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Medicina nuclear cresce como aliada ao tratamento do câncer

Médico Henrique Soldera Freddi fala sobre a especialidade, que também é utilizada em pacientes com doenças do coração

por Ana Beatriz Garcia

21/07/2019 - 07h00

Vinicius Bomfim
Henrique Soldera Freddi explica como a terapia nuclear age no organismo dos pacientes

Não tão conhecida pela maioria da população, a medicina nuclear é uma especialidade que realiza o diagnóstico de vários tipos de cânceres e doenças do coração. Além disso, de acordo com o médico nuclear Henrique Soldera Freddi, da Clínica Nucleon, a prática das terapias tem aumentado nos últimos anos, gerando resultados efetivos e maior qualidade de vida aos pacientes.

"Antes, a medicina nuclear era muito divulgada em relação ao câncer de tireoide. E ainda é bastante utilizada para isso. Mas, hoje, está crescendo muito o tratamento da parte neuroendócrina, tratamentos para tumores ósseos, principalmente, os de metástase, que vêm demonstrando excelentes níveis de melhora", declara o médico.

Esse ramo utiliza quantidades mínimas de substâncias radioativas - os chamados radiofármacos - para obter imagens e oferecer tratamentos precisos para diversas patologias. E, de acordo com o especialista, em alguns casos, seu uso pode ser decisivo na cura do paciente. "A medicina nuclear é bastante recente no Brasil. Ela ficava dentro da radiologia, mas nosso diagnóstico por imagem é um pouco diferente, porque não faz uma foto anatômica", explica.

Segundo ele, o exame nessa especialidade serve de forma funcional. "Isso, para a medicina, dá um diferencial na precocidade do diagnóstico, porque, antes de aparecerem problemas na anatomia, terão mudanças nas funções. Nós conseguimos detectar essas alterações em fase bastante inicial", diz.

DOSES DE RADIAÇÃO

O médico da clínica de medicina nuclear Nucleon, que retomará atendimento em Bauru nesta quarta-feira (24), explica como é processo da terapia nesta técnica. "Ela é feita em diferentes doses de radiação. Alguns tipos, podemos fazer aqui na clínica. Outros, para cânceres mais agressivos, precisamos de uma internação. Nesses casos, encaminhamos para Botucatu. Pretendemos ter quartos aqui, em Bauru, futuramente", conta.

Segundo ele, após injetado os traçadores específicos para cada órgão do corpo, o organismo passa a liberar radiação gama ou alfa que vai combater as células em volta do tumor. "Esses tratamentos não curam o câncer, mas dão qualidade de vida para os pacientes. Um exemplo é a metástase óssea, que causa uma dor muito significativa. A medicina nuclear consegue atuar, matando ou diminuindo as células de metástase, e melhorando, de forma significativa, esses quadros, com terapias que já podem ser feitas por diversos convênios nas clínicas, inclusive, aqui", afirma.

SEGURANÇA

O médico Henrique Soldera Freddi destaca, por fim, que o uso da medicina nuclear é bastante amplo aos pacientes oncológicos e com patologias cardíacas. "Todo paciente está apto. Algumas contraindicações, que não chegam a ser absolutas, são para as gestantes. Mas, por exemplo, uma paciente com tromboembolismo pulmonar. Existem duas formas de se fazer isso: tomografia e cintilografia de perfusão pulmonar, método nuclear. A dose de radiação do último é infinitamente menor que a da tomografia. Lembrando que os dois exames são seguros, mas o nível de exposição à radiação da tomografia pode chegar a ser 300 vezes maior que da cintilografia", finaliza.

Quem quiser saber mais sobre a medicina nuclear, pode acessar o site www.clinicanucleon.com.br.