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Drible nas dificuldades e vitória na informática

por Giselle Hilário

30/06/2019 - 07h00

Arquivo Pessoal
Glauber Lopes começou no ramo da informática aos 15 anos

O bauruense Glauber Lopes da Silva sonhava em ser um craque nos campos futebol, porém, foi na área da informática, estimulado por um "anjo" e pela sabedoria da sua mãe, que encontrou seu rumo. Triste depois de não passar em um teste no Palmeiras, ele, que teve uma juventude difícil e já trabalhava em uma empresa de assistência em informática, levou a sério o que ouviu, ainda aos 15 anos, da sua genitoras já estava no emprego do futuro.

Hoje, Glauber é dono da Glautec Computadores e não se vê fazendo outra coisa. "Sou muito feliz por todas as oportunidades que tive e foi acertado eu ter o futebol como hobby e a tecnologia como profissão", afirma o empresário.

JC - Você é empresário do ramo da informática. Sempre se viu nessa área?

Glauber Lopes da Silva - Não (risos). Como todo garoto, queria ser jogador de jogador de futebol. Mas minha vida sempre foi cheia de oportunidades. E, graças à minha mãe (Roseli Lopes da Silva, em memória) e minhas irmãs mais velhas (Camila e Cláudia), sempre abracei as oportunidades. E numa delas, um vizinho, o Eli Francisco Bortoletto, que decidiu abrir uma empresa de assistência em informática, me chamou para trabalhar com ele. Eu tinha uns 15 anos e ele foi um 'anjo' na minha vida num momento difícil. O começo foi complicado, era tudo muito novo. Eu sabia que existia computador, mas não sabia o que tinha dentro (risos). Eu tinha computador, mas pouco mexia. Queria mais o futebol mesmo e brincar na praça. Demorei uns seis meses para ter consciência do que se tratava. Na época, também tinha o Alexander Rodrigues, que me ensinou muita coisa, toda a base da informática. E fui pegando gosto, comecei a trabalhar o dia todo...

JC - E o futebol foi ficando de lado...

Lopes - Eu jogava muito futebol quando era garoto. Sou do núcleo do Jardim América, na frente da Praça Palestina. Ali, a gente tinha um campinho de futebol, bem na frente de casa. Na época, também fazia escolinha de futebol no Baroninho, que me ajudou muito na formação como pessoa que respeita o próximo. E aí, me vi, de repente, na área da informática. 

JC - Não dava para fazer as duas coisas?

Lopes - Uma semana depois de começar a trabalhar com o Eli, me chamaram para fazer um teste no Palmeiras. Foi uma experiência única, incrível. Era época de Copa do Mundo e ver os jogadores de perto... um sonho. Todo o pessoal do Baroninho foi, mas não rolou. E minha mãe sempre foi uma pessoa muito além do tempo dela. E, simplesmente, ela me disse que o emprego em que estava era o emprego do futuro. E ela não sabia nem mexer no celular! Teve uma visão muito além do que as pessoas imaginavam na época. E assim foi acontecendo.

JC - Então, você é palmeirense?

Lopes - Não, sou corintiano! E, em 2002, foi bem o ano que o Palmeiras caiu. Até hoje brinco com meus amigos que fui lá sacramentar (risos). Mas tenho um respeito muito grande pelo time, por todos os times. Gosto muito de futebol, ainda jogo. Acompanho não só o Corinthians, mas times em geral. Fui campeão pelo Nacional, no Amador, em 2004. E também foi uma experiência incrível. Mas foi uma carreira meteórica (risos): entrei, joguei, fui campeão e saí. Mas não me arrependo de não ter brigado mais pelo futebol. Sou muito feliz por todas as oportunidades que tive e foi acertado eu ter o futebol como hobby e a tecnologia como profissão.

JC - Hoje, como o futebol faz parte da sua vida?

Lopes - Não jogo mais no Amador, mas brinco no BTC, participo de campeonatos internos, mas nada sério. É um esporte que eu gosto muito. E, há cerca de um ano, comecei a praticar mountain bike. Virou um momento meu comigo mesmo. Momento de relaxar, alinhar os pensamentos. É um escape. Domingo, 6h, 6h30, saio de casa de bicicleta. Temos uma turma, o Pedal Sem Mimimi, e me ajuda muito fisicamente e mentalmente.

JC - Informática é um ramo de muito trabalho, principalmente, em um mundo tão globalizado, certo?

Lopes - Sou tecnólogo em Sistemas de Informação, formado pela FIB, em 2008. E, hoje, tenho a Glautec Computadores. É uma área muito boa. Costumo dizer que não tenho clientes, tenho amigos. Hoje, todo mundo tem computador, celular. Não dá mais para viver sem E as pessoas precisam ter segurança e se sentirem tranquilas para desempenharem suas funções no dia a dia. E é isso que a gente faz. A Glautec foi fundada em maio de 2008, temos clientes fidelizados graças ao nosso trabalho sério. 

JC - Você também faz parte da Maçonaria.

