Bauru e grande região

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Novas carreiras agitam mercado, aponta estudo

Lista de profissões em ascensão leva em consideração as tendências do mercado

03/02/2019 - 07h00

Divulgação
Celso Bazzola acredita em avanço das contratações também em cidades-polo como Bauru

Diante de um mercado de trabalho exigente e cada vez mais impactado pela tecnologia, mas com especialistas apontando otimismo de vários setores em relação ao desempenho econômico do País neste ano, a Bazz Estratégia de Recursos Humanos elaborou uma lista de profissões que estarão em alta em 2019.

Integram a lista carreiras como a de gerontólogo e analista de BI (Business Inteligent), por exemple (veja nesta página). Segundo o diretor executivo da Bazz Estratégia de Recursos Humanos, Celso Bazzola, para definir os setores que se destacarão são necessárias algumas análises.

"O que leva a definirmos algumas carreiras promissoras para o ano são as tendências de mercado e a economia do País. As necessidades e mudanças de comportamento também influenciam nessa análise", explica. Bazzola informa que estas variáveis são discutidas com grupos de estudo formados em universidades e junto a profissionais de recursos humanos.

Com base nas necessidades de mercado e nas vagas abertas, eles pesquisam a evolução das carreiras. Em muitas destas áreas apontadas, os profissionais com formação e experiência tornam-se cobiçados, destaca o diretor executivo. Para este ano, ele acredita em um avanço das contratações também em cidades-polo, que incluem municípios como Campinas, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e também Bauru.

CARACTERÍSTICAS

"Temos de levar em consideração que os grandes centros tornam-se especialistas em determinados segmentos. Então, quando se fala em determinadas carreiras, é óbvio que alguns centros terão foco maior do que outros em algumas áreas", afirma a professora Débora Scardine da Silva Pistori da Universidade do Sagrado Coração (USC), especialista em gestão estratégica de pessoas.

Para ela, no entanto, algumas profissões estão em ascensão independentemente da região. É o caso, por exemplo, do gerontólogo, que trabalha com pessoas idosas abarcando aspectos sociais, psicológicos, biológicos e até legais. "Essa é uma área que, com certeza, terá um destaque cada vez maior. As pessoas estão envelhecendo e buscam qualidade de vida. As famílias também querem, na medida do possível, proporcionar isso", comenta.

As carreiras relacionadas à tecnologia também são muito valorizadas em qualquer região e, normalmente, são bem remuneradas. "Pela velocidade, agilidade do processo e do resultado, a tecnologia está entrando em várias áreas, da medicina à agropecuária. É um campo bastante interessante no mercado e tende a crescer. E a inteligência artificial é uma área a ser explorada por estes profissionais", ressalta Bazzola.

Os que trabalham com análise de dados, assim como conselheiros, por exemplo, também estão entre aqueles cujos salários são considerados altos. Porém, nem todos os que estão nas áreas apontadas como promissoras conseguem alcançar êxito rapidamente. Especialistas são claros ao afirmar que todas as atividades têm pós e contras e exigem empenho, qualificação constante e experiência.

PADRÃO

A despeito das carreiras apontadas como em ascensão em 2019, algumas já consideradas tradicionais seguem fortes no mercado. Entre os exemplos estão as que transitam por áreas de finanças, como economia e administração, pondera o diretor executivo da Bazz Estratégia de Recursos Humanos, Celso Bazzola.

"Permanecem fortes justamente por conta das oscilações econômicas do País. Marketing também, assim como recursos humanos, que faz recrutamento, como é o caso de psicologia. Mas não adianta desespero. É preciso qualificação constantemente com pós, por exemplo", recomenda ao citar alguns casos.

Enquanto o mercado demanda por carreiras novas, as que já existem também passam por transformações. Algumas, inclusive, correm o risco de extinção com o passar dos anos e o fortalecimento da inteligência artificial no processo produtivo. Estudos apontam milhões de desempregados mundo afora por conta da tecnologia. "Mas não podemos esquecer que novas profissões virão a partir disso", conclui a professora Débora Scardine da Silva Pistori da USC, ao ressaltar o quão fundamental é a inteligência humana.

Designer de games está entre as profissões em ascensão

Há dois anos, Leandro Ometto Ciamaricone trabalha como programador de games em uma empresa em Bauru, cujo foco é entretenimento. Na opinião dele, trata-se de uma área que vem melhorando muito no Brasil. Seu futuro começou a desenhar-se no Laboratório de Tecnologia e Informação Aplicada (Ltia) da Unesp, onde ele cursava Sistema de Informação e formou-se no ano passado.

