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Matemática: estudante de Bauru é ouro em olimpíada

Diego Takarabe, 14 anos, foi o único aluno da rede estadual de ensino a conquistar o prêmio em 16 municípios da região

por Tisa Moraes

16/12/2018 - 07h00

Samantha Ciuffa
Diego Takarabeha é medalha de ouro em olimpíada de matemática

Seja na leitura sobre a história do futebol ou nos estudos de fatos históricos brasileiros, os números chamam atenção do estudante Diego Toshio Rodrigues Takarabe. Datas, percentuais, estatísticas: tudo fica registrado na cabeça do jovem de 14 anos, que, de maneira não tão surpreendente, ganhou medalha de ouro na Olímpiada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep) 2018.

Aluno do 9º ano da escola estadual Professor Antonio Guedes de Azevedo, em Bauru, ele foi o único aluno da rede pública a alcançar o feito nos 16 municípios abrangidos pela Diretoria Regional de Ensino (DRE). Na região, outros 23 alunos conquistaram medalhas de prata e bronze. No Estado de São Paulo, foram 723 vencedores e Diego figurou na 18ª posição da lista entre os que tiveram melhor desempenho nas escolas estaduais.

Filho único de um casal de vendedores, o adolescente conta que descobriu a paixão pela matemática quando ingressou no 6º ano do Ensino Fundamental. Foi nessa época que começou a encontrar sentido em todo aquele emaranhado de números que é sinônimo de terror para a grande maioria dos estudantes.

"Antes, eu achava que era apenas um monte de cálculos que não serviam para nada. Quando comecei a aprender contas de raciocínio lógico, passei a gostar", conta. O ano era 2015 e Diego participou pela primeira vez da Obmep, alcançando, de início, uma menção honrosa.

No ano seguinte, conquistou medalha de bronze, sedimentando o caminho trilhado até o ouro, em 2018. O segredo do sucesso, o jovem conta: não basta ter aptidão.

"O estudo precisa ser progressivo, um pouco a cada dia, para absorver o conhecimento. Não basta gostar da matéria, precisa ter esforço também", ensina, acrescentando que sua dedicação se estende até mesmo para disciplinas com que não tem tanta intimidade, como português e artes.

PAI TRANQUILO

Diante de tanto empenho e foco, o pai, o vendedor autônomo Robson Takarabe Pagani, 47 anos, diz ter um papel pequeno a desempenhar. "Felizmente, eu não preciso ser aquele pai que tem de mandar o filho estudar. No meu caso, tento aconselhá-lo a descansar de vez em quando. Meu papel é fácil", comenta, revelando que ele, assim como seu pai, também sempre tiveram facilidade com os números. "Mas, claramente, isso foi sendo aprimorado ao longo das gerações", completa.

Diego deverá ir ao Rio de Janeiro para receber a medalha de ouro conquistada na Obmep 2018. Enquanto a solenidade não ocorre, ele aguarda o resultado do processo seletivo do Colégio Técnico Industrial (CTI) da Unesp, onde sonha cursar o Ensino Médio para conseguir ingressar em uma universidade pública. Seu plano para o futuro? Ser professor de matemática.

"Percebo que tenho dom para ensinar, gosto de ajudar meus amigos que têm dificuldade para entender a matéria", comenta, para alegria da professora Mônica Vanessa de Souza Oliveira, que estimulou Diego a aprimorar seus conhecimentos na escola. "Ele é um aluno muito generoso e que aprende tudo muito rápido. A gente fica emocionada", diz.