Bauru e grande região

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Bauru é a 2.ª cidade do Estado com maior número de casos de dengue

Até o momento, a Secretaria Municipal de Saúde registrou 1.547 ocorrências da doença, perdendo apenas para Andradina, com 1.737 notificações

por Cinthia Milanez

10/02/2019 - 07h00

Ao registrar 1.547 casos de dengue, seis internações e três mortes suspeitas, Bauru já é a 2.ª cidade de todo o Estado de São Paulo com o maior número de ocorrências da doença, perdendo apenas para Andradina, que realizou 1.737 notificações.

A pedido do Jornal da Cidade, a assessoria de comunicação da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo divulgou, por meio de nota, que, em janeiro deste ano, a pasta confirmou 4.595 casos de dengue em todo o território paulista.

Ainda neste período, dez cidades concentravam 77,4% das ocorrências, que somavam 3.507 notificações. No ranking, o município ficou em 2.º lugar - na época, com 945 casos.

Em vista disso, o JC entrou em contato com as cinco primeiras cidades da lista e constatou que o cenário deste mês ainda é o mesmo. Andradina continua na liderança, passando de 1.250 notificações, em janeiro, para 1.737, em fevereiro.

Já Bauru, que havia registrado 945 casos da doença, em janeiro, passou a contabilizar 1.547 ocorrências, neste mês. Em seguida, vem Araraquara (de 490 para 906 notificações), São José do Rio Preto (de 231 para 453) e Barretos (de 155 para 235).

Se considerar a incidência da doença por habitante, a situação da cidade não está tão grave como a de Andradina, que faz uma notificação a cada 33 moradores. Em Bauru, um em cada 220 munícipes são diagnosticados com dengue.

Douglas Reis
O secretário José Eduardo Fogolin afirma que a epidemia de dengue, em Bauru, é cíclica

Questionado sobre o assunto, o titular da Secretaria Municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin, alega que o ranking não o preocupa. "Não é uma disputa entre quem é melhor ou pior, afinal, esta situação é nacional, frequente, periódica e cada cidadão, além do poder público, têm de assumir tal responsabilidade", defende.

AÇÕES

Além de conscientizar a população sobre a necessidade de evitar água parada e, consequentemente, o desenvolvimento das larvas do mosquito da dengue, o município desenvolve uma série de ações.

Segundo o secretário, é feito o bloqueio dos criadores de 1,2 mil imóveis por dia. E mais: diariamente, 450 edificações são submetidas à nebulização portátil e 160 quadras, à nebulização acoplada a veículo.

Os agentes visitam, ainda, de oito a dez pontos estratégicos, como ferro-velhos, por dia. Os servidores também realizam o monitoramento dos imóveis considerados especiais, que são escolas e hospitais.

Concomitantemente, o município faz aplicações de biolarvicida, cujo efeito é mais duradouro; limpeza dos terrenos públicos; bem como reuniões mensais junto ao Comitê Ambiental.

Em janeiro deste ano, a prefeitura também determinou que os proprietários dos terrenos particulares façam limpeza e capinação destas áreas até o dia 2 de março. Caso contrário, o serviço será executado e a conta, enviada aos responsáveis, que, além de tudo, serão multados em R$ 5,00 por metro quadrado.

ASSISTÊNCIA MÉDICA

Quanto à assistência, a Secretaria Municipal de Saúde vem capacitando a equipe médica e de enfermagem. "Além de saber diagnosticar, o profissional tem de convencer o paciente a se tratar e a retornar à unidade", explica.

Nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), o município executa a triagem qualificada, ou seja, logo que o paciente chega com a queixa, já pede o hemograma completo. O protocolo clínico, por sua vez, corresponde à hidratação.

Já os pacientes em observação ou internados são acompanhados pela Vigilância Epidemiológica, diariamente.

Além disso, a pasta ampliou a Unidade Básica de Saúde (UBS) do Bela Vista. No local, há uma equipe só para pacientes com suspeita de dengue, que atende das 17h às 23h. Por fim, o secretário pretende se reunir com os representantes da rede privada de saúde na próxima quarta. O intuito é padronizar o atendimento sempre que houver suspeita de dengue.

Estoque baixo

O sorotipo 2 também era chamado de dengue hemorrágica. Agora, a Organização Mundial da Saúde (OMS) o considera o tipo mais grave da doença, que pode provocar sangramentos na gengiva, no nariz e em outras partes do corpo. Em vista disso, muitos pacientes chegam à unidade de saúde com as plaquetas baixas e o único procedimento a ser adotado é a transfusão. Porém, o município enfrenta outro problema, além da epidemia de dengue: o estoque de sangue está baixo.

A ideia, conforme informações do secretário José Eduardo Fogolin, é desenvolver uma campanha maciça de doação. Quem quiser ajudar, basta ir até o Hemonúcleo do Hospital de Base, que fica na rua Monsenhor Claro, 8-88, na região central de Bauru. As doações de sangue são feitas de segunda a sexta-feira, das 7h às 11h30 e das 13h às 15h30.