"Eu sempre joguei muito. Isso ajuda porque dá um bom sentimento na hora de fazer", diz. Ele frequentou o mesmo laboratório Heitor Vasconcelos de Queiroz, que até dezembro trabalhava com designer de games como grupo denominado Dead Battery Studio. Ele está prestes a concluir a faculdade de Design. "É uma área em ascensão, mas é difícil", comenta o autor do jogo Punhos de Urna.

"Somos um estúdio de Indie Games. O Punhos de Urna satiriza o cenário político sociocultural brasileiro e busca evocar o sentimento nostálgico de jogos antigos. A melhor descrição que encontramos é dizer que Punhos de Urna é o resultado do encontro do baixo estrato cultural de nosso País com a agressividade, falta de respeito e diversão", comenta.

O potencial da área foi percebido pelo professor do curso de Design da Unesp, Dorival Rossi, há cerca de dez anos. Pesquisador do programa de pós-graduação em mídia e tecnologia da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Unesp, ele criou a pós em Design de Games e incluiu a disciplina na graduação.

"O mercado fica cada vez maior. Os games estão sendo usados em várias áreas. Como a nossa realidade está se gameficando, daí a necessidade de estudá-los. Nossos alunos são disputados a peso de ouro. Vários deles criaram empresas em Bauru, que é um grande polo desenvolvedor de games", comenta.

Diante deste cenário, a Universidade do Sagrado Coração (USC) inicia neste ano curso de Jogos Digitais (tecnólogo), que conta com oficinas de criação e projetos de extensão específicos.

De acordo com o levantamento realizado pela NewZoo, consultoria especializada no mercado de games e de mobile em 2017, o Brasil é o principal mercado de jogos da América Latina e o décimo terceiro no ranking mundial, com 66,3 milhões de gamers e uma movimentação de US$ 1,3 bilhão no ano, informa a assessoria de imprensa da USC.

Conselheiro

Malavolta Jr.
Carlos Henrique Carobino destaca influência da Lava Jato

A carreira de conselheiro surgiu nos Estados Unidos e chegou ao Brasil com a lei das sociedades anônimas em 76 (lei 6.404, alterada em 2001 pela lei 10.303). No entanto, atualmente tornou-se uma carreira ascendente por conta dos desdobramentos da Lava Jato. A avaliação é do professor universitário e coordenador dos cursos de pós-graduação da área de gestão da Faculdades Integradas de Bauru (FIB), que também é profissional do mercado financeiro há 37 anos, Carolos Henrique Carobino.

"O conselheiro integra um órgão superior que só existe nas sociedades anônimas. Esse profissional faz parte de um colegiado. Dependendo do porte da empresa, são cinco profissionais. Sempre número impar porque eles votam decisões da diretoria executiva", explica. Atualmente, respondem ainda para tribunais de conta e em ações judiciais.

Os conselheiros são selecionados com cautela no mercado por recrutadores, que buscam competência e experiência. "A remuneração varia em torno de R$ 250 mil ao ano. Podem também ter participação nos lucros da empresa. Não trabalham direto. São convocados para avaliar resultados, metas e planejamento estratégico", finaliza.

Parte dos jovens 'ignora' vocação

A dificuldade em reconhecer suas próprias aptidões é um problema enfrentando por muitos jovens. O impasse atrapalha a escolha da carreira. Sem a clareza da vocação, tem quem opte por uma profissão exclusivamente pela remuneração prevista. Para especialistas, esse tipo de decisão é considerado um equívoco.

Samantha Ciuffa
Aziz Kalaf Filho: muitos estudantes seguem modismos

"Eu trabalho diretamente com eles e tenho atuado muito com esse tema de gestão de carreira. Estou tendo uma dificuldade muito grande em os jovens reconhecerem suas próprias habilidades, em compreenderem como vão utilizá-las no mercado de trabalho", reitera a professora Débora Scardine da Silva Pistori da Universidade do Sagrado Coração (USC), especialista em gestão estratégica de pessoas.

Diante deste cenário, ela recomenda a quem está perdido quanto ao caminho profissional a seguir que procure profissionais na área de recursos humanos. A dica é a mesma para quem quer redescobrir habilidades para mudar de área. "Eles podem fornecer esse tipo de ajuda. Também auxiliam a potencializar as habilidades na direção que pretendem", acrescenta.

Com este apoio, é possível ainda evitar tendências que, futuramente, tornam-se ciladas. "Muitos jovens escolhem a área tendo em vista a situação do mercado de trabalho de hoje. Não enxergam quatro ou cinco anos à frente. Há uma concepção de modismo, que não leva em consideração a vocação. Pelo mercado atual, todo mundo faz o mesmo curso, se forma ao mesmo tempo e o mercado piora", comenta Aziz Kalaf Filho, diretor da Unip campus Bauru.

