasil, de forma que eu vivi em várias cidades. Morei no Mato Grosso, no Paraná, mas depois voltamos e aqui ficamos. Gosto muito de Bauru. Estudei fora, mas voltei para fazer especialização na USP, aqui.

JC - Além de ser sua terra natal, onde escolheu para viver, como já disse, como você definiria Bauru?

Evandro - Como uma cidade maravilhosa. Bauru é acolhedora, recebe muito bem os de fora, além de ser polo de toda uma região. Tenho pacientes de Lençóis, Pederneiras, além de ser, no meu ramo, a grande referência. Quando saía para trabalhar fora, o simples fato de eu dizer que era de Bauru já me abria muitas portas. Claro que precisava um pouco mais de representatividade política.

JC - O que precisa?

Evandro - Sendo tão forte e tão poderosa como é, me espanta não conseguir eleger mais representantes para a Câmara Federal e a Assembleia Legislativa. Temos muito poucos representantes lá fora. Graças a Deus este ano Bauru elegeu o Rodrigo Agostinho e eu vibrei com isso. Mas é uma pena que não tenhamos dois ou três deputados estaduais. Lamentável. As pessoas não sabem o quanto isso é importante para uma cidade. Faz muita diferença termos mais representantes.

JC - Você já teve uma vida esportiva, né?

Evandro - Lá atrás, faz tempo... Quando jovem, fui campeão de handebol. Cheguei até a defender a seleção paulista em 1987. Morava em Pirajuí nessa época e a equipe de lá era bem forte. Acabei sendo convocado e disputando os JEBs - Jogos Estudantis Brasileiros. Me lembro que jogamos lá em São Paulo, na Água Branca, ficávamos concentrados lá. Uma época muito gostosa.

JC - E hoje em dia?

Evandro - O esporte faz muito bem. Meu filho está no basquete da Criarte com a Suzete e eu sou torcedor do Bauru Basket, faço questão de assistir a todos os jogos. E eu cuido do físico com academia duas vezes por semana. Para mim isso é religioso. Sou jogador de futebol de final de semana. Tenho um grupo de amigos que se reúne para bater bola. Eles também são como uma família para mim.

JC - Você frisa o "também" porque valoriza muito a família, é isso?

Evandro - Exatamente. Adoro os amigos, valorizo muito as amizades. A família para mim é tudo. Meus melhores amigos são meus irmãos, Roney e Marcelo. Temos uma tradição de toda quinta-feira almoçarmos na casa da mãe, Nilza. Esse encontro é sagrado. Vão todos os filhos e netos. Outra tradição que faço questão de manter é o café da manhã e o almoço com todo mundo em família. Acho que isso ajuda a estreitar os laços. Somos tão unidos que ainda temos juntos uma empresa familiar, a MaxCred Bauru, empresa de factoring. Festejamos juntos e trabalhamos juntos, com todos os desafios que isso implica. E é muito bom.

JC - E mais recentemente você agregou à sua vida outra família: a Sorri.

Evandro - Eu já fazia parte do conselho da entidade e, de repente, o João (João Carlos de Almeida, o João Bidu) precisou se afastar e eu assumi. Sou o presidente em exercício. É um trabalho voluntário, mas extremamente gratificante. A Sorri é uma entidade que faz um trabalho extraordinário de recuperação. Está aí há mais de 40 anos, atendendo mais de 1.800 pessoas de 13 municípios. Serviços de reabilitação, inclusão, ortopedia, há uma infinidade de ações. É muito gratificante estar na Sorri e fácil de comandar (risos).

JC - Como assim?

Evandro - A Sorri não tem dívidas, é uma entidade muitíssimo bem administrada, está com todas as contas aprovadas, a diretoria é muito boa. E com o João Bidu à frente, ele é um ídolo, um homem muito respeitado, é só falar o nome dele e as portas se abrem. Sem contar os parceiros excelentes que a Sorri tem como o próprio Grupo Cidade, o Tauste, a Tilibra, entre outros. Quero agradecer a todos que têm sempre nos ajudado e sei que há muito mais a ser feito.