Lopes - Todos, na minha visão, precisam ter uma crença, independente da religião. Fui batizado na Igreja Católica, respeito todas as religiões. Hoje, falta às pessoas crer em um ser superior, buscar Deus. E, na Maçonaria, encontrei um norte na minha vida, que é buscar sempre ser uma pessoa melhor sem pisar ou maltratar alguém. Facilitou o entender o momento de uma pessoa e a ajudá-la de alguma forma sem julgamentos. A Maçonaria tem algumas filosofias, como "vencer nossas paixões, submeter nossas vontades e fazer novos progressos". Isso em relação à comunidade em que vivemos, em casa, com a família, no trabalho. Ajudar o próximo sem querer nada em troca.

JC - Você faz trabalho voluntário?

Lopes - Faço. Atendo algumas fundações e entidades. Fazemos repasses financeiros para compra de leite, entre outras coisas. É uma pena, mas está diminuindo o número de pessoas que fazem voluntariado. Há muita valorização do ter, hoje. Mas é preciso ajudar, deixar uma marca, não passar pela vida por passar. Isso sempre foi muito implícito na minha criação, principalmente com o meu pai (Antônio Cláudio da Silva, em memória). Tivemos um revés, passamos necessidade, mas nunca faltou comida em casa. Meu pai nos ensinava a dividir com todos. Sempre tem alguém que precisa mais.

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Ele dá 'nota 10 para toda a família: Miguel (cunhado), Camila (irmã), Glauber, Fernanda, Cláudia (irmã) e Rogério (cunhado)

JC - Você teve uma juventude difícil?

Lopes - Sim, mas de muita união e felicidade entre minha mãe, minhas irmãs e eu. A união que temos é muito forte. A Camila cuida de todas as minhas coisas, profissionalmente. A Cláudia tem empresa de manutenção de impressora e recarga de cartucho e tonner com o marido dela, Rogério, junto comigo. Estamos sempre juntos. Mas tive, sim, um juventude difícil, com a separação dos meus pais. Minha mãe era costureira, vendia roupas. Eu acordada e deitava com ela na máquina de costura. Minha irmãs, mais velhas, estudavam e trabalhavam para a gente dar continuidade na vida. Eu tinha de 13 para 14 anos, via aquilo e não podia fazer nada que desabonasse minha mãe e minhas irmãs. Por isso, sempre mantive uma conduta correta, sem vícios. Com 14 anos, eu queria trabalhar, ser empacotador do Confiança, para ajudar em casa. Tinha a padaria Petit, na Nossa Senhora de Fátima, e ia lá para sugerir entregar panfleto em troca de qualquer valor para ajudar em casa. Foi quando o Eli me ofereceu trabalho (pausa para momento de emoção).

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Glauber, a mãe Roseli Lopes da Silva e Fernanda, no casamento

JC - Essa lembrança ainda te emociona...

Lopes - Sim. Por isso, minha mãe foi fundamental na minha vida, ainda é minha maior inspiração. E prometi ajudá-la para que descansasse um pouco, curtisse um pouco da vida, pudesse tomar café da tarde com as amigas. Minha mãe sempre gostou muito da casa dela. E, por muito anos, ela ficou com uma reforma inacabada. Depois de trabalhar com o Eli, de 2002 a 2008, vi a necessidade de abrir meu próprio negócio. Ele entendeu. E comecei no quartinho de costura da minha mãe. Ela parou de costurar, mas continuou vendendo roupas. Foi quando eu consegui terminar a reforma da casa do jeitinho que ela queria. Ela decidiu tudo, da tinta ao piso. Isso foi uma grande vitória, ter feito o que ela sempre sonhou. Ela faleceu em 2014, aos 62 anos. Fiquei sem chão, mas consegui seguir em frente com a ajuda da minha família, da minha esposa, Fernanda, que, hoje, sem dúvida, é o meu pilar.

PERFIL

Arquivo pessoal
Glauber, Rafael, Fernanda, Edemilson Arias Pinotti (sogro), Lucas Orlato Pinotti (cunhado) e Cleuza Pinotti (sogra) 

Nome: Glauber Lopes da Silva

Idade: 33 anos

Esposa: Fernanda Orlato Pinotti. "É o meu pilar, meu norte."

Filho: Rafael, 1 ano e 6 meses

Time: Corinthians. "Gosto muito do Noroeste, também."

Livro: "Ponto de Impacto", de Dan Brown

Filme: "À Procura da Felicidade", com Will Smith. "É uma história muito parecida da minha vida e da minha família."

Música: Samba. "Música me faz bem. Tudo o que faço tem uma trilha sonora."

Lema para a vida: Viva o presente, porque o futuro a Deus pertence. "A gente tem uma vida tão corrida e acaba não vendo o tempo passar. De repente, a gente se depara com uma perda (pausa para um momento de emoção). É preciso viver o dia a dia intensamente e deixar o futuro para o futuro."

Hobby: Futebol e mountain bike

Ídolo: Minha mãe. "Ela ainda hoje inspira meu dia a dia. Sigo a linha de ser uma pessoa melhor a cada dia por causa ela."

Nota 10: Minha família. "Camila e o marido, Miguel; a Cláudia e o Rogério, marido dela; meus sogros, Cleuza e Edemilson. Eles são mãe e pai para mim. Meu cunhado, Lucas. Somos uma família abençoada."

Nota 0: Aos corruptos. "Independente de ser governo ou não."

Contato: (14) 3226-3723 e [email protected]