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Estudante se forma engenheiro civil em Bauru vendendo trufas na rua

Venda do doce permitiu trabalho em horário flexível para que Renee de Almeida conseguisse se manter na cidade e fizesse estágio voluntário em obras

por Marcele Tonelli

06/02/2019 - 07h00

Marcele Tonelli
Renee vende trufas no Centro e na zona Sul de Bauru; os clientes fazem até fila para comprar

Impulsionado pelo sonho de ser engenheiro civil, Renee Zamonelli de Almeida transformou sua vida da noite para o dia. Apaixonado por trufas, ele largou o emprego fixo e aprendeu a fazer o doce pela Internet para vendê-lo pelas ruas de Bauru em horários flexíveis. Com o dinheiro, o estudante conseguiu permanecer na cidade e cursar a universidade, participando de estágios voluntários nas obras que queria. No final do ano passado, ele terminou a graduação na Universidade do Sagrado Coração (USC), mas diz que continuará vendendo as trufas até se estabilizar no mercado, em sua área.

E não é por menos. Afinal, além de pagar as contas de água, luz, aluguel e mercado, o comércio de trufas já possibilitou ao estudante trocar de carro e até comprar uma moto.

"A trufa me deu oportunidades. Se não fosse ela, eu não teria conseguido fazer os estágios na área que queria, porque teria que trabalhar de outra forma e não teria tempo de me dedicar", conta Renee, que conseguiu bolsa de 100% no curso.

No dia da formatura, inclusive, os próprios amigos de faculdade, que também se tornaram clientes de Renee, fizeram uma homenagem para ele com gritos exaltando as trufas.

NA MADRUGADA

Nascido em Botucatu, Renee morava com a mãe, que é técnica de enfermagem, mas há sete anos decidiu tentar a vida em Bauru. Ele conta que ela sempre o ajudou, mas isso nunca lhe deu condições para que não trabalhasse.

"Sempre trabalhei e, quando, comecei a faculdade, resolvi largar meu emprego de 8 horas diárias. Eu queria tentar algo novo e mais flexível para me dedicar aos estágios, porque a área que eu queria só oferece trabalho voluntário. E, nos estágios fixos, eu não aprenderia muito", explica.

Levou cerca de um mês para que ele chegasse ao ponto perfeito do chocolate, após assistir vários vídeos de receitas no Youtube.

"Não foi fácil. Mas como eu amo trufa, fui me aprimorando. No começo, quase todas davam errado. Hoje, o pessoal adora e tenho vários clientes fixos e encomendas", cita.

Os trabalhos para a preparação das trufas quase sempre ocorrem na madrugada. E Renee usa períodos variáveis do dia (horas próximas ao almoço) e da noite (saída de faculdades) para comercializar o doce.

Ele chegou a vender trufas em sete diferentes pontos de Bauru, entre o Centro e a zona Sul. Além de comercializar o produto aos finais de semana em Botucatu.

"Vendo de 500 a mil trufas por mês. Tem de Nutella, maracujá, Danoninho...", detalha.

Formado, ele busca agora angariar projetos e trabalhos na área de engenharia civil que lhe rendam algum dinheiro, mas continua vendendo o doce para se manter e fazer planos futuros, como o de casar com a sua namorada.

"Para virar ambulante é preciso baixar o ego e ter muita humildade. Mas vender trufas me fez aprender muito e a ser um cara mais feliz. Não tem coisa melhor do que arrancar sorrisos de clientes que chegam estressados ou tristes. É gratificante. E tenho certeza que isso também me ajudará na engenharia", finaliza.

Brumadinho

Como forma de retribuir o que ele diz que a vida tem lhe dado e de buscar ainda mais oportunidades de crescimento pessoal e profissional, Renee organiza uma caravana com amigos da engenharia rumo a cidade de Brumadinho, daqui a duas semanas. “Vamos levar água, doações de roupas e ajudar no que for preciso e pudermos na reconstrução daquelas vidas”, afirma.