Bauru e grande região

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70% de impostos estão em produtos e serviços

De R$ 252,330 milhões em tributos desembolsados pelos bauruenses neste ano, R$ 176,6 milhões foram somente de valores 'embutidos'

por Tisa Moraes

10/09/2019 - 04h14

Divulgação

João Eloi Olenike, presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, comenta sobre as altas taxas

Do pãozinho francês de cada dia a um tênis da moda que você estava ávido para comprar, em todo item consumido, os brasileiros pagam uma significativa parcela de imposto. Para se ter ideia, em Bauru, dos R$ 252,330 milhões em tributos desembolsados pelos moradores somente neste ano, R$ 176,6 milhões estavam "embutidos" em produtos comprados ou em serviços contratados, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT). O tema ganha cada vez mais destaque com as discussões crescentes acerca da reforma tributária.

"Quase 70% da arrecadação é decorrente da chamada tributação sobre o consumo", pontua o presidente-executivo da entidade, João Eloi Olenike. Entre os principais impostos incluídos nesta lista, estão ICMS, IPI (sobre produtos industrializados), PIS e Cofins, além de ISS, tributo municipal que incide sobre a prestação de serviços.

Olenike explica que os produtos que "escondem" os maiores percentuais de impostos são os considerados danosos à saúde, como cigarro e bebidas alcoólicas, além daqueles que entram na categoria de supérfluos e de luxo. "Nesta lista, estão eletroeletrônicos, perfumes. Se forem importados, a tributação aumenta mais ainda", acrescenta.

NO ORÇAMENTO

Mas, no dia a dia, pouca gente se dá conta do quanto estes tributos pesam no bolso. Olenike dá outro exemplo. Considerando que a renda de uma família de quatro pessoas seja de R$ 5 mil, pelo menos 33% (R$ 1.650,00) serão corroídos, todos os meses, pelo chamado tributo sobre consumo.

CONSCIENTIZAÇÃO

No cálculo, estão incluídos os impostos de tudo que uma família compra, os que incidem nas mensalidades escolares, na refeição fora de casa e nas contas de água, telefone e energia, apenas para citar alguns exemplos.

"Mas, pouca gente percebe, primeiro porque não costuma parar para olhar a nota fiscal e, segundo, porque muitos varejistas ainda não cumprem a legislação, em vigor há mais de três anos, que obriga a discriminar a tributação aproximada", aponta.

A maior conscientização sobre a carga tributária brasileira, frisa Olenike, é fundamental para a sociedade ter mais informações sobre os recursos injetados nos cofres públicos e o quanto estes valores estão sendo aplicados, de fato, para a maior qualidade de vida da população. Considerando também os tributos diretos, como IPVA, IPTU e Imposto de Renda, o cidadão brasileiro médio irá desembolsar, no total, aproximadamente 41% de sua renda anual. Ou seja, cada um deles terá de trabalhar cinco meses a cada ano somente para pagar tributos.

 

Bauruense já pagou quase R$ 20 milhões a mais

Quase R$ 20 milhões. Foi essa a bagatela que o bauruense já pagou a mais de impostos neste ano, na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo o Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), os moradores desembolsaram R$ 252,330 milhões em tributos entre 1 de janeiro e 21h30 de 9 de setembro de 2019, ante a R$ 233,975 milhões contabilizados nos mesmos dias de 2018.

Considerando a população estimada da cidade em 376.818 pessoas, a média é de R$ 669,00 pagos por cada um dos habitantes - isso sem excluir da conta a população que não é economicamente ativa. No Brasil, a previsão é de que o Impostômetro chegue à casa de R$ 1,7 trilhão nesta terça-feira (10).

O valor será atingido 14 dias antes de 2018, o que mostra que o painel está girando cada vez mais rápido e o montante tributário que sai do bolso do contribuinte continua a crescer. Em 9 de setembro do ano passado, o Impostômetro marcava R$ 1,607 trilhão.

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