Bauru e grande região

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Jesus: um líder extraordinário

Religiosos de Bauru falam sobre como Cristo, para além de Sua ligação com o Divino, tinha características que influenciam até hoje

por Tisa Moraes

25/12/2018 - 07h00

Malavolta Jr.
Dom Rubens Sevilha, Bispo da Diocese de Bauru

Mais de dois mil anos depois do Seu nascimento, Jesus Cristo ainda continua arrebatando bilhões de pessoas ao redor do mundo. Independentemente da religião que cada um professe, não dá para negar a grande influência que este homem exerceu e ainda exerce no planeta.

De origem humilde, o pacifista judeu liderou um grande movimento popular que acolhia pobres, doentes e marginalizados sob domínio do Império Romano. Não apenas com palavras, mas também com atitudes que referendaram a força do seu caráter, Jesus estabeleceu-se como um líder extraordinário, que não precisou impor sua autoridade, conseguindo arrebanhar seguidores que se juntaram a ele espontaneamente.

Nesta data, que comemora o nascimento de Cristo, o JC conta, com a ajuda de lideranças religiosas de Bauru, um pouco sobre a história de Jesus que, para além de Sua ligação com o Divino, influenciou de maneira positiva mentalidades e comportamentos.

Também foi exemplo de humildade e trabalho em equipe, um dirigente que se submeteu a morrer por seus seguidores e que designou seus 12 apóstolos para pregar mandamentos de amor, salvação e paz no mundo. Segundo os religiosos ouvidos pela reportagem, Jesus pode ser considerado até mesmo um revolucionário: não no aspecto político ou de luta de classes, como defendem algumas correntes, mas sim por ter sido contestador de um estado opressor.

Por meio do poder transformador de sua mensagem de amor, Jesus instituiu um novo tempo. Recebido como ameaça pelo poder vigente, foi torturado e crucificado, uma forma de condenação à morte prevista pela lei romana.

"No credo católico e ortodoxo, afirma-se: 'Jesus, verdadeiro Deus, verdadeiro homem''. Ou seja, Ele não se travestiu de ser humano. Ele assumiu a humanidade. E o mistério é justamente como homem e Deus se unem em uma mesma pessoa.

O que encanta toda a humanidade, não apenas a cristã, são os valores que Jesus propôs, que são fundamentais e eternos, como a regra de ouro: não fazer para o outro o que eu não quero que façam para mim. Outra é pagar o mal com o bem, algo difícil de praticar sem a ajuda de Deus, mas que é a solução para combater a violência e o sofrimento da sociedade.

Jesus é modelo de simplicidade, doação, amor às pessoas, humildade, paciência e tolerância, que precisam ser mais praticadas pela humanidade hoje. Também demonstrou capacidade de trabalho em equipe, formando uma equipe com 12 apóstolos. Embora Jesus diga que Ele é o caminho, a verdade e a vida, Ele nunca impôs esta verdade, sem respeitar o momento do outro. Esta pedagogia do bem, que não exclui, que não julga, é a proposta de Jesus. Há 2 mil anos, Ele se aproximou de uma prostituta (Maria Madalena), dos pecadores que, á época, deveriam se apedrejados pela lei vigente. É um grande ensinamento ainda para os dias de hoje."

Dom Rubens Sevilha, Bispo da Diocese de Bauru

Raízes incontestáveis

Samantha Ciuffa
Mauro Sebastião Pompilio, vice-presidente do Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac) de Bauru e diretor de doutrina

"A doutrina espírita tem em Jesus o grande modelo de criatura humana, o espírito mais evoluído, o único anjo que passou pela Terra. E era um espírito tão excepcional e perfeito que, quando a Terra foi concebida por Deus, Jesus recebeu diretamente da Divindade a responsabilidade de ser o grande diretor do nosso planeta. Ele foi um grande líder porque a Sua palavra, o Seu ensinamento revolucionaram a humanidade, que até então não tinha muita compreensão das coisas da vida. Com base na lei do amor, de ''amar a Deus sobre todas as coisas e amar ao próximo como a nós mesmos', Ele deu um sentido completamente diferente, estabelecendo diretrizes que não podem ser contestadas. E toda criatura humana que traz mudanças de entendimento, que contesta posturas vigentes, é, de alguma forma, alguém que revoluciona. Mas Jesus jamais se movimentou politicamente. Ele era um judeu que procurava orientar outros judeus que tinham ideias muito distorcidas da vida e dispunha de todo conhecimento necessário para poder transmitir aquilo que sabia. Era um espírito de bilhões de bilhões de anos, que trabalhou para cumprir exatamente o que o Pai esperava dele." 

Mauro Sebastião Pompilio, vice-presidente do Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac) de Bauru e diretor de doutrina

Viés revolucionário

Samantha Ciuffa
Pastor Hugo Evandro Silveira, da Igreja Batista

"A história de Jesus Cristo é crida no mundo todo há mais de dois mil anos, mas a profecia sobre a vinda do Messias vem desde o Gênesis. Quando, nos evangelhos, o anjo anuncia para Maria o menino que está em seu ventre, ele está anunciando um governo, um reino que será eterno.

E, de fato, todos o ensinamentos e feitos de Jesus vão apontar justamente para isso: Ele é este rei eterno. Ele, inclusive, morre em sacrifício e ressuscita, ou seja, vence a morte. E a ciência literária já comprovou que os manuscritos bíblicos são fidedignos.

Todo o Seu desenvolvimento como ser humano, em dar amor e paz, salvar, curar e aconselhar, acaba confirmando o anúncio dado pelo anjo. Jesus, neste sentido, tem um viés revolucionário, mas não no âmbito do sistema sociopolítico e sim no terreno. Em algum momento, quiseram levar Jesus para o plano humano, em um contexto em que o povo judeu em Israel, território da Palestina, era dominado de maneira atroz pelo Império Romano. Houve a expectativa de que este Messias iria libertar o povo de Israel deste império do mal, mas, com muita clareza, Jesus disse que seu reino não é deste mundo. Ele veio para estabelecer um reino que não terá fim e que não se dá no plano terreno."

Hugo Evandro Silveira, pastor da Igreja Batista do Estoril

Obediência a um propósito

Aceituno Jr.
Jean Carlos Garcia, pastor do Ministério Filhos do Reino

“Jesus veio como homem, para viver como nós. Ele foi uma criança, um jovem que passou por todos os processos da vida. Através da sua obediência ao propósito de Deus, conseguiu cativar as pessoas por meio de um amor extraordinário, que é a marca da sua liderança. Ele foi fiel a este propósito, a ponto de entregar sua vida por todos nós. Jesus demonstrou o princípio do amor por meio da comunhão, do perdão, da compaixão. Ele sempre estava no meio de pessoas excluídas da sociedade, rejeitadas, demonstrando o mesmo amor. Por um momento, alguns discípulos de Jesus acreditaram que Ele faria uma revolução por meio do uso da força física e, quando entenderam que esta revolução não ocorreria desta forma literal, deixaram de segui-lo. Jesus, ao mesmo tempo em que respeitava regras da ordem vigente, mostrava o que as pessoas precisavam aprender. Seu governo não diz respeito ao âmbito terreno, mas sim a algo eterno.

Jean Carlos Garcia, pastor do Ministério Filhos do Reino.