VÁRIAS CARREIRAS

Douglas Reis
Débora Pistori: profissionais de RH auxiliam os 'perdidos'

Frente a eventuais dificuldades, um alento: estudos indicam que os jovens que estão ingressando agora no mercado de trabalho passarão por no mínimo quatro carreiras diferentes ao longo de sua vida laboral, adverte a professora Débora Pistori.

Ela é graduada em administração, especialista em gestão estratégica de pessoas e mestre em engenharia de produção. No entanto, também tem formação em gastronomia. "Se eu gosto mais de administração ou gastronomia? Eu gosto das duas coisas. Mas administração hoje é meu ganha pão. A gastronomia atualmente é hobby. Mas daqui uns anos, essa situação pode se inverter. A gente não deve também se apegar a uma profissão e achar que vai fazer isso pelo resto da vida", enfatiza.

Além disso, a professora chama atenção para o fato de uma mesma carreira oferecer uma grande gama de possibilidades para atuação, como é o caso do direito e da comunicação. Mas especialistas sempre recomendam atenção à vocação. "Caso contrário, a pessoa pode até ganhar um bom salário, mas permanece insatisfeito com o resultado e o trabalho que faz", conclui o diretor executivo da Bazz Estratégia de Recursos Humanos, Celso Bazzola.

'Multiconhecedor'

O mercado de trabalho procura profissionais capazes de transitar em várias áreas do conhecimento. O alerta é do professor universitário e coordenador dos cursos de pós-graduação da área de gestão da Faculdades Integradas de Bauru (FIB), que é profissional do mercado financeiro há 37 anos, Carlos Henrique Carobino.

"A demanda é por profissional que seja 'multiconhecedor'. Mas antes de ser 'multiconhecedor' tem de ser especialista", explica. De acordo com ele, especializações, por exemplo, podem ajudar.

Gerontólogo

Arquivo pessoal
Matheus Gasparini auxilia Salime Mamed da Costa, 93 anos

Fisioterapeuta e educador físico, Matheus Gomes da Silva Gasparini está se especializando em gerontologia na Instituição Toledo de Ensino (ITE). Isso porque, desde o início de sua graduação, tem como foco trabalhar com a terceira idade. "Eu sempre tive afinidade. Bom é que a demanda está crescendo". Só em Bauru são 45.191 pessoas com mais de 60 anos, segundo dados do censo de 2010 elaborado pelo IBGE. Atualmente, o número deve ser maior.

"Os idosos estão envelhecendo com saúde, têm mais acesso à medicina, se cuidam mais, fazem atividades físicas, têm mais qualidade de vida. Geriatra é o médico. Gerontólogo acompanha todas as outras áreas", explica.

Um profissional da área deve ser capaz de ver as implicações socioeconômicas, regionais e culturais do envelhecimento, acrescenta a professora Lilia Christina de Oliveira, coordenadora da pós em gerontologia, aspectos biopsicossociais e legais da ITE. De acordo com ela, o curso abrange aspectos da sociologia, economia, biologia, além dos legais, entre outros.

Técnico em drones

Engenheiro, Leonardo Garcia tem uma empresa na área de tecnologia e trabalha com drone desde 2011. De acordo com ele, o segmento tem várias áreas de atuação. Garcia, por exemplo, fabrica equipamentos focados para agricultura, atividades de mapeamento e biocontrole.

"Temos empresas próximas que contam com 25 operadores. Damos treinamento para estes profissionais das empresas clientes. Estou com agenda fechada até agosto", comenta ao apontar seu segmento específico como promissor.

Leonardo pondera, no entanto, que desconsidera como profissionais pessoas com pouca ciência sobre o uso legal dos drones, que os utilizam sem respeitar regras.

Ainda assim, mesmo sem experiência e certificações, tem quem preste serviços na cidade, adverte Marivaldo Campos Brito, o Marivaldo do Drone, há 12 anos no mercado. "Tem até menor de idade operando, o que é proibido. Até há oito anos, era novidade. Agora tem muita gente, inclusive despreparada", afirma.

Agroecólogo

A possibilidade de trabalhar com agronomia e conciliar geração de lucro com baixo impacto ambiental tem despertado o interesse do mercado pelo agroecólogo. Consequentemente, a área também tem atraído cada vez mais alunos. A avaliação é do coordenador do curso de ciências biológicas da Unip, Rafael Campanelli Mortari.

"Existem cursos de curta duração, na modalidade de educação a distância. Neste caso, o interesse também cresce porque o aluno tem acesso mais rápido ao mercado de trabalho. Muitas vezes, as pessoas que procuram já estão atuando na área", comenta. A Unip, por exemplo, oferece curso a distância em gestão ambiental e gestão de agronegócio, áreas consideradas similares. Ainda na área, porém com aulas presenciais, conta com o curso de ciências biológicas, que também abarca o segmento.