Região Noroeste é a mais vulnerável

Os três pacientes que morreram com suspeita da dengue, conforme noticiado pelo JC na última quinta-feira, moravam nesta área da cidade

Titular da Secretaria Municipal de Saúde, José Eduardo Fogolin revela que a região Noroeste da cidade é a mais vulnerável em relação à dengue. Tanto que os três pacientes que morreram com suspeita da doença, conforme noticiado pelo JC na última quinta-feira, viviam nesta área.

Uma das vítimas, de 87 anos, cuja identidade não foi divulgada pelo município, começou a desenvolver os sintomas - dor abdominal, diminuição da diurese, aumento da concentração de sangue, queda de plaquetas e desconforto respiratório - em 8 de janeiro, mas só procurou pelo atendimento médico no dia 18.

O paciente morava no Bela Vista e, quando chegou ao Hospital Unimed Bauru, o nível das plaquetas estava em 146 mil. O índice abaixou para 63 mil no dia 21, quando veio à óbito.

Para o secretário, a demora em procurar pelo atendimento prejudicou a estabilização clínica do paciente, que, além de tudo, era idoso e hipertenso. "Logo, reforço que, assim que sentir qualquer sintoma da dengue, o munícipe deve procurar por um médico", ratifica.

O segundo caso acometeu outro idoso, desta vez, de 82 anos. José Ponce começou a sentir os sintomas em 2 de fevereiro e, no dia seguinte, procurou por atendimento médico, no Hospital Beneficência Portuguesa.

O morador do Bela Vista chegou com febre, dor muscular, vômito, além de ser diabético e hipertenso. No dia 5, José foi internado e morreu. 

A última ocorrência, por sua vez, afetou um paciente de 55 anos, cuja identidade não foi divulgada pelo município. A vítima começou a desenvolver os sintomas - náusea e vômito - em 14 de janeiro, mas só procurou pelo Pronto-Socorro Central (PSC) no dia 16.

Diabético, o paciente, que morava no Santa Edwirges, veio à óbito no último dia 17.

POR QUÊ?

Ainda de acordo com Fogolin, a maior vulnerabilidade desta região é justificada pelo fato de ser bastante populosa. Ao separar a cidade em quatro áreas de governança, a pasta constatou que o setor Noroeste abriga 180 mil habitantes, sendo que os outros têm, em média, 80 mil cada.

Em segundo lugar, a região é a menos abastada e acomoda grande quantidade de materiais recicláveis, que servem como criadouros do mosquito da dengue. E mais: alguns bairros, como o Bela Vista, possuem muitos idosos, que integram o grupo de risco da doença.

Malavolta Jr.
Na nebulização, crianças, idosos e alérgicos têm de ficar em cômodo com porta e janela fechadas

NEBULIZAÇÃO

A Prefeitura de Bauru e a Sucen decidiram ampliar a área de nebulização contra o mosquito Aedes aegpyti. Nos dias 15 e 22 de fevereiro, além de 1 de março, sempre a partir das 20h, o serviço será realizado na região Noroeste, especificamente, nos bairros Nova Esperança e Edson Francisco da Silva.

A recomendação é manter portas, janelas e cortinas abertas. Alimentos, filtros de água, utensílios de cozinha e roupas devem ser cobertos. É importante, ainda, guardar bebedouros de animais, gaiolas de passarinhos e aquários.

Crianças, idosos e pessoas alérgicas têm de permanecer em um cômodo com porta e janelas fechadas durante 30 minutos após a aplicação. Todos os moradores devem ficar dentro de casa.

Quase 100% dos casos de dengue é grave

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera o sorotipo 2 como a variação mais grave da dengue e, dos 1.547 casos confirmados da doença, só neste ano, em Bauru, quase 100% é deste tipo, conforme dimensiona o secretário José Eduardo Fogolin. Ainda de acordo com o titular da pasta, tal variação começou a circular no País, incluindo em Bauru, no ano anterior. Antes, os sorotipos prevalentes eram o 1 e o 3.

Segundo o secretário, a dengue grave provoca uma espécie de confusão imunológica. "Quem não teve contato com o sorotipo 2 ou qualquer outro pode apresentar complicações e não ter a resposta imunológica adequada", argumenta.

Os sintomas clássicos da dengue são: febre persistente, dor nas juntas, dor de cabeça, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas na pele.

Já os sintomas alarmantes são: dificuldade para respirar, pele pegajosa, dor abdominal e sangramentos.

Quem está no grupo de risco, formado por gestantes, pessoas acima de 65 anos, diabéticos e portadores de doenças cardiovasculares, deve ficar ainda mais atento à manifestação dos sintomas e procurar pela unidade de saúde o mais rápido possível.