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Aterro mínimo é a nova alternativa ambiental, diz secretário em Bauru

Titular da Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido esteve na cidade para a qualificação de cidades que poderão receber o selo VerdeAzul

por Marcele Tonelli

12/07/2019 - 07h00

Samantha Ciuffa
Marcos Penido e José Walter Figueiredo Silva durante o encontro no Teatro da USP de Bauru

Secretário de Estado da Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido disse nessa quinta-feira (11), em Bauru, em evento de qualificação de 164 cidades que poderão receber os selos do Programa Município VerdeAzul, que o chamado aterro mínimo deve ser a nova aposta ambiental.

O evento foi realizado no Teatro da Universidade de São Paulo (USP) e contou com 292 prefeitos de toda região inscritos.

Na ocasião, Bauru foi uma das cidades qualificadas para receber o selo, mas ainda deve continuar demonstrando evoluções até o final deste ano (leia mais abaixo).

"Lixo nós vamos continuar gerando mais a cada dia, o que coloco como meta e defendo é a questão do aterro mínimo, onde o reciclado é separado, o molhado vai para a compostagem e vira adubo e o que tem poder calórico se transforma em energia. O que sobrou disso, algo em torno de 12% a 14%, é que irá para o aterro", afirmou Penido.

Umas das diretivas para conseguir o selo Município VerdeAzul é a dos resíduos sólidos. Só que o tratamento do lixo e também do esgoto estão entre as principais dificuldades das cidades para conseguir obter a certificação. Hoje, é dos municípios a obrigatoriedade de dar destino ao lixo.

"Não existe recurso do Estado para isso. Da mesma forma que a água e o esgoto, o lixo é um serviço. Se está embutido no valor do IPTU, a prefeitura deve deixar bem claro qual a taxa. Ou então, gerar um fundo para isso", explica Penido. "Dizer que município está quebrado não é desculpa para não investir", completa.

DESDE 2008

Samantha Ciuffa
292 prefeitos de toda região foram inscritos para o evento realizado em Bauru nesta quinta

O Programa Município VerdeAzul foi criado em 2008 como forma de conscientizar as cidades sobre as questões ambientais. Atualmente, 638 dos 645 municípios em todo o Estado são adeptos ao programa. Anualmente, eles são avaliados por técnicos da secretaria e por um comitê próprio do município com base em dez diretivas: esgoto tratado, resíduos sólidos, biodiversidade, arborização urbana, educação ambiental, cidade sustentável, gestão das águas, qualidade do ar, estrutura ambiental e conselho ambiental.

Nesta edição, o programa recebeu 292 inscritos. Os 164 qualificados, nessa quinta-feira (11), alcançaram nota mínima de 4. E precisam evoluir ainda mais para conseguir a certificação. No evento, eles são alertados para correções e rumos que devem seguir para obter o selo. Quem alcança nota 8, não precisa ser qualificado. A entrega da certificação é feita ao final do ano.

"Esgoto e lixo demandam muito investimento, mas existem outras áreas que podem crescer ao longo de um ano, como conscientização, educação ambiental, programa com crianças. Isso mostra que a cidade tem praticado a cultura da sustentabilidade, que é o que o programa busca", explica Penido.

Ao ter o selo agregado à sua marca, o município e suas empresas podem se beneficiar ao buscarem financiamentos de países de primeiro mundo.

'DERRAPA'

Com 10% do esgoto tratado e na luta para diminuir a quantidade de lixo que vai para o aterro, Bauru ainda "derrapa" quando o assunto é meio ambiente. Contudo, a demonstração de evolução em outras diretivas, como a criação de um Conselho Municipal de Meio Ambiente, plantio de mudas em massa e ações na área de educação ambiental, devem fazer com que a cidade receba pelo segundo ano consecutivo o selo VerdeAzul.

"Nossa pontuação com essas ações cobriu a falta da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto). Com o término da estação e com a Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos, o saneamento ambiental estará resolvido e a pontuação de Bauru deve subir para as primeiras colocações", afirma o prefeito Clodoaldo Gazzetta.