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Corpo de esposa do homem que matou tenente da PM é localizado na geladeira

Ione dos Santos foi achada pelo irmão no Rio de Janeiro; polícia acredita que esse foi o motivo de o atirador ter atacado os oficiais

por Rafael de Paula

01/10/2019 - 05h22

Facebook/Divulgação

Ione dos Santos e Luan Martins; corpo da mulher foi achado no RJ

Luan Nilton Martins, 30 anos, que matou o primeiro-tenente Felipe Atanázio, 24, a tiros no distrito de Aparecidinha, em São Manoel (69 quilômetros de Bauru), na semana passada, é o principal suspeito do assassinato da esposa em Vera Cruz, zona rural de Miguel Pereira (RJ). O corpo de Ione dos Santos, de 47 anos, foi encontrado pelo irmão dela no sábado (28), no interior da geladeira da casa onde morava. O assassinato está sendo investigado pelo 96.º Distrito de Polícia.

As equipes de investigadores de São Manuel e da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Botucatu já trocam informações com policiais cariocas sobre a ocorrência registrada no final de semana a fim de compartilhar dados do inquérito. "Esse fato é fundamental para o nosso trabalho, que está em curso em São Manuel, com o apoio da DIG. A hipótese que temos é de que Luan estivesse com medo de ser preso por esse assassinato e estaria fugindo. Ao ver os policiais militares, decidiu arriscar tudo para são ser pego", destaca o titular da DIG, Celso Olindo.

De acordo com a investigação, o carro guiado por Luan - que também morreu no confronto com a PM - pertencia a Ione. A hipótese é que o atirador tenha roubado o automóvel. Ele cumpria pena em regime semiaberto por roubo no Rio de Janeiro. "O veículo tinha objetos que sugerem ser de uma mulher, como produtos de maquiagem e sapatos", detalha o delegado. Também foi encontrado, no interior do carro, um vestido de noiva. Ione dos Santos era pastora e juíza eclesiástica de paz. Ela estava desaparecida desde terça (24).

De acordo a imprensa carioca,  o delegado do caso, Luiz Fernando Damasceno, aponta feminicídio passional como uma das hipóteses consideradas para o crime.

A DIG informou que Ione registrou recentemente um BO de ameaça contra Luan. O enterro da pastora foi realizado às 16h desta segunda-feira (30), no Rio de Janeiro.

IRMÃO ESTRANHOU

O corpo foi descoberto pelo irmão de Ione, que não teve o nome revelado. Ele estranhou o sumiço da irmã e o fato de ela não ter ligado para dar parabéns pelo seu aniversário.

"Pela Internet, ele ficou sabendo da morte de Luan aqui em Aparecidinha e decidiu ir até a casa da irmã. Encontrou o corpo dentro da geladeira", relata o delegado Celso Olindo.

A porta do eletrodoméstico estava presa com o auxílio de um botijão de gás.

NO GPS

Equipes da DIG vão investigar também o que Luan Nilton fazia no Estado de São Paulo. A hipótese principal é mesmo a de fuga após ter matado a mulher. De acordo com a perícia, um aparelho de GPS foi localizado dentro do automóvel e o destino final era um endereço no município de Osvaldo Cruz (246 quilômetros de Bauru), na região de Marília. A localidade exata não foi divulgada para não atrapalhar as investigações.

ALTA MÉDICA

Além da morte do tenente Atanázio, dois policiais ficaram feridos no tiroteio com Luan. O capitão Marcelo Cordeiro Marcelino Paes e o primeiro-tenente Rodrigo José Franco, ambos servindo atualmente em Lençóis Paulista, foram baleados na perna. Marcelo teve alta na sexta-feira (27) e Rodrigo nesta segunda (30).

A equipe de oficiais voltava de um simpósio, quando se deparou com uma colisão no quilômetro 272 da rodovia Marechal Rondon e foram auxiliar os envolvidos. Luan Nilton Martins, que estava em um dos carros do acidente, abriu fogo ao ser questionado sobre a documentação do veículo.

Homenagem

Na manhã desta segunda-feira (30), companheiros de farda e amigos da academia de crossfit que Felipe Atanázio frequentava, em Bauru, fizeram homenagem para o policial morto. Os exercícios do dia foram dedicados ao tenente. Cerca de 40 policiais participaram do encontro, além da família de Felipe.

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