Arquivo Pessoal
Festa junina em família já é tradição: (da esq. para a dir.) Sofia, Maria Eduarda, Marcelo, Nathalia, Nilza, Evandro, Francine, João, Marina, Roney, Heloísa, Matheus e Arthur

JC - Esse lado filantrópico é novo na sua vida, então?

Evandro - Ao contrário. Meus pais sempre foram do Lions. Minha mãe, Nilza tem uma atividade incrível no leonismo. Em casa, a gente cresceu vendo e fazendo trabalhos sociais. A filantropia é gratificante demais, algo que dificilmente você consegue largar. Uma vez que a gente entra para fazer trabalho voluntário, sempre vai querer fazer mais e mais.

Arquivo Pessoal
As três gerações sempre unidas: Saulo, Evandro e João

JC - E a odontologia o que representa na sua vida?

Evandro - Um prazer, o maior prazer do ponto de vista profissional. Quando vou ao consultório, eu me realizo. Não me canso de fazer o que gosto. Executo com grande paixão.

JC - Tem um fato curioso envolvendo essa paixão, né?

Evandro - Foi lá no começo da minha carreira, meados dos anos 90. Todo começo é difícil, claro. E a gente ia, eu e mais dois profissionais, dar atendimento em Boa Vista, em Roraima, e em Rio Branco, no Acre. Lembra de Serra Pelada, o ciclo do garimpo de ouro? Pois a gente tinha de ter uma balancinha mesmo para pesar porque o pagamento era feito em pepitas. A gente pesava e convertia. E quem pagava em cheque, a gente trocava no comércio por ouro para não perder muito dinheiro porque a inflação consumia tudo. A inflação era muito alta na época.

JC - Um trabalho que só deu alegrias.

Evandro - Na maior parte das vezes, sim. E era também um trabalho social, não havia ortodontista por lá. Mas era um sacrifício. Ia de 15 em 15 dias ou de mês em mês e ficava lá três, quatro dias. Só havia um voo por dia. Se perdesse aquele, só no dia seguinte. Imagina que, por causa de fumaça de queimadas, houve um dia em que o avião não pousou. E eu não pude vir na formatura da minha esposa. Perdi a formatura dela em fisioterapia. Na época, era namorada. Quase perco a futura esposa ali e não teria essa família tão bonita que tenho hoje.

JC - E estão juntos até hoje?

Evandro - Namoramos quatro anos e meio e estamos casados há 17 anos, temos dois filhos adolescentes. São jovens maravilhosos e estão naquela fase difícil onde os cuidados precisam ser redobrados, deve haver muita conversa, muito diálogo.

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Evandro, o irmão Roney, a mãe Nilza e o outro irmão Marcelo

JC - Com tantas atividades e a família como você dá conta?

Evandro - Através da meditação. Sou autodidata, mas descobri o poder de meditar e tem me feito muito bem. É uma terapia e tanto. Acho que a gente tem que focar no autoconhecimento até para poder entender os jovens e este mundo que está aí à nossa volta. Ainda pretendo fazer ioga.

JC - Para encerrar...

Evandro - Agradecer e fazer um pedido para que as pessoas conheçam mais a Sorri, participem mais das ações, festas e conheçam o trabalho. Tem muita gente aqui em Bauru que não sabe o que a Sorri faz. Às vezes, nem que existe.

RAIO X

Nome: Evandro Ventrilho

Nascimento: 06/03/1969, em Bauru

Filiação: Saulo Ventrilho e Nilza Rodrigues Ventrilho. Somos três irmãos - Roney (economista) e Marcelo (veterinário), sou o do meio.

Esposa: Francine Rodrigues Vicente Ventrilho

Filhos: João e Marina de 13 e 14 anos

Religião: Católica, faço parte da comunidade de São Cristóvão

Time de futebol: Corinthians