Bauru e grande região

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'Há flores em tudo o que eu vejo'

Como a música dos Titãs lembra, este tipo de planta acompanha o ser humano do nascimento à morte, eternizando sentimentos como paz e amor

por Cinthia Milanez

10/02/2019 - 07h00

Fotos: Samantha Ciuffa
João Borin Leão, Cleide Della Coletta Borin e Nilson Carlos Borin: paixão pelas flores

"Há flores por todos os lados/Há flores em tudo o que eu vejo". Este trecho da música "Flores", do grupo Titãs. Lançada em 1989, a letra sempre faz sentido, afinal, este tipo de planta acompanha o ser humano do nascimento à morte. Muito além de ornamentar, as flores são matéria-prima para a fabricação de geleias, perfumes, licores e, até mesmo, medicamentos. Existe, também, quem acredite que externalizem sentimentos como alegria, paz, amor, saudade, entre outros. Expert neste assunto, Nilson Carlos Della Coletta Borin trabalha com flores há aproximadamente 40 anos. Tal paixão percorreu gerações, ou seja, começou com a avó do empresário, que passou para o seu pai, João Borin Leão. Hoje, Nilson toca a Flor Nações, em Bauru, aberta desde o dia 27 de novembro de 1986.

Arranjo de Regina Quatrina

Tão ou mais gentil como qualquer outro vendedor de flores, o comerciante relata que muita coisa mudou de lá para cá. Antes, o cliente gostava de comprar plantas para deixar na água. Hoje, busca por flores já plantadas na terra, fato que garante maior durabilidade.

Embora azaleias, begônias e orquídeas façam bastante sucesso, o carro-chefe de toda e qualquer floricultura é a rosa vermelha, principalmente, porque esta espécie simboliza o mais forte dos sentimentos, o amor. "Nós não vendemos apenas flores, mas sentimentos", acrescenta.

Isso é o que também motiva o proprietário da Lia Flores, em Bauru e Lençóis Paulista, Carlos Roberto Andrecciolli, que está há 20 anos neste segmento. Segundo ele, a preferência da clientela muda com o passar do tempo.

Antigamente, por exemplo, a moda era a cheflera. Agora, muitos procuram pela ficus lyrata. No entanto, a rosa ainda é a campeã de vendas. "A flor representa muitos sentimentos e o ambiente que a abriga torna-se alegre, capaz, inclusive, de melhorar o humor de qualquer pessoa", argumenta.

Para se ter ideia da importância deste setor, a exportação de flores, no Brasil, chega a render 200 milhões de dólares por ano e, só em São Paulo, as floriculturas ocupam uma área equivalente a 10 mil hectares de terras cultivadas.

SEM ERRO

No nascimento, mães e bebês recebem flores para celebrar a vida. Nos aniversários, flores são enviadas para marcar a data. No casamento, este tipo de planta compõe o buquê da noiva e a decoração da cerimônia, assim como em outras festas, como bodas e inaugurações. Nos velórios, por fim, a coroa de flores homenageia o ente querido que, infelizmente, partiu.

Ao lado do ser humano em grande parte da sua vida, este tipo de planta também é considerado o presente ideal, cuja margem de erro é quase nula, se comparado com qualquer outro bem pessoal, como avalia a decoradora Regina Quatrina, que exerce tal função desde 1988.

De acordo com ela, presentear alguém tem se tornado um desafio e tanto nos últimos tempos, já que a infinidade de opções levou as pessoas a desenvolverem um gosto bastante individual. "A flor serve para qualquer tipo de pessoa, não há quem não goste", observa. Tanto que, certa vez, Regina foi incumbida de entregar um vaso de flor para o funcionário de uma obra, cujo tipo físico era extremamente forte. Quando ela chegou ao local, o homem se emocionou. "Os colegas o ovacionaram, como se fosse um herói de guerra", recorda ela.

Inspiração no nome

Samantha Ciuffa
Batizada com nome de flor, Hortência Barbosa prefere as rosas amarelas

Toda Rosa, Margarida, Hortência ou Camélia carrega no nome as homenagens dos pais apaixonados por flores. Batizada com nome de flor, a dona de casa Hortência Barbosa, de 50 anos, não é muito chegada à planta homônima, mas adora rosas amarelas, devido à exuberância da sua cor. De acordo com ela, o nome foi uma homenagem à sua avó, cujos pais gostavam desta flor. "Como fui a primeira neta, os meus pais me batizaram com o nome da minha avó", justifica. No entanto, a flor não está presente apenas no nome de Hortência. "Recebo flores em aniversários e, até mesmo, fora das datas especiais."

Hortência também cultiva plantas em casa e, atualmente, cuida de uma samambaia da amiga da sua filha, que precisou viajar. "Quem não gosta de flores?", questiona a dona de casa.

Orquídeas tratadas como filhas!

Fotos: Samantha Ciuffa
Éder Bolsonário tem hoje cerca de 200 orquídeas

Orquidófilo mostra a delicadeza da mini orquídea

O orquidófilo e empresário Éder Bolsonário, de 47 anos, quebra aquele paradigma machista, que consiste em pregar que flor é coisa de mulher. Ele tomou gosto por cultivar orquídeas graças ao seu pai, que tinha o mesmo hábito.

"Ele se inspirou no meu avô e ambos iam à feira, todo domingo, para comprar a flor", pontua. Éder possui 200 orquídeas de diferentes espécies, que, por enquanto, estão armazenadas no orquidário de um amigo, no Vale do Igapó, enquanto o seu não fica pronto. "Estou apartado das minhas filhas", brinca.

Segundo o orquidófilo, o trabalho de manter as plantas saudáveis é árduo, porque, ao contrário do que muitos pensam, a orquídea não depende só de água para sobreviver. É preciso adubá-la, para que o resultado impressione até o mais insensível dos mortais. Tudo isso para vê-las florescer, no máximo, duas vezes ao ano. "Mesmo assim, vale a pena, uma vez que a beleza da planta é indescritível", exalta.

Pétalas para cultivar e comer

Divulgação
Tagete produz flores comestíveis, inclusive, usadas como açafrão

Fugir de alimentos que contêm agrotóxicos é preocupação de muita gente. O cultivo, em casa, das chamadas Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs) permite dar um toque de beleza ao jardim ou varanda e, ainda, produzir alimento saudável.

Só no Brasil, há milhares de espécies catalogadas, entre flores, folhas e frutos, que oferecem alto valor nutricional e se desenvolvem facilmente. Muitas delas estiveram à venda na 9.ª Ceagesp em Flor, que ocorreu em setembro do ano anterior, em Bauru.

Para pessoas que têm pouco tempo disponível, mas desejam preencher um cantinho ensolarado da casa, a tagete é uma boa alternativa de Panc. Ela produz flores comestíveis, inclusive, usadas como açafrão, para dar cor a omeletes e massas. 

Da begônia, dá para sair um belo snack de folhas fritas empanadas ou acompanhadas com arroz.

A murta ou a popular dama da noite, por exalar cheiro característico, fornece frutos que servem para o preparo de geleia ou refresco. As flores são usadas para chás, a exemplo da lavanda. 

Presente no prato do mineiro, a taioba ainda é uma Panc em solo paulista. A sua folha, de aparência rústica, substitui a couve, se servida picada e refogada.

De sabor picante, as folhas da capuchinha acompanham saladas ou complementam o tempero de molhos.

Já a popular amor-perfeito, que se desenvolve com facilidade, é, também, aproveitada na culinária. Folhas e flores se tornam ingredientes em saladas, sopas e geleias.