Bauru e grande região

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O comércio quer saber: onde estão os seus R$ 32 em moedas?

Essa é a média, segundo o Banco Central, que cada habitante possui

por Cinthia Milanez

09/11/2018 - 07h00

Cinthia Milanez
Lotérica no Jardim Brasil lançou campanha para angariar moedas

Essenciais para garantir o troco correto, as moedas estão em falta no mercado bauruense. Porém, segundo o Banco Central (BC), há R$ 6,7 bilhões destes metais circulando pelo País, o que corresponde a R$ 32,00 por habitante. Logo, a dúvida é: cadê os seus R$ 32,00 em moedas?

Ainda de acordo com o órgão, o problema, em grande parte, é provocado pela retirada de circulação destes itens - ao poupá-los em cofrinhos, perdê-los ou esquecê-los em algum lugar, como gavetas e bolsos de roupas. A estimativa é de que o fenômeno, denominado entesouramento, abranja 35% do total de moedas circulantes, ou seja, existem R$ 1,4 bilhões.

Diante de tal tendência, os comerciantes têm de rebolar para garantir o troco. A proprietária de uma lotérica situada na região do Jardim Brasil, que preferiu não ser identificada, deu
início à campanha “Troque a sua moeda por ‘dindin’ e ponha no cofrinho”.

O objetivo, segundo ela, é fazer com que os clientes abandonem o hábito de guardar moedas em cofres e passem a utilizá-las na hora da compra. “Neste final de ano, muita gente esvazia os cofrinhos e vem até a lotérica para trocar por dinheiro. Mas, depois de janeiro, o problema volta a ocorrer”.

Ainda de acordo com a proprietária da lotérica, as pessoas não têm o costume de pagar
com moedas. “Certa vez, um cliente resistiu em procurar os metais dentro carro, mas eu insisti que precisava. O homem voltou com R$ 35,00 em moedas. Nem ele sabia que tinha
tanto dinheiro assim”, narra.

IDEIAS CRIATIVAS

Divulgação
Criado em 2017, o Cofrinho Solidário da Rede Confiança Supermercados arrecada moedas e ajuda quem precisa

Já a Rede Confiança Supermercados criou, em 2017, o Cofrinho Solidário, que está disponível nas 11 lojas do grupo. O intuito é sanar a falta de moedas em circulação e, ainda
por cima, ajudar quem precisa, conforme constata a coordenadora de Projetos Sociais da
empresa, Rosana Fernandes.

A logística é simples. Os clientes fazem doações de moedas, que são revertidas ao caixa da Rede. A empresa, então, deposita o valor total obtido na conta de diferentes entidades assistenciais, trimensalmente. “No início, arrecadávamos R$ 3 mil, a cada três meses. Agora, conseguimos R$ 5 mil. O pessoal está participando”, observa.

A Papelaria Imagem, por sua vez, optou por comprar moedas de R$ 0,05 e R$ 0,10, mas paga 20% a mais do valor. Gerente de uma das lojas da empresa, Ricardo Ferreira alega que a ideia surtiu resultado.”Nós trabalhamos com produtos de baixo custo, como lápis e canetas, e quase nunca tínhamos R$ 0,05 ou R$ 0,10 para voltar ao cliente. Acabávamos
abaixando o preço, fato que nos prejudicava, se levássemos em conta o balanço mensal”, finaliza.

'EMPURRÃOZINHO'

Em nota, a assessoria de comunicação do Banco Central esclarece que o órgão estimula a recirculação de moedas. Em 2018, até setembro, disponibilizou 489 milhões de novas unidades. A produção anual chegará à casa dos 695 milhões de moedas.

Quanto às cédulas de baixa denominação, o BC ofertou, até setembro de 2018, 164 milhões de notas de R$ 2,00 e 104 milhões de notas de R$ 5,00.

Além disso, o órgão lembra que não é a única fonte possível de moedas metálicas, uma vez que bancos e o comércio em geral também podem captá-las junto aos clientes. "O estímulo à recirculação de moedas melhora a oferta de troco e contribui para a economia do gasto público", conclui o BC, em nota.